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SÃO PAULO – O aumento da taxa de juro básica da economia, a Selic, que desde setembro já subiu 1,75 ponto percentual e atualmente se encontra em 17,75% ao ano, começa a mostrar seus resultados. O alerta é do presidente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Guilherme Afif Domingos.
As vendas do comércio seguiram desaquecidas neste final de ano, sobretudo no que se refere aos bens duráveis, que incluem eletrodomésticos, carros e móveis, isto é, itens de maior valor agregado. Dados da ACSP indicam que as vendas a prazo caíram 3,2% em dezembro. Já as vendas à vista subiram para 8,7%, o que mostra a preferência do consumidor por semi-duráveis, que possuem preços menores.
Ano deverá fechar no azul, mas cenário preocupa
O saldo total no ano é positivo para o comércio, segundo Afif Domingos, mas este desempenho se deve mais ao crescimento do emprego do que à recuperação da renda do consumidor, que continua achatada. Indicadores como as consultas ao SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) e Usecheque devem fechar o ano em alta de 4,2%. Ele medem as intenções de compras a prazo e à vista, respectivamente.
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Afif Domingos lembrou ainda que, ao longo do ano, as vendas estiveram aquecidas por conta das taxas menores e prazos maiores, que favoreceram a compra de bens duráveis, mas “o efeito contracionista do aumento dos juros” refletiu no resultado insatisfatório do mês de dezembro.
Encomendas à indústria devem cair
Ainda de acordo com o presidente da ACSP, não irá levar muito tempo para que se possa detectar se o comércio de bens duráveis está com o estoque muito grande. Caso a resposta seja afirmativa, os pedidos à indústria tendem a diminuir consideravelmente nos próximos meses. “Por isso, um novo aumento dos juros é um grande risco para o crescimento sustentável”, ressaltou Domingos, alertando o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Além dos fatores mencionados, há ainda uma cautela maior do consumidor em gastar neste início de ano, lembrando que a maioria se preocupa em reservar uma parcela do seu rendimento para o custeio dos gastos típicos de início de ano, como IPTU, IPVA, material e matrícula escolar, cartão de crédito e férias.
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Carga tributária é entrave ao crescimento
Outro entrave ao crescimento, também citado por Afif Domingos, é a elevada carga tributária existente no País, que impede o seu desenvolvimento sustentável. Por esta razão, ele reafirma o compromisso da ACSP com o cidadão, no sentido de conscientizá-lo como pagador de impostos, através do Feirão do Imposto que tem realizado em diversas regiões do País. A intenção é informar aos consumidores quanto é pago em impostos sobre cada produto consumido no dia-a-dia.
O cadastro positivo de bons pagadores também está na pauta de discussão e deverá ser concluído em meados de janeiro para então seguir para votação no Congresso Nacional. O objetivo é oferecer taxas de juros menores para os consumidores incluídos no cadastro positivo, dado o menor risco apresentado.
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