Opinião: No trade, quanto maior o autocontrole, menor a impulsividade

A regulação emocional proporciona ao trader e ao investidor atitudes funcionais em respostas às emoções indesejadas

Danuza Machado

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(Shutterstock)
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Por várias vezes, observando alunos operando em mercado real em um ambiente controlado, é possível presenciar situações no mínimo intrigantes.

Quando em operações vencedoras e, principalmente, com os preços em volume e volatilidade no sentido favorável de suas posições, é comum eles cederem à tentação de buscar alvos maiores, mesmo não tendo sido previamente definidos.

Intrigante também é o inverso: quando o preço volta no sentido contrário de suas posições financeiras, eles cedem ao impulso de retirarem a proteção (stop loss) estabelecida anteriormente.

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Fatos como esses, e tantos outros, provavelmente fizeram psicólogos pesquisadores da economia comportamental estabelecerem premissas fundamentadas para explicar e propor técnicas para resolver tais atitudes. Dito isso, descobriu-se que uma das maneiras de administrar impulsos como àqueles é desenvolvendo a Regulação (ou Autorregulação) emocional.

A regulação emocional é uma metodologia prática e precisa de controlar as emoções causadoras de atitudes indesejadas. É considerada uma das habilidades da inteligência emocional que, estrategicamente, nutre esforços conscientes para alcançar objetivos específicos.

Além disso, esta habilidade também pode atuar na regulação de processos fisiológicos (tremores, sudorese, enjoos etc.), quando bem treinada e desenvolvida.

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A autorregulação é um processo poderoso e totalmente possível de ser desenvolvido. Envolve algumas fases: ter a capacidade de conscientização e compreensão emocional; aceitar as próprias emoções; praticar estratégias de regulação que inibem atitudes decorrentes das emoções; praticar atitudes guiadas para um objetivo determinado.

Uma falha em qualquer uma das fases desconstrói todo o processo, comprometendo o objetivo final.

Inegavelmente, àqueles alunos teriam melhores resultados se: 1 – compreendessem os objetivos de estarem no mercado financeiro e as evidências de quais atitudes deveriam ter para atingir tais objetivos; 2 – revisassem e analisassem, frequentemente, os objetivos determinados anteriormente; 3 – identificassem crenças como querer mais e mais ou medo de estar errado ou excesso de autoconfiança, por exemplo.

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Cada um destes itens representa propriedades da regulação emocional que proporcionam ao trader e ao investidor atitudes funcionais em respostas às emoções indesejadas.

Quanto maior o autocontrole, menor a impulsividade.

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Danuza Machado

Psicóloga há 25 anos e trader há quase 10 anos. Já trabalhou como Oficial Psicóloga nas Forças Armadas no Controle Emocional para Pilotos do Exército Brasileiro, também como facilitadora no processo de Desenvolvimento de Comportamentos Empreendedores para Empresários no SEBRAE-SP