Apoio à democracia não pode ser condicionado apenas a resultado econômico

O momento de crise grave na saúde causada por uma pandemia não foi suficiente para impedir o acirramento constante dos conflitos políticos e ideológicos

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Há uma ideia geral de que, para a democracia se dissolver, seria necessário que algo muito grave acontecesse, mas a adesão à democracia perde sua força de modo mais gradual. Isso ocorre em razão de uma visão simplista que condiciona o apoio aos valores democráticos a um bom resultado econômico ou à baixa corrupção, avalia a cientista política Nara Pavão, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em debate feito pelo UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP.

Nara afirma que as pessoas costumam pensar na democracia como o fator que vai resolver todos os problemas e entregar todos os resultados por si só. No entanto, isso cria uma visão romantizada de como as coisas se desdobram. “A democracia existe para que se coloquem conflitos na mesa e que se apontem caminhos para a solução, e não necessariamente para trazer resultados prontos”, reitera.

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O debate, mediado pelo cientista político Humberto Dantas, também contou com a presença da cientista política Daniela Campello, professora da Escola de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp).

Ambas as especialistas jogaram luz sobre a presença, na esfera pública, de negacionistas dos danos graves da pandemia e da ditadura; sobre como o momento de crise grave na saúde causada por uma pandemia não foi suficiente para impedir o acirramento constante dos conflitos políticos e ideológicos no País; e, ainda, sobre como tudo isso afeta a popularidade do presidente.

“É natural que a base [de apoio] do presidente esteja se dissolvendo. Essa já era minha avaliação antes do covid-19, pois a economia não estava entregando, mas isso está muito mais claro agora”, pontua Daniela. “A estratégia de abandonar a gestão da pandemia para fazer esse jogo de defesa da economia contra os governadores não vai rolar. Ele não vai conseguir se desfazer dessa responsabilidade”, comenta.

Um Brasil

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