Aumento da renda e maior número de museus atraíram mais visitantes em 2010

No ano passado, 80 milhões de brasileiros passaram pelos museus. Em 2003, esse número ficou em apenas 15 milhões

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SÃO PAULO – Nesta quarta-feira (18) é comemorado o Dia Internacional do Museu e, no Brasil, há motivos para comemorar a data. Afinal, o aumento no número de museus, aliado ao incremento do poder aquisitivo de uma ampla parcela da população, resultou em mais pessoas visitarem esses espaços em 2010.

Conforme publicado pela Agência Brasil, as visitas anuais passaram de 15 milhões, em 2003, para cerca de 80 milhões, no ano passado, segundo dados divulgados pelo presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), José do Nascimento Júnior.

Porém, apesar desse aumento significativo, ainda há muito a fazer para levar o museu até o gosto do brasileiro. Segundo o Cadastro Nacional de Museus, apenas 21% das cidades brasileiras – 1.172 dos 5.564 municípios – contam ao menos com um museu.

Outro dado significativo aponta que, dos 3.025 museus existentes, 1.151 funcionam na região Sudeste e 878, na Sul. Isso representa 67% do total.

Expansão para outros centros
Esses números ajudam a entender a pouca familiaridade de muitos brasileiros com esses espaços. Por isso, ampliar a quantidade de museus nas regiões Norte e Centro-Oeste, descentralizando o acesso a esse tipo de instituição, é o grande desafio do Brasil nos próximos anos, acredita Nascimento.

A meta do governo é fazer com que pelo menos 50% das cidades brasileiras tenham um museu, até 2020. “Ainda temos um deficit de investimentos na área”, aponta o presidente. “O próprio Plano Nacional de Museus, aprovado em 2010, aponta a necessidade de ampliarmos para 6% o orçamento do Ministério da Cultura destinado aos museus, que hoje é de 2,5%”.

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Novo conceito de museu
Os museus brasileiros são espaços públicos ou privados, de diferentes tamanhos, instalados em grandes metrópoles ou pequenas comunidades e que, juntos, geram mais de 22 mil empregos diretos.

Segundo Nascimento, esses espaços têm conseguido atrair um novo público, graças à ampliação do conceito de museu. “Se antes ele era sinônimo de coisas velhas, hoje, além de um prédio com um acervo, ele é visto como uma ferramenta social de afirmação da identidade [comunitária]”, destaca.

Ele lembra que muitas comunidades que desejavam preservar sua memória e divulgar sua identidade hoje fazem isso através dos museus locais, como os que foram inaugurados em morros cariocas.

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Os museus e a Copa do Mundo
Outro ponto tratado pelo presidente do Ibram foi o investimento em museus para as 12 cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo, em 2014. Segundo ele, o Brasil precisará investir ao menos R$ 500 milhões para receber os turistas.

Afinal, pesquisas indicam que cada pessoa que viaja para assistir ao campeonato mundial costuma estar acompanhada por outras duas, cujo interesse maior é conhecer melhor a cidade e o país. “Esse, portanto, é o momento de mostrarmos o Brasil a estas pessoas e os museus são a principal vitrine para isso”, afirmou. “Isso é um importante legado cultural que restará do evento e que nos qualificará como destino turístico”.

O Brasil já tem acervos e equipamentos de qualidade reconhecidos internacionalmente, explica Nascimento, mas em uma ocasião como a Copa do Mundo, que deve atrair 3,5 milhões de turistas, é necessário aprimorar o acervo permanente de todos os museus, capacitar funcionários e aprimorar os espaços de exposição e os acessos.