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SÃO PAULO – A constatação não chega a surpreender ao consumidor que tem conta aberta em banco, e que pode facilmente verificar o aumento das taxas cobradas pelos bancos na prestação de serviços. Antes do plano Real, quando a inflação ainda não estava sob controle, os bancos ganhavam muito dinheiro com floating do dinheiro no sistema.
Com os juros a níveis excessivamente elevados, bastava o dinheiro demorar um pouco mais parado na conta, ou um cheque demorar para ser compensado, que os bancos acabavam ganhando dinheiro com isto, pois o dinheiro ficava em suas contas e eles aplicavam em títulos federais ganhando por dia, o que você hoje recebe ao mês para deixar seu dinheiro em um fundo DI.
Receita de serviços e empréstimos
Desde então, com o controle da inflação os bancos foram obrigados a rever sua estratégia, buscando obter outras formas de receita para compensar as perdas com floating. Uma das alternativas encontradas foi expandir a carteira de empréstimos, uma vez que diante do aumento do poder aquisitivo da população, muitas pessoas passaram a buscar financiamentos para realizar antigos sonhos de consumo.
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Diante desta procura os bancos aumentaram a oferta de crédito, mas logo perceberam que, apesar do bom retorno, a inadimplência nos empréstimos ao consumidor era bastante elevada, o que acabava comprometendo o retorno sobre o capital emprestado. Exatamente por isto as receitas com serviços acabaram sendo o principal foco de atenção dos bancos, que viam nesta fonte de receitas uma forma sem risco de compensar as perdas com receita de floating.
Serviços já respondem por quase 15% das receitas
Este esforço parece ter compensado, uma vez que de acordo com estudo da ABM Consulting, as receitas de serviço passaram de 6,73% das receitas totais dos bancos em 1994, para cerca de 14,39% no final de 2001. Tendência que se mantém neste ano de 2002, como ilustra o aumento de 12% na receita de serviços consolidada do Banco do Brasil, Itaú e Unibanco no primeiro trimestre de 2002 frente ao mesmo período em 2001. Com isto, a participação das receitas de serviço nas receitas totais destes bancos subiu para 19,1% em março de 2002.
Dentre os serviços incluídos em prestação de serviços estão: a cobrança de tarifas sobre a movimentação em conta corrente, taxas de administração de fundos de investimento, operações de crédito, cobranças, cartões de crédito, arrecadações e tarifas interbancárias. Vale ressaltar que mais recentemente os bancos começaram a investir no desenvolvimento de novos sistemas que permitissem uma melhora nas relações com clientes. A popularização da internet, em meados de 95, praticamente triplicou o número de serviços bancários.
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Consumidores pagam mais caro
O grande problema é que nesta situação o mais prejudicado acabou sendo o consumidor, que não percebe uma melhora substancial nos serviços prestados, mas certamente sente no seu bolso o custo destes serviços. Na opinião do diretor de
Política Monetária do Banco Central, Luís Fernando Figueiredo, a introdução da nova TED (Transação Eletrônica Disponível), no último dia 22 de abril, deveria permitir uma redução nas tarifas cobradas por alguns serviços. Contudo, os bancos não compartilham da mesma opinião.
Segundo a superintendente dos serviços de captação da Caixa Econômica, Celina Lopes, a redução das tarifas para os consumidores deve demorar a acontecer, principalmente porque os bancos foram obrigados a investir pesado em tecnologia, para se adaptarem ao novo SPB. Desse modo, os consumidores continuarão sofrendo com as elevadas tarifas cobradas pelos bancos.
Na opinião de Celina, as operações de crédito continuam sendo responsáveis por grande parte da receita total dos bancos. Contudo, a receita de serviços cresce cada vez mais rápido em relação a demais receitas. Celina recomenda aos correntistas, que antes de escolherem a instituição financeira, verifiquem as tarifas e os serviços disponíveis. Muitas vezes, o banco cobra serviços que não são necessários para o correntista.