Apenas 10% dos 14 milhões de usuários no Brasil compram pela internet

Percentual é bastante baixo quando comparado com outros países, como EUA, onde 60% dos usuários realizam compras on-line

Publicidade

SÃO PAULO – Mesmo com as turbulências no cenário econômico no ano passado e a da trajetória descendente do poder aquisitivo das famílias brasileiras, as vendas on-line cresceram 50% para R$ 900 milhões frente aos R$ 600 milhões apurados no ano anterior.

10% dos usuários compram pela internet

Contudo, mesmo com o aumento no volume de vendas, o número de consumidores virtuais ainda permanece num patamar bastante baixo. Atualmente, existe 1,4 milhão de e-consumidores, o que representa um incremento de 69%. Contudo, esse número responde por apenas 10% da base de internautas no país. Apenas no período entre 2001 e 2002, a internet recebeu cerca de 2 milhões de novos usuários.

Esses dados fazem parte do estudo do instituto e-bit, que contou com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net). O levantamento foi feito com base em 400 mil relatórios e mostra que apesar desse forte incremento nas vendas on-line, o mercado brasileiro ainda possui elevado potencial de crescimento.

Considerando que cada conta de internet possui mais de um usuário, a base de internautas pode chegar a 25 milhões de pessoas. Nesse sentido, a taxa de adesão ao e-commerce ficaria ainda mais baixa, já que em países desenvolvidos como os EUA, existem em torno de 170 milhões de internautas, dos quais 50% a 60% já realizaram compras pela internet.

Clientes estão dispostos a gastar

O estudo também revela que a maior parte dos consumidores virtuais pertence às classes A e B, sendo que desse contingente 61% são homens e apenas 39% são mulheres. Além disso, a maioria possui nível superior completo ou pós-graduação e está disposta a gastar, como ilustra o forte crescimento de 15% no valor do tíquete médio das compras on-line, que atingiu R$ 230 no ano passado.

As compras on-line se concentram principalmente em produtos com maior valor agregado, como aparelhos eletroeletrônicos. Também existe uma elevada procura por livros, presentes e CDs. Comparado com as lojas físicas, um tíquete médio de R$ 230 pode ser considerado um valor bastante elevado.

Continua depois da publicidade

Cartão de crédito responde por 85% das compras

Outro detalhe interessante da pesquisa se refere aos meios de pagamentos utilizados nas compras on-line. Em 2000, cerca de 60% das compras eram efetuadas através de cartão de crédito, percentual que saltou para 85% em 2003, quando as lojas virtuais passaram a formar parcerias com as administradoras de cartão.

Com essa parceria, os sistemas de segurança contra fraudes bancárias passaram a ser mais eficientes, evitando clonagens e compras indevidas, transmitindo maior segurança e credibilidade aos consumidores virtuais. Além disso, muitas lojas passaram a oferecer promoções especiais para os usuários de cartão de crédito.

Vendas devem crescer 40% em 2003

O instituto revelou que a cada mês 12% dos entrevistados respondiam que haviam comprado pela primeira vez. As estimativas indicam que o comércio eletrônico deve crescer cerca de 40% em 2003 para algo em torno de R$ 1,2 bilhão. Se considerarmos as vendas de passagens aéreas, automóveis e leilões, as vendas devem chegar a R$ 2,5 milhões.

Continua depois da publicidade

Entretanto, a demanda não deve crescer significativamente, enquanto a classe C permanecer fora do comércio eletrônico. Entretanto, esse acesso deverá ocorrer efetivamente apenas daqui a três a cinco anos, quando a internet se popularizar e os preços dos computadores estiverem mais baratos.