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“O Brasil não é para principiantes”

Mais do que debater esses riscos no mercado brasileiro e os possíveis cenários para cada um deles, é melhor estar preparado para todos

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
(Gerd Altmann/Pixabay)

O Brasil não é para principiantes, disse Tom Jobim. Com o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira usado como referência do nosso mercado de ações, devolvendo os ganhos do ano e voltando para os níveis de março, há investidor que iria concordar.

Na minha opinião, mais importante do que principiante ou experiente, eu diria que o Brasil não é para investidores sem informação e controle de riscos.

O nosso cenário é turbulento. Neste momento, as preocupações dos investidores giram em torno do orçamento do governo, em como ficarão os gastos públicos nos próximos anos, nos ruídos políticos que podem ganhar força (já que estamos há 15 meses da posse do próximo presidente, seja ele quem for). E, para completar, ainda há o risco de um racionamento de energia.

Mas nenhuma dessas preocupações é inédita. Talvez essa seja a diferença de um principiante para um experiente no mercado brasileiro. As crises, preocupações e ruídos se repetem. Isso faz com que investir no Brasil seja um aprendizado constante sobre conviver com oscilações e volatilidade.

Agora, mais do que debater esses riscos e os possíveis cenários para cada um deles, é melhor estar preparado para todos.

O investidor deve primeiramente saber quais são as preocupações que estão na mesa, o que os outros investidores do mundo todo estão prestando atenção sobre o Brasil, e acompanhar, ainda que de uma forma mais macro, a conjuntura para ficar alerta caso algum desses riscos se agrave de maneira preocupante.

Sabendo de tudo isso, o que o investidor pode fazer para se proteger? O primeiro ponto é a diversificação. Que fique claro que ela é importante em qualquer cenário. Mesmo nos momentos de otimismo, é importante ter uma carteira diversificada. Afinal, mesmo quando a Bolsa está subindo aqui não quer dizer que não há oportunidades em outros lugares.

Para diversificar, é importante ter parte da sua carteira em outras regiões e moedas, e você pode fazer isso através de ETFs e BDRs. Esses investimentos permitem que as pessoas físicas acessem outros mercados sem precisar de muito dinheiro.

Vale dizer que também não há momento certo para diversificar e internacionalizar. Não se deve esperar um determinado nível de dólar, por exemplo. Essa deve ser uma estratégia recorrente e constante. No momento de investir, já vale pensar em colocar uma parte no Brasil e uma parte em outras regiões e moedas, assim você estará constantemente mais protegido.

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Outro ponto, é procurar empresas de qualidade. Em um cenário mais difícil, por todos os riscos que coloquei acima, as empresas precisarão ter ótima gestão, acompanhamento dos riscos, conhecimento de mercado e uma estratégia para continuar crescendo. Quando falamos com os principais gestores de investimentos, eles reforçam que nesse momento preferem investir nas empresas líderes dos setores.

Aquela que é referência no que faz já possui um histórico de crescimento em outros momentos difíceis e consegue captar dinheiro com bancos e mercado se precisar, pois são conhecidas como boas pagadoras. Essas empresas podem, inclusive, sair mais fortes, porque enquanto seus competidores sofrem, elas podem aproveitar um momento de dificuldade financeira das empresas menores para comprá-las e expandir o seu negócio.

Dá para ganhar dinheiro investindo em uma empresa ruim? Sim, é possível. Mas principalmente em um cenário com mais riscos, o investidor de longo prazo deve escolher empresas de qualidade e alto crescimento para dormir tranquilo.

Com uma carteira de investimentos diversificada, que não depende só do Brasil e tem exposição a outras moedas; focada principalmente em ações de qualidade e crescimento, o investidor, seja ele principiante ou experiente, está mais protegido em qualquer cenário. Afinal, haja emoção por aqui.

Pietra Guerra

Pietra Guerra é especialista em ações da Clear Corretora. Antes disso, trabalhou no Itaú BBA, na asset do banco francês BNP Paribas, no Bank of America Merrill Lynch e na trading de commodities Olam International Limited. É formada em administração de empresas pela Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP) e tem especialização no mercado financeiro pela Saint Paul Escola de Negócios