Bicombustíveis completam três anos no País

Volkswagen faz um balanço da tecnologia, que permite ao consumidor avaliar qual combustível é melhor para o seu carro e para o seu bolso

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SÃO PAULO – Nos postos de gasolina, onde durante muito tempo houve a supremacia dos veículos movidos a gasolina, hoje a pergunta mais comum do frentista é: álcool ou gasolina? A montadora Volkswagen do Brasil faz um balanço da tecnologia bicombustível, que teve ótima aceitação no País.

Qual é a resposta?

Em março de 2003, quando a primeiro carro bicombustível foi lançado no Brasil, a resposta parecia óbvia: álcool. Além de mais barato, o motor do carro tinha uma performance melhor com esse combustível.

Nos últimos meses, não é bem isso que acontece. Com a alta do álcool nas bombas, atualmente pode ser mais vantajoso abastecer o veículo com gasolina. De acordo com Paulo Sérgio Kakinoff, diretor de Vendas e Marketing da Volkswagen do Brasil, quando o preço do álcool é 70% inferior ao preço da gasolina, é vantagem dar preferência ao produto; caso contrário, a gasolina é a melhor escolha.

Segundo Kakinoff, esse é o grande diferencial da tecnologia, que permite que o consumidor avalie qual combustível é melhor para o seu carro e para o seu bolso.

Álcool em alta

De acordo com o diretor técnico da UNICA (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo), Antonio de Pádua Rodrigues, o aumento da demanda, acompanhado de um “deslize” na projeção da oferta, e o período da ante-safra, foram os responsáveis pela subida dos preços do álcool na bomba.

Para ele, o preço do álcool vai depender do próprio consumidor. Por não ser tabelado, o mercado vai seguir o princípio da oferta e da procura. Cabe ao consumidor avaliar as vantagens financeiras de cada um.

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Segundo Rodrigues, com o vigor da nova safra entre os meses de abril e maio, e a atual queda na demanda, os preços do álcool devem baixar. “Não dá para afirmar quanto vai custar o litro do álcool, mas já dá para adiantar que no início da safra existe uma baixa nos preços”, afirma. “Com todas as usinas produzindo, diminuem os custos de logística, que colocam os preços lá em cima quando apenas São Paulo, por exemplo, vende”, explica.

Fraudes e adulterações

Com os combustíveis flex fuel ocupando grande parte da produção nacional – na Volkswagen, por exemplo, eles já correspondem a 99% -, uma outra preocupação toma conta: como perceber se o combustível foi adulterado ou não?

De acordo com a lei, a gasolina permite uma mistura de 20% a 25% de álcool anidro, mais do que isso prejudicaria a performance do carro. Mas se os carros flex aceitam, exatamente, que você escolha entre um ou outro combustível, ou até os dois, em proporções não definidas, como perceber se a gasolina está dentro dos padrões legais?

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Para João Alvarez Filho, gerente de desenvolvimento de motores da Volkswagen do Brasil, a situação vai pedir uma fiscalização mais rigorosa por parte das autoridades responsáveis e uma atenção especial do cliente.

“O carro vai funcionar normalmente, já que permite essa mistura. Fica a cargo do proprietário avaliar o consumo do veículo”, explica Alvarez Filho, frisando que o consumo do álcool é maior que o de gasolina.

Os números dos bicombustíveis

Na onda bicombustível, que comemora três anos de lançamento do Brasil, a liberdade de escolha é um fator que atrai ainda mais o consumidor e faz crescer a produção desses veículos nas montadoras nacionais.

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Desde 2003, as vendas da indústria nacional de veículos flex já alcançaram 1.429.640 unidades até fevereiro de 2006. De acordo com dados do Renavam, a Volkswagen, pioneira da tecnologia no País, lidera a lista com 35,5% das vendas do período. Fiat e GM aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente, com 30,5% e 24,4% de participação.

Entre os modelos mais vendidos, o Gol, da Volkswagen, aparece em primeiro lugar, com 16,3% da vendas, seguido pelo Fox, da mesma montadora, com 12,7%. Palio e Uno, da Fiat, aparecem em terceiro e quarto lugares, com 10,7% e 7,6% de participação. Na quinta posição do ranking Renavan aparece o Celta, da GM, com 5,5%.