Apesar da queda do querosene, passagem aérea não deve baixar

Gol anunciou que estará reajustando tarifas em 4,8%, decisão pode ser seguida por outras empresas

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SÃO PAULO – A pressão das companhias aéreas sobre a Petrobras com relação ao fato de que o reajuste do preço do querosene de avião durante este ano teria sido excessivo, prejudicando a rentabilidade do setor, acabou funcionando, mas o consumidor não deve se beneficiar.

No início do mês passado, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) entrou com representação contra a Petrobras na Secretária de Direito Econômico (SDE), alegando que a estatal teria adotado aumentos abusivos. Em decorrência, a petrolífera anunciou no final da semana passada que o preço do querosene de aviação seria reduzido em 14,4% a partir de dezembro.

Novos reajustes são esperados

Apesar do dólar ter se estabilizado desde o último aumento das tarifas aéreas, no início de novembro, e da redução do preço do querosene que responde por 25% dos custos das companhias, algumas já anunciaram um novo reajuste de tarifas.

Este foi o caso da Gol, por exemplo, que anunciou no início da semana um aumento de 4,8% nas tarifas, o que exclui a ponte aérea Rio – São Paulo. A decisão deve ser seguida por outras empresas, que devem optar pelo aumento das tarifas nesta época de alta estação, quando a procura por passagens aéreas aumenta, para compensar as perdas acumuladas no ano com a alta do dólar.

A TAM, por exemplo, informou que os aumentos que aconteceram até agora não foram suficientes para compensar as perdas acumuladas no ano. Desta forma, a companhia não pretende baixar os preços devido ao reajuste do querosene. Outra companhia que descartou a hipótese de baixar os preços foi a Vasp, podendo inclusive optar por um aumento.
Segundo informações do Snea, o preço do querosene de avião subiu 137% entre janeiro e novembro deste ano, de forma que com a redução de 14,4% de dezembro, o reajuste acumulado no ano ficou em 107%. As companhias confirmam que estão enfrentando dificuldades para repassar estes aumentos aos consumidores, que diante da perda de poder aquisitivo com a inflação, acabam optando por não viajar.