Como devo me comportar durante a temporada de balanços?

Se o mercado gostou dos números apresentados pela empresa que você está analisando e as perspectivas para o seu segmento são positivas, por que não aportar nela e colher os frutos dessa decisão no longo prazo?

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Afinal, a volatilidade do mercado é favorável ou desfavorável para o investidor? Na última semana, teve início a temporada de divulgação de resultados das empresas americanas. É a época na qual as empresas negociadas na Bolsa de Valores reportam o desempenho referente ao último trimestre, através da divulgação de Demonstrações Financeiras, seguida de uma teleconferência de resultados.

Os resultados recentemente divulgados agradaram os investidores ao redor do planeta de forma que os cinco últimos pregões do mercado americano foram de alta e puxaram as principais bolsas pelo mundo.

Até aqui, os balanços das empresas não vieram abaixo dos resultados do trimestre anterior, em que 87% das companhias listadas nos Estados Unidos superaram as expectativas. As receitas cresceram mais de 25% e os lucros aumentaram 90% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, em média.

Então quer dizer que investir nessas empresas pode ser uma boa?

Depende do seu horizonte de investimento. Se a sua intenção é especular em cima desse acontecimento e ganhar dinheiro no curto prazo com isso, esqueça! O movimento já aconteceu e já foi precificado pelo mercado de uma forma geral.

Agora, se seu objetivo ao investir nessas empresas é surfar uma onda mais longa e se tornar acionista da companhia no médio e longo prazo pode ser uma boa oportunidade, sim.

O grande ponto é: se o mercado gostou dos números apresentados pela empresa que você está analisando e as perspectivas para o seu segmento são positivas, por que não aportar nela e colher os frutos dessa decisão no longo prazo?

De qualquer forma, vale sempre pontuar que o resultado atual não é garantia de que a empresa vá continuar nessa mesma maré.

E a volatilidade, Frad?

Essa sazonalidade oferecida pela temporada de balanços pode ser vista praticamente a cada três meses em todo o mundo. Acontece que, nos últimos anos, outros fatores fizeram com que o mundo da renda variável fosse totalmente atípico e que víssemos uma volatilidade nunca vista. Agora, será que isso foi bom ou ruim para os investidores? Veremos mais adiante nesse artigo.

Antes de qualquer coisa, precisamos detalhar aqui o que é “volatilidade” para o mercado.

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Volatilidade, no dicionário, nada mais é do que “qualidade do que sofre constantes mudanças; característica do que é volátil, do que não é firme, daquilo que muda constantemente.” Ou seja, no mercado financeiro, a volatilidade de um ativo pode ser entendida como o grau de oscilação de valor em um determinado período.

Logo, se uma ação sobe 10% em um dia e cai 15% no outro, ela pode ser considerada uma ação com alta volatilidade.

Mas, isso pode ser considerado danoso ao investidor que compra essa ação? Depende, a resposta pode variar. Se você levar em consideração que ela subiu 10% em um dia e que o investimento mais popular do Brasil, que é a poupança, rendeu em 2020 apenas 2,11%.

O que é importante frisar é que como diria Warren Buffett: “O risco vem de você não saber o que está fazendo”. Se você está ciente do investimento que está realizando e dos riscos inerentes a essa operação, você pode se surpreender com o resultado, mas dentro daquela margem considerada no momento do “aceite”. É para aumentar a sua gama de conhecimento que estamos aqui.

E a temporada de resultados do Brasil?

No Brasil, a divulgação desses números começa nesta sexta-feira (22). Além de o fato de clarear as perspectivas para o investidor e para os analistas das grandes casas acerca do rumo daquela companhia, também será apresentado os reflexos do impacto da pandemia, da abertura econômica e do avanço da vacinação.

A primeira a declarar seus resultados será a Hypera logo nessa sexta-feira após o fechamento do mercado.

Na semana seguinte, outras gigantes irão divulgar seus balanços, com destaque para Vale e Petrobras, ambos saindo na quinta-feira (28), após o fechamento dos mercados. Essa quinta-feira promete!

Outros ativos que merecem a atenção dos investidores ainda em outubro são: EDP (ENBR3), EcoRodovias (ECOR3) e TIM (TIMS3) na segunda-feira (25). Já na terça-feira (26), os destaques ficam por conta de Localiza (RENT3), Klabin (KLBN11), Banco Inter (BIDI11) e Marfrig (MRFG3).

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Quarta-feira (27), será a vez dos balanços de Gerdau (GGBR4), Lojas Renner (LREN3), Banco Santander Brasil (SANB11), WEG (WEGE3), Telefonica Brasil (VIVT3), Dexco (DXCO3), Movida (MOVI3) e Multiplan (MULT3).

Na fatídica quinta-feira de Vale e Petrobras teremos também os dados de Suzano (SUZB3), CTEEP (TRPL4), Assaí (ASAI3), Ambev (ABEV3), Alpargatas (ALPA4), Fleury (FLRY3) e Grendene (GRND3).

Para fechar, na sexta-feira (29), serão conhecidos os números de Usiminas (USIM5) e Irani Papel e Embalagem (RANI3).

Dá para anteciparmos a reação do mercado a esses resultados?

A resposta é: sim e não! As empresas divulgam as suas prévias operacionais que sugerem o tom dos números daquele período, mas não necessariamente o resultado no geral irá acompanhar essa prévia.

Um ponto que é importante frisarmos é que nesses momentos teremos um incremento maior da volatilidade.

Mas atenção, saber com antecedência que teremos uma maior oscilação de preços não quer dizer que teremos a direção na qual o ativo vai seguir, por isso, pode ser um tiro no escuro e isso nunca seria recomendado.

A medida perfeita da volatilidade

Vale frisar que para que haja ganho no mercado é fundamental que os preços oscilem e que os ativos se movimentem com alguma intensidade.

Quando o mercado está “parado” poucas oportunidades aparecem e o instinto de ansiedade do trader iniciante faz com que ele crie entradas que não deveriam ser feitas, se decepcione com a falta de movimento e, muitas vezes, sofra com os custos operacionais da própria B3. É sabido que existem momentos em que devemos ficar de fora do mercado. Não operar também é operar!

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Por outro lado, um excesso de volatilidade também nos deixa perdidos sobre qual rumo o ativo vai seguir e com pouco ou nenhum tempo de reação para que uma decisão seja tomada.

Então, não vá com muita sede ao pote e aguarde o momento ideal para realizar a sua operação, que nada mais é do que a hora após todos os riscos estarem calculados e a leitura técnica do ativo ser conclusiva para a sua tomada de decisão.

Concluindo, um ponto positivo na minha leitura é: com os resultados positivos no exterior e a economia mostrando avanço acima do esperado, a expectativa é a de que reflexos poderão ser vistos com as empresas daqui de dentro também.

Diversas vezes as pessoas me perguntam: “Hoje é o dia de entrar em Vale? Vai sair o balanço!”. Minha resposta é sempre a mesma: “Você sabe como vem o balanço de Vale? E se vier abaixo da expectativa? E se vier acima? E se vier em linha com o esperado?”.

Enfim, não cometam o erro de investir na Bolsa por investir, investir por esporte. O mercado não é brincadeira e ele não perdoa.

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Filipe Fradinho

É analista CNPI da Clear Corretora, formado em administração de empresas pela PUC-RIO. Acumula passagens por empresas como Ágora Corretora, Órama e Ativa Investimentos. Atuou como trader profissional, operando Day Trade e Swing Trade de Ações, mas se especializou em operações de Day Trade no mercado futuro de índice e dólar. Atualmente, faz parte do #TeamClear e é responsável pela sala educacional de Análise, a EducaClear, no canal da Clear no YouTube.