Apps Android podem estar monitorando atividades de crianças nos EUA

Entre os tipos de informações acessadas, 256 apps coletaram dados de geolocalização 

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SÃO PAULO – Uma equipe de pesquisadores da empresa Walter de Gruyter concluiu em um estudo que cerca de 3.330 aplicativos da Google Play, loja de app do gigante das buscas, podem estar monitorando atividades online de crianças residentes nos EUA.

Segundo o estudo, dos 5.855 aplicativos disponíveis no programa a “Feito para família” que oferece apps destinados ao público infantil, 28% deles acessaram “dados sensíveis protegidos pelas permissões do Android” e 73% dos aplicativos “transmitiram dados sensíveis pela internet”.

Entre os tipos de informações acessadas, 256 apps coletaram dados de geolocalização, 107 compartilharam o e-mail do dono do aparelho e 10 compartilharam o número do telefone. O estudo ressalta que nenhum dos aplicativos apresenta “consentimento verificável dos pais”, conforme a lei nos EUA exige.

No entanto, a pesquisa diz que esses dados coletados pelos apps Android não violam o COPPA (Children’s Online Privacy Protection Act), lei dos EUA que restringe coleta de dados de crianças com menos de 13 anos.

O estudo destaca outros problemas como os 1.100 apps que compartilharam informações de identificação para fins restritos, cerca de 40% dos aplicativos transmitiram informações sem usar “medidas de segurança razoáveis”, e 92% dos 1.280 aplicativos com conexões com o Facebook não estavam usando corretamente os sinalizadores de código da rede social para limitar o uso de crianças com menos de 13 anos.

Os pesquisadores estão convencidos de que os apps Android não estão mostrando “responsabilidade legal” com a coleta desses dados. “Esses aplicativos podem estar entrando em conflito com a lei, mas cabe aos órgãos reguladores do país decidir se realmente estão”, diz o relatório. Sem dados do iOS, não fica claro se esse problema é comum entre as plataformas.

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Seja qual for a resposta, as descobertas ilustram os desafios que o Google e as autoridades enfrentam ao impor as leis de privacidade voltadas para crianças. “Não é tão simples quanto realizar uma verificação de idade ou pedir permissão aos pais. Há toda uma gama de preocupações de compartilhamento de dados que precisam ser abordadas, e os desenvolvedores podem não estar cientes disso – especialmente para aplicativos nos quais as crianças não são o único foco”, diz o estudo.

Como a ferramenta utilizada pelo estudo é automatizada, é ressaltado que ainda pode ser necessária a verificação manual de alguns aplicativos antes de removê-los ou envolver a lei.

O InfoMoney tentou contatar o Google, mas até o momento da publicação desta matéria não obteve uma resposta. 

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Giovanna Sutto
Minhas Finanças | Economia

Responsável pelas estratégias de distribuição de conteúdo no site. Jornalista com 7 anos de experiência em diversas coberturas como finanças pessoais, meios de pagamentos, economia e carreira.