Alta do dólar faz Banco Central elevar metas de inflação

Tarifas públicas e derivados do petróleo devem sofrer reajustes maiores que o previsto; porém, juros ao consumidor podem cair

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SÃO PAULO – Com a proximidade das férias, muitos devem estar assustados com a forte alta do dólar, que já acumula alta de cerca de 25% em 2002, e podem estar refazendo os planos de viagem, ou mesmo cancelando-os para esperar melhor oportunidade. Porém, a valorização da moeda norte-americana frente ao real prejudica também os consumidores na medida em que tende a elevar a inflação.
Nesse sentido, não só os produtos importados, como também alguns nacionais que utilizam matérias-primas ou qualquer componente proveniente do exterior devem ser reajustados, como é o caso do pãozinho francês, cujo preço deve ser elevado 11,76% em média.

Banco Central eleva projeções de inflação

O Banco Central, segundo dados contidos na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), elevou as projeções para reajustes das tarifas públicas e preços administrados, dentre eles os combustíveis, em função da alta do dólar. Assim, a autoridade monetária, que previa elevação de 7,6% até o final do ano no mês de maio, revisou para 8,1% as projeções para esses itens após a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em junho.
Já o preço dos serviços de eletricidade deve subir 19,4% até o final do ano, patamar também superior aos 18% previstos pelo BC no mês passado, também devido à depreciação cambial superior à esperada.

Derivados de petróleo também devem subir mais

O Banco Central também revisou para cima as projeções para a variação dos preços de derivados do petróleo até o final do ano. Nesse sentido, os preços da gasolina deverão cair apenas 4,5%, contra a projeção inicial de recuo da ordem de 6,6%. Finalmente, o gás de cozinha, que já foi reajustado em 21,5% desde janeiro, deve acumular variação positiva de 28% até o final do ano, acima da previsão inicial de 26,5%.
Devido à intensificação dos conflitos no Oriente Médio, o BC acredita que o preço do petróleo dificilmente cederá a patamares expressivos que justificassem a redução dos derivados da commodity.

Meta de inflação será revista

Porém, mesmo com a elevação das projeções de inflação, o consumidor pode não ser tão prejudicado. Isso porque o presidente Fernando Henrique autorizou a alteração das metas de inflação, que devem ser elevadas de 3,25% para 4,5% para 2003 e devem atingir 4% em 2004.

Depois do socorro do FMI (Fundo Monetário Internacional) ao Brasil, o Fundo exigiu o estabelecimento de metas de inflação como condição para o país receber os recursos da entidade. Porém, o BC não conseguiu cumpri-las em 2001 e, neste ano, as projeções indicavam que o mesmo poderia ocorrer novamente.

A preocupação com o controle da inflação tem evitado que o Banco Central tome uma postura mais agressiva no corte da taxa de juros básica da economia, a Selic, pois acredita que uma redução nos juros pode impulsionar o consumo, pressionando ainda mais as taxas de inflação. Desta forma, diante do aumento das metas de inflação, é possível que o BC opte por reduzir a Selic, o que permitiria uma redução dos juros ao consumidor.

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Projeções Anterior Atual
Tarifas Públicas 7,6% 8,1%
Gasolina -6,6% -4,5%
Gás de cozinha 26,5% 28%
Eletricidade 18% 19,4%

Fonte: Banco Central