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É comum que a resposta para essa pergunta esteja relacionada à alta do Ibovespa e de outros índices de bolsa de valores. Isso faz sentido, já que eles captam a volatilidade de forma rápida e são os termômetros para o que afeta as empresas de capital aberto e suas ações. Mas há uma contradição quando olhamos os investimentos dos brasileiros: 58,1% do total investido pelas pessoas físicas está aplicado na renda fixa, e não em bolsa, segundo dados da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Apesar disso, fora do mercado de capitais, pouco se conhece sobre os índices de renda fixa.
Não é de hoje que os investimentos de renda fixa são os preferidos dos brasileiros. O combo de inflação alta somada a juros atrativos chama a atenção dos investidores para esses títulos há décadas. Mesmo com ambiente econômico mais estável quando comparado às décadas de 80 e de 90, quando vivemos diversos planos econômicos e a desvalorização da moeda, essa classe de ativos não para de crescer.
Também segundo a ANBIMA, em 2024, os investimentos em renda fixa somaram R$ 4,32 trilhões, contra R$ 996,6 bilhões em produtos de renda variável. Estou falando de mais de 167 milhões de contas que investiram em produtos desta categoria no ano. Na renda variável, o número foi de 5,6 milhões (ou seja, cerca de 3% da renda fixa). Esses números sozinhos já evidenciam que é preciso olharmos também – ou até mais – para os índices de renda fixa para entender o momento do mercado brasileiro.
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À primeira vista, esses índices podem parecer menos empolgantes que os de renda variável, mas eles também captam a expectativa do mercado diante de tudo que está acontecendo na política e na economia, a nível nacional e internacional.
Vamos a um exemplo prático. Quando os economistas dizem que a expectativa de longo prazo para a taxa de juros é de queda, os índices de renda fixa costumam subir. Incertezas relacionadas aos Estados Unidos, por outro lado, normalmente causam elevação nas taxas de juros, ocasionando queda na rentabilidade dos índices. Diversas outras análises podem ser extraídas da trajetória dos índices para entender melhor as condições do mercado em determinado momento.
Mas não é só de análise macroeconômica que vivem os índices de renda fixa. Eles são ótimos aliados na hora de acompanhar o comportamento de produtos específicos nos últimos meses, anos ou em determinado período. Apesar da máxima “rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”, olhar no retrovisor é um dos importantes fatores de decisão de investimento – mas não o único.
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Outro papel dos indicadores de renda fixa é funcionarem como referência na hora de analisar o desempenho dos investimentos. Voltando à vida real: se você tiver um produto na sua carteira com retorno negativo, vale checar o índice do segmento desse papel. Se ele estiver indo super bem, talvez seja hora de reavaliar sua aplicação.
Outro ponto positivo: variedade. Existe um leque de índices de renda fixa no mercado para acompanhar. O principal deles é o IMA (Índice de Mercados da ANBIMA), que acompanha os títulos públicos do Tesouro Nacional, como NTN-Bs, NTN-Fs e LFTs. Com ele, é possível observar a rentabilidade desses papéis – por exemplo, apenas títulos ligados à inflação ou atrelados à taxa Selic. Esses recortes estão em outros índices da família IMA, como o IMA-B 5+, que traz o desempenho de NTN-Bs com vencimento acima de cinco anos, ou o IRF-M 1, que espelha LTNs e NTN-Fs com vencimento abaixo de um ano. Na prática, o IMA reflete a rentabilidade de todos os papéis que compõem a dívida pública brasileira nos últimos dias, meses e anos.
Já para títulos privados, existe o IDA (Índice de Debêntures da ANBIMA), indicador composto por debêntures. Ele oferece um termômetro do desempenho desses produtos em diferentes períodos. O IDA vale tanto para quem aplica diretamente em debêntures, mas também para quem tem fundos com debêntures na carteira – os chamados “fundos de crédito privado”. Assim como o IMA, o IDA também tem uma família de subíndices, com o IDA-IPCA, que traz o desempenho de papéis atrelados à inflação, ou o IDA-DI, que mostra o comportamento das debêntures que são remuneradas pela taxa DI.
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Motivos não faltam para se acompanhar os índices de renda fixa. O sobe e desce pode não estar nas manchetes dos jornais, como acontece com o Ibovespa. Mas, assim como seu primo mais popular, eles são ótimos aliados para uma boa tomada de decisão, um acompanhamento inteligente das aplicações e uma leitura abrangente do cenário econômico.