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O crescimento e a consolidação das plataformas abertas e dos bancos digitais, em conjunto com a maior variedade de produtos de investimento, contribuem fortemente para a evolução da indústria de investimentos. Como parte desses avanços, cresceu a demanda por soluções personalizadas que atendam a objetivos e necessidades individuais dos investidores. E a distribuição, que antes tinha os produtos como base, tem se transformado em uma indústria de serviço, muito mais centrada na jornada do cliente.
Nesse cenário, os produtos se tornam commodities e ganham mais relevância o atendimento, o aconselhamento e a proximidade entre profissionais e investidores. Um exemplo é a atividade de consultoria de investimentos, seja realizada por pessoas físicas, jurídicas – na figura de escritórios independentes – ou até mesmo por grandes bancos, com áreas dedicadas exclusivamente ao segmento.
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Esses profissionais contribuem para a oferta e para a democratização de produtos, orientando melhores decisões financeiras e formando portfólios que se encaixem no perfil, objetivos, tolerância a riscos e momento de vida dos clientes. Por estarem sempre perto, oferecendo serviços personalizados, são um elo importante do mercado com os investidores.
Os números comprovam a maior demanda pelo serviço nos últimos anos. Entre 2019 e 2024, a quantidade de consultores registrados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aumentou 155%, passando de 694 para 1.768. Enquanto isso, o número de escritórios destes profissionais subiu 124%, de 147 para 329 em todo o Brasil.
A tendência continua sendo de crescimento. Mudanças regulatórias recentes devem colocar mais luz sobre a atividade de consultoria. Uma delas é Resolução CVM 179, que trata da transparência na remuneração dos distribuidores, como assessores de investimento e gerentes. A regra obriga que instituições e profissionais informem quanto ganham de comissão na venda de cada produto. O objetivo é reduzir conflitos de interesses para que as recomendações sejam feitas sempre baseadas no melhor interesse dos clientes.
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Os consultores são remunerados por uma taxa fixa (chamada no mercado de “fee based”), na maioria das vezes, cobrada sobre o volume de dinheiro administrado ou da rentabilidade obtida. Embora bastante adotado por clientes do private ou de family offices, esse modelo pode causar estranheza em grande parte dos investidores. Isso porque eles estavam (e ainda estão) mais habituados com o modelo dos demais profissionais de distribuição centrado na comissão (conhecido por “commission based”) em cima da venda de cada produto.
Você deve estar pensando: mas qual é a diferença para o cliente? Não basta só ele escolher o que mais lhe agrada? Bom, até então, o distribuidor não tinha a obrigação de informar ao cliente quanto ele ganhava na venda de cada produto. Com a Resolução 179, a transparência que já existia na vida do consultor, por conta da natureza de sua atividade, alcança agora também o assessor.
Isso não quer dizer que uma atividade ou um modelo de remuneração seja melhor que o outro. Pelo contrário. É benéfico para os investidores que diversas formas coexistam e que profissionais e instituições ofereçam as duas opções para o cliente, que escolherá o mais adequado para as próprias necessidades.
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A contratação de consultor, remunerado por uma taxa fixa periódica, pode fazer sentido para investidores que preferem girar mais a carteira, sempre em busca de novas oportunidades para rentabilizar o patrimônio. Ao passo que a figura do assessor ou do gerente do banco pode ser mais apropriada para o cliente que, por exemplo, trabalhe com um horizonte mais longo e não faça muitas movimentações no portifólio, pagando apenas a comissão sobre o produto que escolher.
Diante dessas evoluções, é natural que a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), principal porta-voz do mercado de capitais, se aproxime das consultorias independentes e passe a incluí-las no quadro de associados. A aproximação é um ganha-ganha. As instituições passam a contar com a força da nossa representação junto a reguladores e a outros players. A Associação ganha em pluralidade, trazendo para a mesa de discussão esses importantes agentes do mercado de capitais.
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Por fim, ganham os investidores. Com mais transparência, mais poder de escolha e com mais competitividade entre players que apresentem os melhores caminhos e opções para suas carteiras.