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SÃO PAULO – A afirmação surpreende especialmente diante do bombardeio tecnológico que vivenciamos todos os dias nas grandes cidades do país, mas foi constatada recentemente em um estudo elaborado pela Associação Latino Americana de Integração (Aladi), cuja sede é em Montevidéu, no Uruguai.
O objetivo do estudo, segundo a Aladi, é chamar a atenção dos governos latino-americanos para o problema da exclusão digital, ao ressaltar em que várias regiões do mundo a população simplesmente não tem acesso à informação.
Metade da população não tem acesso regular à telefone
Mas segundo o estudo da Aladi cerca de metade da população mundial efetivamente não tem o que se chama de acesso regular a uma linha de telefonia fixa. Ainda mais surpreendente é a constatação de que cerca de dois bilhões de pessoas em todo o mundo nunca fizeram uma ligação telefônica na vida, e vivem em um mundo onde TV a cabo, satélites e internet não fazem parte do seu dia-a-dia.
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Em contrapartida, cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo se conectam diariamente à internet. O estudo confirma o conceito chamado exclusão digital, e divide a população mundial em dois grupos bastante distintos: aqueles que têm acesso às novas tecnologias de comunicações e aqueles que estão excluídos dos avanços tecnológicos conquistados nas últimas décadas.
Conscientização sobre exclusão digital
Através desta constatação, a Aladi espera conseguir maior conscientização dos governos para o problema na tentativa de evitar que o futuro de parte da população da região fique comprometido devido à falta de informação.
Ao contrário do que se imagina, a Aladi afirma que as diferenças de acesso à tecnologia não existem apenas entre países ricos e pobres, mas também são constatadas dentro da própria América Latina.
Disparidades regionais são enormes
Dados da União Internacional de Telecomunicações dão conta de que em 2002 no Brasil de cada 100 brasileiros 42,2 tinham acesso a linhas telefônicas de forma regular. Em contrapartida, na Bolívia, país vizinho ao nosso, de cada 100 habitantes somente 17 tinham acesso a telefone fixo.
A situação é ainda mais grave em outras regiões como o Haiti, onde em cada 100 habitantes a média de pessoas com acesso à telefonia fixa é de apenas 3,3. Na América Latina um dos índices mais altos foi constatado no Chile, onde 65 habitantes de cada 100 possuem acesso a este tipo de tecnologia.
A título de ilustração vale ressaltar que nos EUA a relação é inversa, com uma média de 1,14 linha por habitante, ou seja, de cada 100 habitantes o total de linhas telefônicas é de 114.