Bancos repassam rápido alta da Selic ao consumidor; queda é mais analisada

Técnica do Procon-SP diz que tendência é percebida no histórico da pesquisa mensal de juros feita pela entidade desde 1995

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SÃO PAULO – Elevações na Selic são repassadas pelos bancos rapidamente às suas taxas de juros ao consumidor. No entanto, quando existe uma queda, a questão é mais analisada. A conclusão é da técnica da Fundação Procon de São Paulo, Cristina Rafael Martinussi.

“Nós percebemos essa tendência de que, quando há uma alta na Selic, os bancos aumentam de forma mais rápida e percebida. Já uma queda, o banco vai analisar mais. Isso a gente verifica com a pesquisa mensal de juros bancários, que fazemos desde 1995”, afirmou a técnica.

De acordo com ela, além da política monetária nacional e o mercado externo, os bancos analisam o público para o qual trabalham na hora de repercutir as movimentações da Selic nas taxas de juros cobradas do consumidor.

“Depende da carteira do banco. Em abril, no empréstimo pessoal, seis deles reduziram as taxas. No cheque especial, foram oito bancos”, disse Cristina, em referência ao fato de não haver uma regra para alterações nas taxas, o que depende da política de cada instituição financeira.

Espaço para queda

Os juros ao consumidor do cheque especial e do empréstimo pessoal caíram pela quarta vez em abril, mas, conforme disse Cristina, ainda há espaço para mais quedas, se o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduzir a Selic.

“Se realmente continuar a mesma política do Copom, os bancos vão reduzir os juros ao consumidor final. Mesmo com essas quedas, há muito espaço para os juros caírem”. A técnica se referia ao fato de que as menores taxas já registradas foram de 4,22%, no empréstimo pessoal, em janeiro de 2001, e de 7,99%, no cheque especial, em agosto e novembro de 2004. Hoje, essas taxas estão em 5,74% e 9,03%, respectivamente.

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Ela explicou que as taxas de juros da pesquisa refletem o movimento das demais cobradas no mercado e confirmou que o Brasil possui cobranças maiores do que no restante do mundo.

Comportamento

Em relação ao comportamento do consumidor, o que Cristina disse é que eles não devem se iludir com as taxas mais baixas, já que o mercado ainda continua com juros em patamares altos e desfavoráveis.

“Para o consumidor, nem o patamar nem o momento são para tomar empréstimo. Só se for em caso de muita necessidade, como para a saúde. Do contrário, tem de evitar, até porque, com a crise, o consumidor fica muito vulnerável às situações do mercado”, disse.