O que um campeão de tênis e empresas centenárias podem ensinar ao pequeno empreendedor

Da quadra aos conselhos de administração, a lógica é a mesma: empresas sustentáveis não são construídas por grandes acertos isolados, mas pela disciplina de tomar boas decisões todos os dias

Vivian Sesto

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A Expert 2026, o maior festival do mercado financeiro do mundo, reuniu alguns dos principais empresários e líderes do país para discutir economia, gestão e futuro dos negócios, mas curiosamente, um dos maiores aprendizados do evento veio de alguém que passou boa parte da vida dentro de uma quadra de tênis.

Ao ouvir André Agassi, um dos maiores tenistas de todos os tempos, compartilhar sua trajetória ao lado de José Berenguer, CEO do banco XP, ficou evidente que existe uma conexão poderosa entre o esporte de alta performance e o empreendedorismo. E ela não está no talento, está na qualidade das decisões.

No empreendedorismo existe uma armadilha muito comum: acreditar que crescer depende de uma grande oportunidade, de uma ideia genial ou de um único movimento transformador.

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No esporte, essa lógica simplesmente não existe. Uma partida é construída ponto a ponto e muitas vezes, vencer significa aceitar perder um ponto para não comprometer o jogo inteiro.

Essa talvez tenha sido uma das reflexões mais valiosas do evento: empreender também é entender que é possível perder algumas batalhas e, ainda assim, vencer a guerra.

Pequenos e médios empresários convivem diariamente com decisões difíceis: contratar ou esperar, expandir ou consolidar, investir ou preservar caixa.

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Em muitos casos, a melhor decisão não é aquela que promete o maior retorno imediato, mas a que reduz riscos e aumenta as chances de continuidade do negócio, porque calcular riscos também é estratégia.

O valor de conhecer as próprias limitações

Outro ensinamento que chamou atenção foi a importância do autoconhecimento. Agassi destacou que conhecer as próprias limitações foi determinante para construir equipes capazes de complementar aquilo que ele não fazia tão bem.

Esse princípio aparece exatamente da mesma forma dentro das empresas.

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Os negócios que mais crescem normalmente não são liderados por empreendedores que tentam ser excelentes em tudo. São liderados por pessoas que reconhecem suas fraquezas, cercam-se de profissionais melhores do que elas em determinadas áreas e constroem times diversos, capazes de elevar o nível das decisões.

No fim, empresas são, antes de tudo, equipes.

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O longo prazo como estratégia

Essa visão também apareceu nos painéis com lideranças de grandes grupos empresariais, como JBS e Gerdau. Apesar de atuarem em setores completamente diferentes, a mensagem convergiu para um ponto comum: crescimento sustentável exige visão de longo prazo.

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Enquanto muitos empreendedores ainda concentram energia apenas no resultado do próximo mês, empresas centenárias tomam decisões pensando em décadas.

Na prática, dividendos são consequência e perpetuidade é objetivo.

Caixa também é vantagem competitiva

Outro ponto que merece atenção é a forma como essas empresas enxergam alocação de capital. Entre pequenos empresários, ainda é comum retirar recursos do caixa para comprar uma sede própria, investir em ativos imobilizados ou realizar despesas que reduzem a liquidez da empresa.

Grandes organizações seguem uma lógica diferente. Elas entendem que caixa é ativo estratégico.

Não por acaso, diversos ciclos de crescimento da própria JBS aconteceram por meio da aquisição de empresas que atravessavam dificuldades operacionais, mas apresentavam potencial de valorização. Crescer, nesse contexto, não significou apenas vender mais, mas alocar capital com inteligência.

Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre administrar um negócio e construir uma empresa.

Outro aprendizado importante foi sobre adaptabilidade. Nenhum dos executivos falou sobre acertar sempre. Pelo contrário, o consenso era de que empresas vencedoras erram, mas corrigem rápido. A velocidade de aprendizado passou a ser muito mais relevante do que a busca pela decisão perfeita.

Adaptabilidade vale mais do que perfeição

E isso vale também para a inteligência artificial.

Ao longo da Expert, o tema apareceu praticamente em todos os painéis. Mas uma conclusão parece inevitável: IA não pode ser adotada apenas porque virou tendência. Ela precisa gerar produtividade, melhorar margens, reduzir custos ou elevar a qualidade das decisões. Caso contrário, deixa de ser investimento para se tornar apenas mais uma despesa.

Talvez esse seja o maior aprendizado da Expert 2026: independentemente do setor, do porte da empresa ou da profissão, sucesso continua sendo consequência da qualidade das decisões que tomamos repetidamente.

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Assim como no tênis, empreender não é sobre vencer todos os pontos. É sobre manter disciplina, construir um time melhor do que você, aprender mais com os erros do que com os acertos e entender que cada decisão de hoje pode aproximar o negócio do lugar onde pretende se alcançar.

Porque, no fim, empresas extraordinárias não são construídas em um único grande movimento. Elas são construídas, todos os dias, por pessoas que entendem que a próxima boa decisão vale muito mais do que a última grande vitória.

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Vivian Sesto

Partner XP INC e Head de Ações Comerciais XP Empresas, Palestrante do Banco de Atacado XP, colunista InfoMoney e mentora XP Educação Profissional com certificação internacional de planejadora financeira CFP, com MBA em Gestão de Negócios pelo Insper. Especialista em gestão de investimentos para PJ´s, com mais de 18 anos de experiência junto as maiores instituições financeiras do país.