As 7 lições que o mercado financeiro me ensinou

Agora que estamos perto do Dia dos Professores, listo algumas das principais lições que aprendi com gestores e mentores que foram verdadeiros professores na minha vida profissional

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Em sete anos trabalhando na área, posso dizer que o mercado financeiro não me ensinou nada. Isso porque o mercado financeiro não é uma instituição sagrada, com vontade própria, que age e pensa sozinho. Eu, pelo menos, não vejo dessa forma. Por isso, digo que o mercado financeiro não me ensinou nada, mas as pessoas com quem trabalhei e convivi, essas sim, muito me ensinaram.

Creio que um dos diferenciais de trabalhar nesse mercado são as pessoas. Trabalhando, conheci alguns dos indivíduos que mais admiro como profissionais, com quem tive a oportunidade de conversar, trocar ideia e aprender muito. Agora que estamos perto do Dia dos Professores, comemorado nesta sexta, dia 15 de outubro, aproveito para listar algumas das principais lições que aprendi nos últimos anos com gestores e mentores que foram verdadeiros professores na minha vida profissional.

1. Aprenda a diferença do que é urgente, do que é importante e do que é urgente e importante

Aprenda isso rápido, pois vai te poupar muito desgaste e estresse desnecessário. Se estiver na dúvida, pergunte antes que alguém te cobre algo que era urgente e você não tinha entendido. Vale lembrar também que o importante de hoje é o urgente de amanhã, então não ignore a sua lista de prioridades, ainda que não seja o item um.

2. A diferença entre uma pessoa sênior e uma pessoa júnior é que a sênior é automotivada

Me falaram essa frase quando eu era estagiária. Logo, o sênior e o júnior os quais se referiam não eram de cargo, mas sim de postura. Não importa em qual nível da carreira você está, não espere que o seu salário te motive, que uma promoção te motive ou que a empresa te motive. Enquanto estamos ocupando uma cadeira, estarmos motivados para fazer bem aquela atividade é o primeiro passo para qualquer coisa maior que possa partir de lá.

3. Pense na sua carreira como uma mochila. Hoje, o mais importante é a capacidade que você tem de preencher e esvaziar essa mochila, talvez diversas vezes

Lembro exatamente o dia que me falaram isso. Foi quando estava mudando pela 4ª vez de “cadeira” dentro do mercado financeiro e estava tensa com a ideia de recomeçar. Sentia que sabia um pouco de tudo, mas não era especialista em nada. Naquele dia, uma pessoa que tinha construído a carreira focada em um assunto me convenceu que o mais importante é a capacidade de aprender. Preencher e esvaziar a mochila do conhecimento e da carreira — várias vezes, se necessário. Essa lição me fez ver as coisas de uma forma diferente, inclusive para que eu fizesse a última mudança, recomeçando mais uma vez no que faço hoje.

4. Nem sempre as coisas acontecem no momento que se espera, mas continue trabalhando. Quando surgir a oportunidade, você será a pessoa mais bem preparada

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Quem me falou isso foi uma das pessoas mais bem sucedidas com quem trabalhei, que me contou das frustrações que teve no começo da carreira em um momento que eu estava chateada depois de ouvir um “não”. Essa para mim é uma lição de vida que diz respeito à resiliência. Muitas vezes, principalmente quando vivemos alguma decepção e olhamos o sucesso dos outros, esquecemos que as maiores histórias de sucesso tiveram muitos “nãos” e exigiram muita resiliência.

5. Você vai errar – e está tudo bem. O que eu não quero é que você deixe de fazer por medo de errar

Esta lição não é a 5ª por acaso. É importante que você acerte mais do que erre para ter uma carreira bem-sucedida e calcule os riscos de cometer erros antes de sair fazendo qualquer coisa. De fato, há momentos em que não podemos errar. Mas, na maior parte do tempo, não podemos deixar de fazer por medo de errar. Correr um determinado nível de risco, principalmente calculado, é importante, inclusive na vida profissional. É assim que testamos o novo, para descobrir algo que pode dar muito certo.

6. Você está sendo ansiosa(o)

Eu ouvi isso na minha primeira mudança profissional. E depois, ouvi mais algumas boas vezes ao longo dos últimos anos. Há momentos nos quais eu mesma repito essa frase para mim, várias vezes, na tentativa de me acalmar: “Calma, você só está sendo ansiosa. Está tudo bem”. Com a experiência que tenho hoje, ainda não sei ao certo em que ponto acaba a ansiedade e em qual começa a busca por algo que faça mais sentido. Seja uma nova forma de fazer, um investimento melhor ou até uma mudança, eventualmente. Mas a verdade é que, ainda que de fato seja a busca por algo melhor, ela tem que vir acompanhada de calma e não de ansiedade.

7. Procure boas escolas e bons professores

Esta é a única lição dessa lista que não ouvi de ninguém mais sênior. Desde o começo da minha vida profissional, o principal fator que guiou as minhas decisões foi esse: se o lugar onde iria estar, as pessoas com quem iria trabalhar e o que iria fazer se transformariam em um bom aprendizado. Algo de valor.

Não sei se em algum momento da carreira deixamos de buscar boas escolas, há muito o que se aprender. Penso que nunca deixamos de ser alunos, pelo menos sobre algum assunto novo. Afinal, nossa carreira é uma mochila sempre pronta para ficar vazia e cheia de novo.

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Em uma reflexão final, fico muito feliz em dizer que dessas seis lições que aprendi com profissionais que foram verdadeiros professores, três delas ouvi de mulheres. Mulheres líderes, gestoras e mentoras. Esses exemplos femininos foram com certeza muito importantes para que eu enxergasse um crescimento profissional. Por isso, sigo no meu propósito de trazer cada vez mais presença feminina para o mercado financeiro com projetos como o #Bolsaporelas, da Clear, que pretende atrair milhões de mulheres para os investimentos. Vamos nessa?

Pietra Guerra

Pietra Guerra é especialista em ações da Clear Corretora. Antes disso, trabalhou no Itaú BBA, na asset do banco francês BNP Paribas, no Bank of America Merrill Lynch e na trading de commodities Olam International Limited. É formada em administração de empresas pela Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP) e tem especialização no mercado financeiro pela Saint Paul Escola de Negócios