País carece de um “salvador” contra degradações política, social e econômica, afirma Boris Fausto

Historiador avalia que Brasil vive um processo de corrosão da democracia e de contestação da ciência

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Em meio à negação da ciência e a um processo acentuado de corrosão da democracia, o Brasil, se antes andava na corda bamba, ruma, conduzido por um “governo desastroso”, ao fundo do poço. Para evitar o pior, de acordo com o historiador e cientista político Boris Fausto, o País precisa, mais do que nunca, da figura de um salvador.

“Seria preciso que uma voz democrática conseguisse encarnar um programa de oposição com força o suficiente e capacidade de transmitir as suas ideias e ir fundo à grande massa popular, à classe média. Não temos esse nome, esse é o grande problema desse momento”, afirma, em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP.

“Não temos nenhuma pessoa que pelo menos se desenhe com essa força de liderança, que se anteponha a essas condições lamentáveis da nossa política e das nossas situações social e econômica”, complementa o historiador.

Segundo Fausto, a “procura por um homem salvador” não é exclusividade do Brasil nem de nações em desenvolvimento. Contudo, na conjuntura atual do País, a aspiração por uma figura do tipo ganha força porque o risco à democracia existe, sendo que as instituições “vêm capengando e resistindo a uma invasão de atitudes autoritárias e intempestivas” do presidente da República.

“O que ocorre é que a tentação de buscar um homem que encarne a situação é muito forte. Mas, ao mesmo tempo, conhecendo os riscos disso, sabemos também que, sem personificar uma figura que transmita anseios, dialogue com sinceridade e esteja acima de acusações de corrupção, isso é uma necessidade da conjuntura e mesmo de outras situações”, ressalta Fausto.

Na visão do historiador, a pandemia evidenciou que o País vive o “contraste entre o iluminismo e uma confusão da pior espécie”.

“Tudo depende da situação em que nos encontramos. Estamos em marcha ré. Aquilo que em outra situação seria banal, na marcha ré se torna essencial uma frase como ‘vamos respeitar a ciência’”, salienta.

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