País não conseguirá crescer se energia continuar dependente da água

Adriano Pires, diretor do CBIE, defende que Brasil diversifique as fontes geradoras de eletricidade

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No mundo onde a eletricidade é cada vez mais requisitada, em razão da substituição de combustíveis fósseis por fontes limpas, depender de usinas hidrelétricas para gerar energia pode comprometer o crescimento econômico – ainda mais em um país que necessita ampliar a produção e gerar empregos. Deste modo, o sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, defende que o Brasil construa uma matriz energética mais diversificada.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Pires diz que, como “o mundo caminha para um processo de eletrificação”, o Brasil não pode ficar todo ano pensando se vai chover ou não, uma vez que as hidrelétricas ainda são responsáveis por, aproximadamente, 70% da energia gerada no território nacional.

“Temos uma matriz energética muito refém do clima”, pontua o economista. “Precisamos construir uma matriz mais diversificada e equilibrada. O que quero dizer com isso? Uma matriz que produza energias térmica de gás natural, nuclear e renováveis. Esse é o dever de casa que temos de fazer, mas temos deixado na mão de São Pedro”, complementa, referindo-se ao santo católico associado às chuvas.

Pires afirma que “a crise hídrica é um fenômeno mundial” e que “há uma premissa errada no Brasil de achar que a água é a fonte de energia mais barata”. Segundo ele, a água tende a se tornar a mais cara, uma vez que tem uso múltiplo na sociedade.

“O setor elétrico não é dono da água”, pontua. “As ofertas de água e de energia vão crescer a taxas menores do que a demanda”, adiciona.

O economista, cuja carreira inclui atuação na Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), indica que a escassez elétrica deve impedir o Brasil de crescer a taxas de 5% ao ano (a.a.). Além disso, ressalta que o País só não enfrentou recentemente uma crise de energia porque, na década passada, cresceu pouco.

Pires acrescenta dizendo que a falta de planejamento do setor elétrico penaliza o consumidor, que acaba arcando com tarifas mais altas.

“Em particular, o consumidor cativo. Quem é? O residencial, o pequeno comércio e a pequena indústria. O grande consumidor vai para o mercado livre, em que negocia o quanto vai pagar”, destaca.

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Em meio à discussão da Reforma Tributária, Pires desaprova o fato de “metade da conta de energia ser imposto”. 

“A sociedade tem de cobrar do Congresso Nacional e do governo um planejamento adequado para que não viva pesadelos constantes de falta de energia, que acaba, no fim do dia, elevando as tarifas”, frisa o diretor do CBIE.

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