Alta do crédito é mantida por comprometimento da renda, avalia Iedi

Pelo fato de os brasileiros terem de arcar com contas do fim de 2007 e do começo de 2008, recorreram a financiamentos

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SÃO PAULO – O crescimento superior a 20% da liberação de crédito ao consumidor durante o primeiro bimestre de 2008 é um reflexo do comprometimento da renda. Segundo análise feita pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), as compras feitas no fim do ano passado, assomadas aos gastos típicos de início de ano, como rematrículas escolares e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores), fizeram com que o consumidor tivesse que recorrer a financiamentos.

Analistas da entidade baseiam essa afirmação no fato de que as modalidades que mais tiveram avanço no volume de dinheiro concedido na média do período, frente a dezembro último, foram cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal, com taxas de, respectivamente, 14,3%, 7,6% e 6,8%.

Média diária

Apenas para se ter uma idéia, as concessões de crédito ao consumidor por meio de recursos livres atingiram R$ 48,222 bilhões no segundo mês de 2008, o que equivale a uma média diária de R$ 2,538 bilhões. Na comparação com janeiro (R$ 2,303 bilhões), em termos de média diária concedida, foi registrada alta de 10,2%. Já frente a fevereiro de 2007 (R$ 2,297 bilhões), houve 10,5% de aumento.

O volume liberado por meio do cheque especial respondeu pela maior parcela das concessões do mês. A modalidade foi responsável por 37,74% do geral. Veja a média diária concedida:

















Operação Janeiro 2008 Fevereiro 2008
Cheque especial R$ 850 mi R$ 958 mi
Crédito pessoal R$ 488 mi R$ 537 mi
Aquisição de veículos R$ 248 mi R$ 234 mi
Aquisição de outros bens R$ 67 mi R$ 68 mi
Cartão de crédito R$ 439 mi R$ 514 mi

Fonte: Banco Central

Veículos e outros

Na avaliação do Iedi, as modalidades de aquisição de bens (veículos e outros) tiveram taxas de crescimento de 1,9% e 0,1%, respectivamente, bem inferiores às demais modalidades e à média do segmento (4,3%).

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“A perda de ímpeto do crédito para aquisição de bens pode estar associada tanto à descapitalização das famílias nesse início do ano, como ao aumento do seu custo provocado pela incidência do IOF [Imposto sobre Operações Financeiras] a partir de janeiro”, explicou.

Àquele mês, o Governo aumentou o imposto para todas as operações nas quais ele incidia em 0,38 ponto percentual, além de dobrar a alíquota diária em operações feitas a pessoas físicas (de 0,0041% ao dia para 0,00082% ao dia). A medida veio para conter parte da perda da arrecadação que o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), extinta em dezembro de 2007, trará aos cofres públicos.