Publicidade
SÃO PAULO – A Apple nunca vendeu um produto tão rápido quanto o fez com o iPhone 6 – foi o primeiro produto da empresa a vender mais que todos os aparelhos Android nos Estados Unidos nos últimos anos. Meses depois de seu lançamento, o produto continua estourando, sobretudo na China, onde é um grande sucesso.
Mesmo assim, a Apple não vê um céu de brigadeiro à sua frente. Já faz alguns anos que a empresa lançou seu último produto de sucesso, e concorrentes como Samsung e Motorola ganham espaço no mercado. Neste ano, o Apple Watch deverá começar a ser vendido, mas será que é o suficiente para a empresa?
Com isso em mente, Quentin Fottrell, colunista do MarketWatch, pensou nos problemas que a empresa passa no médio prazo – mas não vai falar para você consumidor. Veja 9 fatores ruins que a Apple não vai te contar:
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
1) “Estamos sem ideias”
Metade da receita da Apple vem do iPhone, o que deve garantir cerca de US$ 100 bilhões só em 2014. Isso gera um grande problema: a companhia depende fortemente do aparelho para seus resultados, e qualquer queda acentuada nas vendas pode gerar uma grande crise na empresa.
Faz anos que a empresa não cria nada realmente inovador. Nem mesmo o 1º iPhone foi completamente inovador – já existiam smartphones com touch screen desde 2002, só que eles não vendiam muito por serem caros e sem utilidades para o grande público. A Apple se esforça em criar produtos que deixam os consumidores ansiosos, mas isso tem sido cada vez mais raro.
O Apple Watch, por exemplo, não empolgou o mercado mais do que o Gear S da Samsung até agora. Em termos de inovação, o Google está na frente – tanto com produtos similares como o sistema operacional Android, os aparelhos Nexus e novos produtos. Além disso, há dúvidas se a única “possível inovação da Apple”, o seu carro, deverá vender bem ou não.
Continua depois da publicidade
2) “Nossos consumidores estão fadigados de mudanças”
Embora o iPhone 6 esteja vendendo muito bem, há uma tendência entre os atuais donos de iPhone de buscarem modelos mais antigos, ou permanecerem mais tempo com os seus atuais. Prova disso é o fator que tem impulsionado as vendas do iPhone 6: esse é o primeiro modelo vendido diretamente na China desde o lançamento.
Em outras palavras, são novos usuários que estão comprando o novo modelo, e não antigos usuários realizando update. Esse tipo de movimentação, conhecido como “consumer fatigue” é perigoso para a empresa, já que pode significar a queda brusca de clientes nos próximos anos, quando a base de possíveis compradores estiver se esgotado.
Enquanto a premisasa desejada pela empresa é que os clientes busquem as novidades assim que elas são lançadas, os usuários estão cada vez mais ficando com seus aparelhos por mais tempo. Por isso, a estratégia de preparar o sucessor assim que lançar um produto pode ser prejudicial – já que o numero de produtos é muito elevado. Desde 2001, já são 6 iPods, dois iPods minis, 7 iPods nano, 4 iPods shuffles, 5 iPods Touches. Seu principal produto, o iPhone, teve 8 versões desde 2007 e cinco gerações de iPads foram lançadas desde 2010.
Continua depois da publicidade
3) “A insegurança em nossos aparelhos está aumentando”
Enquanto o senso comum é de que os produtos da Apple sejam mais difíceis de hackear do que Windows e Androids, os ataques estão ficando cada vez mais frequentes – como evidenciado pelos vazamentos de fotos íntimas de milhares de celebridades no último mês e na última semana.
O problema, inclusive, foi no iCloud, o serviço de nuvem da empresa. Como já existia uma desconfiança sobre a nuvem, o vazamento prejudicou ainda mais.
Alguns especialistas em segurança avisaram que a Apple está anos atrás dos concorrentes em segurança. Embora a Apple negue responsabilidade, é mais comum encontrar produtos para elevar a segurança em aparelhos de linguagem comum (como Android e Windows) do que de linguagem fechada, como o iOS e Mac OS X.
Continua depois da publicidade
4) “O iPad é um problema”
Enquanto o iPhone vende cada vez mais, o iPad vende cada vez menos – caminhando na mesma direção que o iPod. A Apple faturou US$ 5,9 bilhões em iPads no último trimestre, uma queda de 9%. O iPhone cresceu 9% para US$ 19,7 bilhões (mais de metade das vendas).
O iMac vendeu US$ 5,5 bilhões e o iPod vendeu US$ 442 milhões. O mercado de tablets, de maneira geral, está com problemas. Enquanto celulares são trocados a cada 2 anos em média, a média dos tablets é de 4 anos. Os celulares, cada vez maiores, contribuem para comer essa parte expressiva do mercado.
5) “Você gasta mais com Apple do que com rivais”
Os produtos da Apple são mais caros que a maioria dos objetivos, mas há uma estatística interessante: os usuários americanos de iPhone gastaram US$ 93 em média no final do ano de 2013, mais que o dobro do que os que possuem aparelho com sistema operacional Android, de acordo com uma pesquisa da IBM. E isso se repete com usuários de iPad.
Continua depois da publicidade
Há uma teoria simples: como os produtos da Apple tendem a ser mais caros que a concorrência, seus usuários são pessoas com padrões de gastos mais elevados. E isso tende a se amplificar com o iPhone 6, que tem uma versão ainda mais cara e maior, o que é excelente para anunciantes e tende a impulsionar vendas. Não é coincidência que criar anúncios focados em usuários Apple é 33% mais caro do que usuários Android.
6) “Usamos uma forma de propaganda mais esperta”
A Apple é genial em uma coisa: vender seus produtos de uma forma que as pessoas ao seu redor entendam, o que impulsiona as vendas, mas não necessariamente os faz ter o melhor produto. Ao invés de usar uma linguagem de tecnologia comum entre suas concorrentes, a Apple fala com o cliente – emocionalmente.
Não sem motivo criou-se uma espécie de culto ao redor dos produtos Apple – que não existe com mais nenhuma empresa. A empresa sabe desse culto e o incentiva, principalmente com lojas muito bem estruturadas, grandes e chamativas, a mesma estratégia de muitas das religiões ao longo da história.
7) “A compra de músicas está caindo”
A Apple enfrenta uma concorrência feroz no segmento de músicas, já que as vendas estão em queda por dois anos consecutivos. Antes uma grande fonte de receita, a Apple está lentamente migrando para os serviços de streaming de música – que geram muito menos receita do que a de vendas.
Por conta disso, a Apple comprou a Beats, que possui um serviço de streaming por US$ 3 bilhões e está prestes a fechar a empresa. Contudo, os funcionários delas já foram realocados dentro da própria Apple e deverão trabalhar para fortaceler o iTunes Radio, serviço de streaming que a Apple lançou. Contudo, ela chegou atrasada nesse mercado.
8) “Queremos te prender para sempre”
Uma das formas que a empresa pretende “fidelizar” o cliente é limitando sua liberdade de escolha. Por conta disso, seu ambiente de nuvem é completamente diferente dos utilizados em aparelhos Androids e a transferência de dados nem sempre é fácil. Além disso, eles funcionam apenas em aparelhos da Apple.
Mas o Google Drive e o Microsoft SkyDrive funcionam na grande maioria dos aparelhos, inclusive nos que utilizam o iOS. Além disso, a Apple se esforça para dificultar – como demonstrado no recente caso que ela perdeu na justiça.
9) “Nossos consumidores são cegos para nossos erros”
Uma das mais famosas marcas da Apple é o quanto ela inspira seus fãs – a ponto de não verem alguns dos erros da empresa. Desde os problemas mais sérios, como condições de trabalho desumanas na China, poluição excessiva, práticas corporativas duvidosas até os mais leves, como o aplicativo de mapas ruim.
No Reino Unido, 78% dos usuários de iPhone admitem ter uma espécie de lealdade cega ao seus aparelhos e não se imaginam usando outros aparelhos. Mesmo que a Apple, em teoria, não precise se preocupar com isso, ela vem tomando algumas atitudes para coibir algumas de suas práticas duvidosas. Nunca se sabe quando os usuários vão abrir os olhos.