Não há contradição entre economia e proteção a vidas humanas, afirma Marcelo Paixão

Para economista e professor da Universidade do Texas, apressar reabertura da economia é uma política inócua

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Políticas negacionistas do potencial devastador do novo coronavírus podem ter consequências “incalculáveis” em termos de perdas humanas. Por isso, a pressão vista “em todos os lugares do mundo” para a retomada da atividade econômica sem um plano que providencie testes para a população revela que “lucidez virou bem escasso”, de acordo com o professor, economista e sociólogo Marcelo Paixão, que também é presidente da Brazilian Studies Association (BRASA).

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Paixão critica o clamor de parcela da sociedade brasileira que defende a reabertura das atividades produtivas em meio ao surto do vírus e diz que seria uma política inócua de retomada econômica.

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“Se o Brasil voltar a funcionar amanhã, não vai mudar a realidade da economia, porque vai ter que importar produtos de países que hoje estão fechados e vai tentar exportar produtos para países que não estão comprando porque estão fechados”, explica o professor associado da Universidade do Texas, em Austin. “Então, são determinadas questões que exigem, acima de tudo, lucidez”, complementa.

Nesse sentido, ele critica a dicotomia que se instalou entre economia e saúde resultante da política de isolamento social, que interrompeu a operação de diversos setores produtivos. “Estamos em uma situação que exige atitudes imediatas para proteger a vida das pessoas”, pontua. “Não há como pensarmos em economia sem seres humanos”, acrescenta.

Classificando a atualidade da política brasileira de “um festival de insanidade”, o professor destaca que o negacionismo ao coronavírus deve trazer danos intergeracionais ao País – impactos que não podem ser calculados agora, mas que serão sentidos no futuro.

“O que está faltando é aquilo que no mundo de hoje é o ativo mais precioso e que, infelizmente, estamos jogando pela janela ou na lata do lixo que se chama inteligência. Se a própria adoção de decisões racionais se torna um pecado, o que já era difícil – e seria difícil em qualquer contexto –, plus [mais] uma política demófoba como essa, realmente temos motivos para ficarmos extremamente preocupados com o que se coloca”, alega.

Um Brasil

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