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SÃO PAULO – O chocolate vai virar produto de luxo, adverte a Mars Inc e a Barry Callebaut, as duas maiores produtoras de chocolate do mundo, conforme noticiado pelo Washington Post. Isso por conta da excessiva demanda pelo produto, que pode gerar um futuro potencial desastroso para quem gosta do doce, levando a uma escassez generalizada.
O mundo está sofrendo, pela 1ª vez em 50 anos, um “déficit” de chocolate – já que os fazendeiros estão produzindo menos cacau por ano do que o mundo consome, fazendo com que as empresas recorram a estoques. E o pior: esse déficit só vai crescer, com as duas empresas estimando um déficit de 1 milhão de toneladas métricas em 2020, 14 vezes o déficit de 2013. E em 2030, esse déficit deverá ser de 2 milhões de toneladas métricas.
Um dos problemas é a produção de cacau, que caiu de 30% a 40% nos últimos anos, por conta de um novo fungo surgido na África ocidental, onde 70% do cacau mundial é produzido, principalmente na Costa do Marfim e Gana. Além disso, o surgimento do atual surto de ebola também prejudicou a produção na região, embora não afete os dois principais produtores.
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Principalmente por conta deste novo fungo os fazendeiros começaram a produzir outros alimentos que no momento são mais lucrativos, como o milho. Essa escassez fez com que o preço atual do cacau subisse 10% em 2014, depois de já subir 20% em 2013. Em alguns países, isso já se fez notar nos preços dos chocolates.
O gigante acordou
A queda da oferta encontra a alta da demanda. Primeiro por conta da China, que compra cada vez mais chocolate, mas o consumo per capita ainda é 5% do que um europeu consome. Segundo, pelo aumento de popularidade do chocolate preto, que contém mais cacau que os chocolates tradicionais. Uma barra deste tipo de iguaria contem 70% de cacau, contra 10% de uma barra convencional.
A esperança reside na recuperação da produção. Além de tentativas de eliminar o fungo problemático, um grupo de pesquisa desenvolveu uma árvore de cacau que produz sete vezes mais grãos do que as tradicionais. Porém, essa melhoria pode comprometer o gosto do chocolate, como já ocorreu com produtos que passaram por processos similares, como tomates e morangos.