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SÃO PAULO – Se você está pensando em comprar um carro, tem um bom motivo para comemorar. O Banco Central anunciou que algumas regras dos consórcios irão mudar, e essas mudanças visam beneficiar o consorciado, garantindo maior transparência e segurança ao setor.
Atrativo do consórcio são custos
O grande atrativo de um consórcio é que você pode ter acesso ao seu carro sem ter que gastar tanto com os juros de financiamento, que atualmente estão em cerca de 3% ao ano. Como o prazo de financiamento é de cerca 24 meses, dependendo do percentual que você financiar do carro os gastos com juros podem sendo suficientes para comprar quase outro carro.
Já no consórcio você não paga juros, mas em contrapartida paga uma taxa de administração anual que varia entre 12-15% e embutida no valor das prestações. Contudo, como o prazo médio de duração de um consórcio é de 60 meses, as pessoas contempladas no início são beneficiadas frente aos demais participantes.
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Contemplados no final são prejudicados
Enquanto os participantes contemplados no final do consórcio acabam sendo prejudicados, pois ao invés de pagar as prestações do consórcio poderia aplicar este dinheiro no mercado financeiro e passado os 60 meses comprar o carro à vista com desconto. Mesmo se a compra à vista não for possível a pessoa poderia financiar o carro, mas como a parcela financiada seria menor, já que você investiu durante vários meses os gastos com juros também cairiam significativamente.
Novas regras aumentam segurança do setor
Preocupado com esta situação o Banco Central anunciou nesta sexta-feira (01/02) novas regras para os consórcios. As mudanças têm como objetivo aumentar a segurança do setor, já que em alguns casos basta que alguns consorciados fiquem inadimplentes que a saúde financeira de todo o grupo fica comprometida. Abaixo listamos as principais mudanças anunciadas pelo BC:
- Seguro pode ser pago com excedente da carta de crédito
Atualmente, mesmo que a carta de crédito recebida pelo consorciado, que de fato lhe garante os recursos para a compra do automóvel, tenha um valor maior que o custo do automóvel, a diferença só podia ser utilizada para amortizar as prestações. Com as mudanças o consorciado agora pode usar até 10% do valor da carta de crédito no pagamento de despesas com seguro, cartório, taxa do Detran, entre outros.
- Contemplação pode ser suspensa
- Mudança de consorciado deve ser informada
Caso o consorciado não apresente garantias de pagamento, a contemplação pode ser cancelada, a fim de evitar que todo o grupo seja prejudicado.
Se o bem for transferido para terceiros, o consorciado é obrigado a informar a administradora do consórcio através de documentos, o nome da pessoa que receberá o prêmio e as condições de pagamento. Essa medida visa evitar os constantes problemas que ocorrem na entrega do prêmio quando ocorre troca dos consorciados.
Cuidados a serem tomados ao entrar em um consórcio
Antes de entrar em um consórcio, existem alguns itens importantes que devem ser observados, como, por exemplo, a credibilidade da empresa administradora. Veja se a empresa está autorizada pelo Banco Central a atuar no setor, e verifique se não existem reclamações contra ela nos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon. Fique também atento ao contrato, especialmente no que diz respeito às prestações e às taxas de adesão e fundos de reserva.
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Antes de optar pelo consórcio, compare os custos com os de uma poupança programada, pois em alguns casos esta opção permite que você compre o bem mais rapidamente sem ter que arcar com os gastos de taxa de administração e de adesão do consórcio.
Lembre-se que se você desistir do consórcio, é possível receber o dinheiro de volta, mas para isso você terá de esperar até o encerramento do grupo, isto é, até que todos participantes tenham recebido seus bens. Não há obrigação de devolução dos custos relacionados à taxa de adesão, ficando a decisão a cargo da administradora do consórcio.