Gestão de caixa deixa de ser diferencial e vira questão de sobrevivência para PMEs

Em um Brasil pressionado por juros altos, inflação persistente e recordes de inadimplência, empresas precisam parar de reagir ao mercado e começar a construir previsibilidade financeira

Vivian Sesto

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Durante muito tempo, gestão de caixa foi tratada por muitos empresários como uma atividade operacional. Algo importante, mas não urgente. Um controle feito “quando dava tempo”. O problema é que o cenário econômico brasileiro mudou e mudou rápido.

Hoje, a gestão financeira deixou de ser apenas uma boa prática. Ela passou a ser uma questão de proteção do negócio.

Nos últimos meses, o mercado passou a conviver simultaneamente com inflação pressionada, juros elevados, oscilações cambiais e conflitos geopolíticos que afetam diretamente commodities, cadeias produtivas e expectativa econômica global. O recente aumento das tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo, reacendeu alertas sobre energia, inflação e crescimento global. Quando o petróleo sobe, toda a cadeia sente: combustível, logística, matéria-prima, produção e consumo.

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Ao mesmo tempo, apesar da recente valorização do real frente ao dólar em determinados momentos, o empresário brasileiro já entendeu que estabilidade cambial não é garantia de previsibilidade. O dólar já esteve acima de R$ 6 recentemente. Hoje recua. Amanhã pode voltar a subir. E essa volatilidade impacta desde o custo do insumo até o preço final ao consumidor.

O reflexo disso aparece diretamente no crédito e no endividamento.

Dados da Serasa Experian mostram que o Brasil atingiu, em 2026, mais de 8,8 milhões de empresas inadimplentes, somando aproximadamente R$ 204 bilhões em dívidas negativadas. Já entre as famílias, o cenário também preocupa: segundo a CNC, cerca de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, maior patamar da série histórica.  

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E existe uma conexão direta entre esses dois mundos. Famílias endividadas consomem menos. Empresas vendem menos. O crédito encarece. A inadimplência aumenta. O caixa aperta.

Nesse contexto, muitas empresas acabam recorrendo à tomada de recursos de forma precipitada, utilizando linhas caras apenas para apagar incêndios operacionais. O problema é que, em um ambiente de Selic elevada –  atualmente em patamares próximos aos maiores níveis das últimas décadas — o custo do capital se transforma rapidamente em um risco silencioso para a sustentabilidade do negócio.  

E talvez aqui esteja um dos maiores pontos de atenção para pequenas e médias empresas: caixa não pode mais ser consequência. Precisa ser estratégia.

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Na prática, as boas práticas de gestão financeira continuam sendo mais simples do que muitos imaginam. O primeiro passo é básico, mas ainda negligenciado: separar pessoa física e jurídica. Misturar contas pessoais com as finanças da empresa compromete qualquer capacidade real de análise e tomada de decisão.

O segundo passo é criar ritos e rotinas de gestão. Reservar tempo para acompanhar entradas e saídas, receitas, despesas, margens, inadimplência e projeções de caixa. Empresas saudáveis não esperam faltar dinheiro para olhar números. Elas acompanham antes para evitar gargalos e antecipar movimentos.

Outro ponto essencial é a construção de reserva financeira. Negócios que conseguem manter entre três e seis meses do custo fixo mensal em caixa possuem muito mais capacidade de atravessar oscilações econômicas sem recorrer imediatamente ao crédito caro.

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E existe ainda uma mudança de mentalidade importante: caixa parado também custa dinheiro. Em um país com um dos juros reais mais altos do mundo, rentabilizar o capital da empresa passa a ser parte da estratégia financeira. Saber avaliar o custo da dívida, mas também fazer o caixa trabalhar a favor do negócio, é o que diferencia empresas que apenas sobrevivem daquelas que conseguem crescer com eficiência.

Mais do que nunca, o empresário precisa parar de operar no improviso e começar a construir previsibilidade.

Porque crises econômicas, inflação, dólar e conflitos geopolíticos continuarão existindo. O que muda é o quanto sua empresa está preparada para atravessar esses ciclos sem comprometer sua sustentabilidade.

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E é justamente nesse ponto que soluções financeiras estruturadas fazem diferença. Marcas como a XP Empresas vêm ganhando relevância ao apoiar empresários na construção de uma gestão mais estratégica, eficiente e preparada para transformar caixa em inteligência financeira, não apenas em saldo bancário.

Afinal, no cenário atual, proteger o caixa deixou de ser conservadorismo. Passou a ser visão de longo prazo.

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Vivian Sesto

Partner XP INC e Head de Ações Comerciais XP Empresas, Palestrante do Banco de Atacado XP, colunista InfoMoney e mentora XP Educação Profissional com certificação internacional de planejadora financeira CFP, com MBA em Gestão de Negócios pelo Insper. Especialista em gestão de investimentos para PJ´s, com mais de 18 anos de experiência junto as maiores instituições financeiras do país.