Publicidade
A Apple revelou nesta segunda-feira uma nova versão da assistente digital Siri equipada com inteligência artificial e capaz de analisar o que aparece na tela do dispositivo e buscar mais informações na internet.
Chamado de “Siri AI”, o software também terá seu próprio aplicativo dedicado, informou a Apple durante a Conferência Mundial de Desenvolvedores (WWDC) da empresa, realizada na sede da companhia em Cupertino, Califórnia.
A Siri AI possui o que a Apple chama de “amplo conhecimento do mundo”, o que permite apresentar ao usuário mais detalhes da internet em resposta a uma consulta.
Estude no exterior
Faça um upgrade na carreira!
Os usuários também poderão consultar uma conversa anterior com a Siri e a assistente será capaz de encontrar informações como o endereço de um amigo enviado em uma mensagem, mesmo que essa informação não tenha sido formalmente salva, disseram executivos da Apple.
“Uma IA verdadeiramente útil deve estar centrada em você e nas suas necessidades”, disse Craig Federighi, chefe de software da Apple. “Isso significa integrar a IA profundamente aos produtos que você usa todos os dias, fundamentando-a no seu contexto pessoal e nos aplicativos dos quais você depende, e projetando-a com privacidade em cada etapa. Essa é a nossa visão para a Apple Intelligence.”
O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, disse que a WWDC deste ano terá como foco a Apple Intelligence e a Siri.
Continua depois da publicidade
“A IA é uma tecnologia incrivelmente poderosa, com potencial para moldar a sociedade de maneiras profundas e, com o devido cuidado, trazer benefícios significativos para pessoas em todos os lugares. Ainda assim, alguns parecem estar correndo à frente, aparentemente buscando a IA apenas pela IA, sem uma consideração clara pelas pessoas”, disse Federighi.
O novo sistema operacional iOS 27 da Apple será compatível com os modelos do iPhone 11, informou a empresa, acrescentando que a próxima versão do MacOS se chamará “Golden Gate”.
Desafio de IA da Apple
A Apple vem buscando diminuir a diferença em relação a rivais como Microsoft e Google, da Alphabet, que avançaram mais rapidamente na incorporação de ‘agentes’ de IA — software capaz de realizar tarefas complexas — à computação cotidiana.
A questão é até onde a Apple está disposta a ir. A empresa há muito mantém um controle rígido sobre seu software e os dados dos usuários, e tem adotado uma abordagem cautelosa em relação à IA, apoiando-se em parte em parcerias, incluindo com os modelos Gemini, do Google, para impulsionar novos recursos.
Essa cautela contrasta com os concorrentes que apostam em agentes de IA que podem, eventualmente, substituir os aplicativos tradicionais e remodelar a forma como as pessoas usam seus dispositivos. Rivais como a Microsoft têm sugerido um futuro em que “agentes” de IA substituirão os sistemas operacionais e aplicativos tradicionais, e a Nvidia está trabalhando com fabricantes de PCs para oferecer laptops que competem diretamente com os próprios MacBooks de ponta da Apple.
“Os agentes são fundamentais, pois podem se tornar o principal ponto de contato na forma como os consumidores interagem com seus dispositivos”, disse Tarun Pathak, diretor de pesquisa da Counterpoint Research. “A era da IA agêntica pode se desenrolar de maneira muito diferente do que imaginamos, mas é um risco grande demais para deixar passar, e a Apple precisa agir rapidamente.”
Continua depois da publicidade
Estratégia da Apple
A abordagem mais cautelosa da Apple, no entanto, fez com que a empresa evitasse até agora os investimentos maciços em centrais de processamento de dados observados nos concorrentes. Mas agora a companhia pode estar mudando de rumo, com o diretor financeiro, Kevan Parekh, afirmando na última teleconferência sobre resultados da Apple que a empresa encerrará a antiga meta de devolver o caixa excedente diretamente aos acionistas, sinalizando espaço para maiores investimentos.
Mas, na corrida pela IA, a Apple possui algo que poucos de seus concorrentes têm: chips potentes em muitos de seus telefones e laptops que podem executar agentes de IA gratuitamente, pois os consumidores já pagaram pelo poder de computação ao comprar o dispositivo. A Apple também possui um enorme acervo de dados pessoais armazenados nos iPhones.
