Brasil não está entre as 15 prioridades de Joe Biden no mundo, afirma Thiago de Aragão

Internacionalista destaca que, apesar das diferenças entre o governo brasileiro e o próximo governo norte-americano, relação entre os setores privados dos dois países seguirá robusta

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Embora o presidente Jair Bolsonaro tenha manifestado publicamente apoio a Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos, realizada em novembro do ano passado, ainda que ocorra, com Joe Biden na Casa Branca, um afastamento entre os governos brasileiro e norte-americano, a relação entre os setores privados de ambos os países deve “seguir bastante sólida”, de acordo com o internacionalista e diretor de estratégia da Arko Advice, Thiago de Aragão.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Aragão explica que as relações bilaterais ocorrem pelas vias governamental e empresarial. “No âmbito privado, a relação entre os dois países é muito sólida. O nosso mercado financeiro é profundamente integrado ao norte-americano. Temos indústrias norte-americanas há muitas décadas no Brasil e empresas dos Estados Unidos que fazem parte do imaginário do brasileiro, como Apple, Microsoft, Amazon, Netflix, entre outras”, destaca.

De acordo com ele, mesmo que Bolsonaro e Biden não compartilhem da mesma visão de mundo, dificilmente haverá um atrito entre os países, uma vez que o presidente eleito dos Estados Unidos, cuja posse ocorre na quinta-feira da semana que vem (21), deve dar mais atenção a outras partes do mundo no âmbito da política externa.

“No campo governamental, isso pode incomodar muita gente, mas o Brasil não é uma das dez ou 15 prioridades de Biden ou de qualquer outro presidente americano”, salienta.

Renovação do multilateralismo

Aragão, também pesquisador sênior do Center for Strategic and International Studies (CSIS), sediado em Washington D.C. (Estados Unidos), avalia que o governo Biden, diferentemente de seu antecessor, buscará fortalecer as alianças e o multilateralismo, com o objetivo de reafirmar uma ideia de liderança norte-americana no mundo.

“Trump via os Estados Unidos tão poderosos que pensava que o país devesse agir sozinho. Já Biden vê que o poder dos Estados Unidos está em trazer e angariar um corpo maior de aliados para tratar de determinados temas”, diferencia. “Biden tem uma visão multilateral do mundo. Ele entende que o mundo se forma com alianças com as quais os Estados Unidos devem estar na liderança”, reforça.

Sintetizando a política externa do governo Biden, o internacionalista afirma que “a palavra é reconstrução”. Contudo, isso não significa que a política de contenção tecnológica da China será desmantelada.

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“Biden acredita que quanto maior for a rede de alianças multilaterais pressionando a China sobre este tema, mais fácil será ter algum resultado. Ele tem plena noção de que, tecnologicamente, a China é uma ameaça aos Estados Unidos e que, comercialmente, deveria comprar mais dos norte-americanos”, avalia.

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