A nova economia da inteligência artificial

Enquanto empresas comemoram ganhos de produtividade, uma nova estrutura de custos começa a surgir silenciosamente

Vinicius Olivério

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Durante décadas, a forma de calcular investimentos em tecnologia foi relativamente previsível. Empresas compravam servidores, adquiriam licenças de software, contratavam infraestrutura em nuvem e estimavam seus custos com razoável precisão. 

Quanto maior a operação, maior o investimento, mas a lógica permanecia praticamente a mesma: a maior parte da despesa estava concentrada na aquisição e manutenção da tecnologia. A inteligência artificial, porém, está mudando essa equação.

Grande parte das discussões sobre IA gira em torno da produtividade, da automação ou do impacto sobre o mercado de trabalho. Pouco se fala sobre uma transformação igualmente importante: a mudança na economia da própria tecnologia.

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Pela primeira vez, empresas começam a utilizar um recurso cujo custo cresce na mesma proporção em que ele é consumido. Cada pergunta feita a um assistente virtual, cada documento analisado, cada agente executado e cada fluxo automatizado representa processamento computacional, e isso tem custo.

Tokens: a nova unidade da economia digital

Na prática, esse consumo é medido em tokens, a unidade utilizada pelos modelos de inteligência artificial para contabilizar o processamento realizado. Cada pergunta enviada, cada resposta gerada, cada documento analisado e cada agente executado consomem uma determinada quantidade de tokens.

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Individualmente, o custo é pequeno, mas em larga escala, milhões de interações diárias transformam os tokens em um novo componente da estrutura de custos das empresas.

É uma mudança significativa. Durante muito tempo, as organizações compravam software para utilizá-lo praticamente sem limites. Com a inteligência artificial, essa lógica muda.

Quanto maior o uso, maior o consumo e, consequentemente, maior a conta. Essa lógica muda completamente a forma de avaliar retorno sobre investimento.

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O desafio de medir o retorno da IA

Hoje, muitas empresas comemoram os ganhos de produtividade proporcionados pela IA. Um colaborador produz relatórios em minutos, analisa contratos com mais rapidez ou automatiza tarefas repetitivas. O benefício é evidente.

O que ainda recebe pouca atenção é quanto custa manter essa produtividade em escala.

Individualmente, cada interação parece insignificante. O custo de um único prompt é quase imperceptível. Mas organizações não operam em unidades isoladas. Operam em dezenas de colaboradores, milhares de consultas e incontáveis processos automatizados.

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O que hoje parece um custo marginal pode rapidamente se transformar em uma das principais despesas operacionais relacionadas à tecnologia. Essa realidade inaugura uma nova disciplina dentro das empresas: a gestão econômica da inteligência artificial.

A nova governança econômica da tecnologia

Até pouco tempo, governança de IA significava discutir ética, privacidade, vieses e segurança. Todos esses temas continuam fundamentais. Mas, em breve, outro assunto deverá ocupar espaço crescente nas reuniões entre CIOs, CFOs e conselhos de administração: eficiência econômica.

Não bastará perguntar se determinado modelo produz boas respostas. Será necessário perguntar se o ganho obtido justifica o custo do processamento consumido.

Da mesma forma que empresas aprenderam a otimizar infraestrutura de nuvem para reduzir despesas, precisarão aprender a utilizar inteligência artificial de forma inteligente.

Isso significa escolher o modelo adequado para cada tarefa, evitar desperdícios, medir consumo e entender que nem toda atividade exige o modelo mais sofisticado e mais caro disponível.

A maturidade na adoção da IA deixará de ser medida apenas pelo número de iniciativas implementadas.

Será medida também pela capacidade de equilibrar desempenho e custo. Esse movimento tende a transformar a própria forma como investimentos em tecnologia são avaliados.

Durante anos, indicadores como custo por usuário, custo por licença e custo por servidor ajudaram a medir eficiência operacional. A inteligência artificial introduz uma nova lógica, na qual o consumo passa a ser tão importante quanto a aquisição.

Talvez, em breve, executivos passem a acompanhar indicadores como custo por automação, custo por agente inteligente ou até custo por decisão assistida por IA.

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Não porque a tecnologia ficou mais cara, mas porque ela deixou de ser apenas um ativo e passou a funcionar como um serviço consumido continuamente. E isso muda a forma de planejar orçamentos, calcular retorno e definir prioridades de investimento.

O futuro da eficiência com inteligência artificial

Empresas que compreenderem essa transformação mais cedo terão uma vantagem importante. Não necessariamente porque utilizarão mais inteligência artificial, mas porque saberão utilizá-la de maneira economicamente sustentável.

No fim, a próxima vantagem competitiva talvez não esteja em quem possui os modelos mais avançados, mas em quem consegue extrair mais valor de cada interação com eles.

A inteligência artificial inaugurou uma nova economia dentro das empresas.

E, como toda mudança econômica, ela não será definida apenas pela tecnologia disponível, mas pela capacidade de utilizá-la com eficiência, critério e visão de longo prazo.

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Vinicius Olivério

Com mais de 18 anos de experiência em desenvolvimento de softwares, atuando em projetos que vão desde sistemas embarcados até soluções web e mobile, Vinicius Oliverio construiu uma trajetória sólida em liderança de equipes e em inteligência artificial aplicada. Possui Graduação em Ciência da Computação pela UDESC, Mestrado em Ciência da Computação pela UFSCar e Doutorado em Ciências pela USP. Hoje, como sócio e CTO da urmobo, está à frente de iniciativas que unem inovação e mobilidade segura e inteligente.