Aluguel: saiba argumentar um reajuste mais justo para o seu contrato

Reajuste previsto nos contratos em geral segue IGP-M, mas há muitos casos em que os aumentos são elevadíssimos

Publicidade

SÃO PAULO – O seu contrato de aluguel está prestes a vencer e o reajuste da mensalidade será inevitável. Mas até que ponto é necessário realmente arcar com o aumento sem dizer nada?

É claro que você assinou um documento e simplesmente não tem como deixar de pagar o aluguel da sua casa. Porém, você tem direito de exercitar o seu poder de negociação, utilizando argumentos convincentes para que o proprietário do imóvel “alivie” o seu bolso.

Dados de mercado

Dados divulgados em dezembro pelo Sindicato da Habitação de São Paulo – Secovi SP – apontam para um reajuste da ordem de 4% no valor dos aluguéis residenciais na cidade de São Paulo nos últimos 12 meses. Contudo, quando analisamos a variação acumulada do IGP-M nos últimos 12 meses, o que se constata é que ela foi negativa, de 0,32%. Vale notar que o IGP-M é o índice de reajuste mais utilizado nos contratos de locação.

Estude no exterior

Faça um upgrade na carreira!

Esta situação é extremamente desfavorável para o inquilino, que não está satisfeito com o imóvel que está alugando e pensava em trocar de propriedade: já que o aluguel de imóveis semelhantes provavelmente será superior à renovação do seu contrato atual.

Exemplo prático

Imagine uma situação na qual um inquilino alugou um imóvel há um ano atrás, em junho de 2005, a um valor de R$ 500,00. Nesse caso, assumindo que o seu contrato se baseasse na variação do IGP-M, o valor do seu aluguel teria caído para R$ 498,40, ou seja, uma variação negativa de 0,32%.

Porém, caso não esteja satisfeito com o imóvel onde mora, e estivesse interessado em alugar outra propriedade semelhante no mercado, é provável que o valor do aluguel do novo imóvel fosse maior: de R$ 520, o que assume uma variação apontada na pesquisa Secovi.

Continua depois da publicidade

Caso o seu proprietário tente negociar um aumento maior do que o previsto em contrato, alegando que o preço do aluguel está defasado frente ao do mercado, não se intimide. Não só você está amparado pelo seu contrato, como também a diferença de preço pode não valer a pena para o proprietário, sobretudo, se você é um inquilino pontual.

Custo de trocar de inquilino

Outro risco importante para o proprietário é o de vacância, ou seja, de não conseguir alugar o imóvel rapidamente. Assim, antes de começar a discutir o reajuste com o seu proprietário faça as contas do quanto custará para ele procurar um novo inquilino.

m geral o tempo médio de espera para se conseguir alugar um imóvel é de 45 dias, mas pode ser ainda maior, dependendo do estado em que se encontra o imóvel. Como o proprietário terá que arcar com as taxas de condomínio e IPTU do imóvel enquanto estiver vago, você deve calcular este valor.

Vamos imaginar, no exemplo acima, que o imóvel fique sem alugar por 45 dias. Como o aluguel de um imóvel é estimado, em linhas gerais, pelo equivalente a 0,8% do valor do bem, isto significa que o imóvel em questão está avaliado em cerca de R$ 62.500.

Sobre os gastos a se considerar em relação ao apartamento, calcularemos uma alíquota de IPTU de 1% para a cidade de São Paulo, o que implicaria no imposto de R$ 625. Não esqueça de acrescer o valor do condomínio, que pode ser de R$ 200, por exemplo. Assim, em 45 dias, o proprietário gastará R$ 1.237,50!

Em contrapartida, se o aluguel subisse menos, ou se simplesmente não fosse reajustado – digamos que um bônus pelo tempo de adimplência, situação mais difícil, porém não impossível – o proprietário não ganharia tanto com o aluguel, mas ainda assim valeria mais a pena do que deixar o imóvel sem alugar por mais de um mês. Boa sorte!