“Sistema econômico em que vivemos é perfeito para as elites políticas”, diz cientista político

Adriano Gianturco afirma que o mercado é quem deve decidir o tamanho de uma empresa, não o Estado

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Em uma nação com liberdade econômica, quem decide o tamanho de uma empresa é o mercado e não o Estado, e essa separação é essencial. O liberalismo não existe em favor de alguns negócios ou empresas, mas em prol do mercado. Essa avaliação é do cientista político e professor do Ibmec de Minas Gerais, Adriano Gianturco, em entrevista ao UM BRASIL – uma realização da FecomercioSP –, em que trata dos desafios de promover reformas no País em vários parâmetros.

“No liberalismo, não há privilégios, subsídios e financiamentos do Estado, do setor público para empresas. No liberalismo pró-mercado, temos o fracasso, o fechamento de empresas quando falham e erram, mas que lucram quando acertam. O sistema em que estamos vivendo, no qual o lucro é privado e a perda é socializada via Estado, é perfeito para as elites políticas [e econômicas]”, comenta.

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Gianturco pontua que o caminho para mudar esse cenário é separar as esferas “Estado” e “empresas”, da mesma forma como houve historicamente a distinção entre as alçadas “governamental” e “religiosa”.

“Até quando tivermos esse conluio [de empresas dependentes do governo], teremos interesses recíprocos das elites econômica e política em se beneficiar às custas do resto do País, que é exatamente o que nós observamos aqui. Quando vemos que o sistema tributário é de fato regressivo, ou seja, os ricos são bancados pelos mais pobres e há uma redistribuição da base para cima, entendemos para o que o sistema foi construído e qual a sua função. É esse o problema”, comenta.

Na visão dele, a dificuldade para promover as Reforma Administrativa e Tributária e, também, o pacto federativo ocorre porque, politicamente falando, há nichos de resistência – minorias organizadas que pressionam para terem e manterem privilégios, benefícios ou direitos.

“As três reformas gerariam um benefício difuso para o País, mas trariam um custo concentrado para algumas minorias organizadas. São exatamente elas que pressionam para que isso não aconteça”, diz o professor. “Atualmente, o que ocorre é o contrário: custos difusos e benefícios concentrados”, pontua.

Um Brasil

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