Abras divulga queda de 1,78% nas vendas dos supermercados de setembro

Menor quantidade de dias úteis em setembro em relação a agosto e alta do IPCA influenciou vendas do mês

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SÃO PAULO – As vendas dos supermercados caíram no último mês de setembro. A informação é da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados), que divulgou uma queda de 1,78% nas vendas de setembro em relação às de agosto. Segundo a Abras a queda deve ser analisada com cuidado, já que setembro teve um número menor de dias úteis do que agosto.

A alta do índice IPCA em setembro, reflexo da forte valorização do dólar, também teve um impacto nas vendas do varejo no mês. Isso porque o IPCA é o índice utilizado para deflacionar as vendas, o que acabou reduzindo o saldo de vendas reais no mês.

Vendas cresceram em relação a 2001

No entanto, na comparação mês a mês, as vendas em setembro desse ano aumentaram 3% frente a setembro do ano passado. Entre os principais responsáveis por esse aumento, devemos destacar o pagamento dos expurgos do FGTS referente aos planos Verão e Collor I e as promoções realizadas pelas redes de supermercado.

Vale ressaltar também que a base comparativa fraca, já que em setembro do ano passado, a economia enfrentava um período turbulento, devido aos ataques terroristas nos EUA e a crise energética no Brasil.

Varejistas podem ter evitado queda maior

Apesar das distorções nas bases comparativas, não se pode negar que o consumidor está mais seletivo na hora de comprar. Não bastasse a incerteza com relação ao processo de sucessão presidencial, o aumento da inflação nos últimos meses tem preocupado o consumidor, que teme um impacto negativo no seu orçamento.

Na verdade a queda do poder aquisitivo só não foi maior, porque boa parte dos aumentos dos preços ao atacado não foi repassada ao consumidor. Em parte graças aos esforços dos próprios varejistas, que têm se recusado a repassar aumentos excessivos para os consumidores, muitas vezes optando pela troca de produtos nas prateleiras.

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Em outros casos, os varejistas têm adiado a renovação dos seus estoques, apostando que depois das eleições o dólar deve cair, e com ele o preço de alguns produtos. Esta atitude contribuiu para que os preços para o consumidor subissem menos do que aqueles para indústria, o que pode ter contribuído para uma queda menor das vendas.

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