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Política econômica tem que “virar 180 graus” para amenizar crise do coronavírus, afirma Thomas Trebat

Diretor do Columbia Global Centers | Rio de Janeiro diz ao Um Brasil que governo não deve se preocupar com o que investidores vão achar ao aumentar o gasto público

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Em função da proliferação do novo coronavírus, a política econômica que vinha sendo implementada pelo atual governo brasileiro terá de “virar 180 graus”, porque “são ideias moldadas para um País que não existe mais”. Além disso, segundo o diretor do Columbia Global Centers | Rio de Janeiro, representação da Universidade Columbia no Brasil, Thomas Trebat, o governo deve se valer do “espaço fiscal que tiver” para encarar a crise, “sem se preocupar excessivamente com o que os investidores vão achar”.

Radicado no Brasil há quase dez anos, o economista norte-americano diz que, embora o governo tenha assumido o compromisso de equacionar as contas públicas, a pauta tornou-se secundária. “Não é hora de se preocupar com isso. É hora de jogar água no incêndio e depois se preocupar com o estado fiscal da União”, frisa Trebat, em entrevista ao Um Brasil, uma realização da FecomercioSP.

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O PhD em Economia complementa dizendo que o cenário atual exige uma postura “mais agressiva do governo federal na questão fiscal”. “Os investidores vão ver essas medidas como sendo emergenciais e como o papel correto do governo em momentos especiais”, indica.

Segundo ele, a preocupação com o endividamento do Estado deve ser vista no devido contexto. Em tempos de emergência como o atual, o Brasil deve gastar entre 5% a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no combate ao coronavírus e em ações para mitigar o impacto da consequente crise da propagação do vírus.

“Gastar 5% do PIB e correr riscos financeiros mais para frente ou ver centenas de milhares de cidadãos, amigos, familiares e idosos morrerem? Qual é a opção?”, questiona o economista. “A prioridade do governo é preservar a saúde pública, em primeiro lugar, e começar a reativar a economia logo na sequência”, afirma.

De acordo com Trebat, embora o Brasil careça de condições econômicas ideais, ainda assim o País está em um momento mais propício para enfrentar a crise. Os juros se encontram no patamar mais baixo da história, a inflação está controlada e o Banco Central detém reservas internacionais.

“A melhor maneira de proteger a economia é segurar [o fluxo de pessoas] nesse período de pico e preservar, na medida do possível, a renda dos mais pobres e a estrutura das empresas”, sintetiza, defendendo a política de isolamento social.

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