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São Paulo – Para comprar imóveis caros em mercados como Nova York, Sydney e Vancouver nos últimos anos, chineses ricos têm transferido bilhões ao exterior. A estratégia tem funcionado mesmo diante das restrições cambiais do seu país.
Na semana passada, uma emissora de televisão divulgou as manobras que estariam sendo utilizadas pelos bilionários para comprarem mansões mundo afora. A China Central Television (CCTV) acusou o Bank of China de lavagem de dinheiro. Um informe da emissora estatal fez uma reportagem sobre um programa do governo não anunciado previamente, que permite que os indivíduos transfiram e convertam seus yuan a dólares ou outras moedas no exterior.
Apresentado em 2011, o programa seria oferecido por alguns bancos na província de Guangdong, no sul do país, do outro lado da fronteira de Hong Kong. De acordo com comunicado do Bank of China, o programa de teste para a compra de imóveis no exterior e para a emigração não constitui lavagem de dinheiro. “As transferências foram autorizadas pelos reguladores e informadas a eles”, explicou a instituição financeira.
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“Isto mostra que o governo vinha tentando internacionalizar o renminbi há muito mais tempo do que pensávamos”, afirmou Jim Antos, analista da Mizuho Securities em Hong Kong, usando o nome oficial da moeda chinesa e se referindo à meta estabelecida há muito pelos decisores políticos, de permitir que o yuan se torne totalmente conversível em outras moedas. “Considero essa notícia estimulante, porque este é o caminho certo para eles”, acrescentou.
Controles cambiários
As normas cambiais na China limitam a quantidade máxima de yuan que os indivíduos os podem converter em US$ 50 mil por ano e os proíbem de transferir diretamente a moeda ao exterior. Nos últimos anos, os decisores políticos têm tomado medidas, como a autorização para realizar movimentos mais livres de capital para dentro ou para fora da China, no intuito de impulsionar a estatura global do yuan, que ainda não é plenamente conversível.
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O assunto veio à tona depois que a CCTV disse que o Bank of China ajudou os clientes a transferir quantias ilimitadas de yuan ao exterior através de um produto chamado Youhuitong, que significa “canal superior de moeda estrangeira”.
O programa é mais um sinal de que a China está testando métodos para possibilitar fluxos de saída do yuan antes de uma conversibilidade total, disse May Yan, analista da Barclays Plc em Hong Kong, em entrevista por telefone. A meta vem sendo anunciada pelos decisores políticos desde a década de 1990 e é um passo adiante nos planos declarados de transformar Xangai numa capital financeira global até 2020.
O Youhuitong foi suspenso enquanto o Banco Popular da China e sua secretaria contra a lavagem de dinheiro solicitam os registros de todas as transações anteriores, de acordo com uma fonte familiarizada com o produto, que solicitou o anonimato porque não tem autorização para falar sobre o assunto publicamente.
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A aprovação de transferências para clientes do Youhuitong costuma demorar várias semanas ou um mês, disse uma fonte do setor. Os clientes devem apresentar documentos que mostrem como o dinheiro a ser transferido foi obtido, como recibos de pagamentos fiscais e comprovantes de renda, além de um acordo de compra de imóvel ou comprovante de emigração, disse a fonte.
Compras nos EUA
Compradores chineses, incluindo pessoas de Hong Kong e Taiwan, gastaram US$ 22 bilhões em casas nos Estados Unidos no ano encerrado em março, um crescimento de 72% em relação ao mesmo período em 2013, e mais do que qualquer outra nacionalidade, disse a Associação Nacional de Corretores de Imóveis em seu relatório anual sobre compras de residências por estrangeiros.
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A China precisava melhorar sua supervisão dos fluxos de capital depois que US$ 2,7 trilhões em fundos foram transferidos ao exterior sem explicação nos dez anos anteriores a 2012, disse no ano passado Anthony Neoh, ex-conselheiro do governo que ajudou o país a se abrir para gerentes de recursos estrangeiros, citando dados da Integrity International. Esses fundos alimentaram bolhas imobiliárias em cidades como Hong Kong, em vez de serem investidos em ativos domésticos, disse ele.
“Sabemos que a demanda por mudar-se ao exterior existe”, disse Zhou Hao, economista do Australia New Zealand Banking Group Ltd em Xangai. “Mesmo que sejam impostas várias restrições, o dinheiro encontrará uma forma de sair do país, através de bancos clandestinos ou por outros meios”.