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Esta quinta-feira (11) marca 24 anos dos ataques terroristas às Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York, nos Estados Unidos. Apesar da tragédia, muitos brasileiros associam o momento do acidente com o anime Dragon Ball Z — isso porque alegam que a transmissão do desenho japonês foi interrompida pelo plantão de notícias.
Ao longo dos anos, a memória de que um momento icônico da série foi cortado para a entrada dos jornalistas na televisão foi compartilhada por diversas pessoas.
No entanto, essa é uma memória falsa. Segundo a emissora Band, que detinha os direitos de transmissão do anime em na época, não houve apresentação de um episódio de Dragon Ball Z em 11 de setembro de 2001.
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O plantão de notícias da Band começou por volta das 10h (horário de Brasília), momento em que a grade previa a exibição do desenho Mickey e Donald. No dia, a emissora havia programado o novo episódio de Dragon Ball Z para 11h.
Devido ao noticiário estendido dos detalhes da tragédia, os espectadores não viram sequer uma cena do Goku naquele dia. Mas por que tantas pessoas possuem a lembrança do Dragon Ball Z em 11 de setembro?
Esse fenômeno é chamado de “Efeito Mandela”, que caracteriza as memórias compartilhadas por uma grande massa, ainda que não tenham acontecido. O termo foi criado pela auto-proclamada pesquisadora de fenômenos sobrenaturais, Fiona Broome.
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Em 2010, Broome conversava com amigos e recém conhecidos sobre Nelson Mandela e mencionou casualmente sua morte em 1980, enquanto estava na prisão. No entanto, o ex-presidente da África do Sul morreu apenas em 2013, devido a uma infecção pulmonar.
A pesquisadora notou que, para além de uma confusão individual, diversos amigos e conhecidos se lembravam perfeitamente de acordar em uma manhã nos anos 80 e ler no jornal que Nelson Mandela havia, de fato, falecido na prisão. Assim, surgiu o Efeito Mandela.
De acordo com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), há diversas hipóteses criadas por cientistas, pesquisadores e até mesmo entusiastas do fenômeno que explicam essas memórias falsas compartilhadas. Veja as principais hipóteses que justificam o Efeito Mandela:
- Teoria Físico-Quântica: Por meio da teoria da dualidade de partículas, aqueles que acreditam nesta hipótese afirmam que, como as partículas se comportam de forma caótica, é possível que o fato tenha ocorrido, mas em realidades alternativas e as lembranças ficariam confusas;
- Teoria Psicológica: É a teoria mais aceita para explicar o fenômeno, indicando que memórias falsas são lembranças erradas ou distorcidas de algum acontecimento, mesmo que incluam, também, fatos que condizem com a realidade. Por conveniência e praticidade, as pessoas não prestam atenção aos detalhes de cada cena, o que abre margem para especulações do que pode ter acontecido.
Casos do Efeito Mandela além do 11 de setembro
Há diversas falhas de memórias em outras áreas da vida. Alguns destaques podem surgir em meio a datas específicas ou filmes famosos, por exemplo. Confira alguns casos:
- Em Star Wars: O Império Contra-Ataca (1980), o personagem Darth Vader nunca falou “Luke, eu sou seu pai”, mas a frase correta é “Não, eu sou seu pai”;
- No filme Branca de Neve e os Sete Anões (1937), a frase “espelho, espelho meu” não é dita em momento algum da versão original, legendada ou dublada;
- A música “We Are The Champions”, da banda Queen, não termina com a frase “Of the world”
- O rabo do personagem Pikachu não possui uma listra preta, apenas nas orelhas
- O personagem do jogo de tabuleiro Monopoly não possui monóculo
- Maquiavel nunca escreveu “os fins justificam os meios” em seu livro O Príncipe, publicado em 1532. Ainda assim, a frase pode sintetizar alguns aspectos do seu pensamento
- A escultura O Pensador, de Auguste Rodin, não possui a mão apoiada na testa, mas sim no queixo
