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2021: o ano montanha-russa da Bolsa

Vamos devagar, mês a mês, para lembrarmos como foi o desenrolar do ano de 2021

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Quem entrou na Bolsa no início de 2021 tinha em mente que a alta recente estava dando apenas lugar a uma correção temporária – e esses tinham razão até o mês de junho. Até então, o mercado estava bem, com os principais índices americanos renovando máximas históricas atrás de máximas históricas. Aqui no Brasil, o cenário não estava diferente. Ainda no primeiro semestre, o Ibovespa alcançou o seu maior patamar desde a sua criação, em 131.190 pontos.

De qualquer forma, vamos devagar mês a mês para lembrarmos como foi o desenrolar do ano de 2021.

Em janeiro de 2021, o ano começou com gás total. A nossa taxa básica de juros, a Selic, estava em queda e marcando 2% ao ano, tornando o ambiente de Bolsa de Valores cada vez mais atrativo para o investidor – que procurava rentabilidades mais interessantes e estava disposto a encarar investimentos com maior exposição ao risco.

Logo nas primeiras semanas, a variante Delta chegou ao Brasil e com um potencial de transmissão viral acima das variantes anteriores – e já começou a tentar “jogar água” no nosso chope. O Ibovespa, que vinha fazendo topos e fundos ascendentes, fechou o primeiro mês do ano com queda de 3,32%.

O mês de fevereiro começou, e os boatos de que existiria a possibilidade de uma intervenção política na Petrobras tomaram conta das manchetes. Para quem não sabe, o mercado vê com extrema aversão as tentativas de intervenção política em uma empresa que deve atender aos interesses dos seus acionistas.

Basicamente, a empresa deve focar em fazer o que ela tem como atividade fim, e não servir de manobra para determinado grupo político passar alguma imagem depois de “mexer os seus pauzinhos”.

No segundo mês do ano, PETR4 fechou com desvalorização de -16,67% e, junto com ela, o índice caiu mais de 4% – tendo em vista que PETR3 e 4, somados, são os ativos que mais têm peso na composição do IBOV.

O mês de março começou nesse cenário de incertezas, fazendo com que o dólar atingisse a máxima do ano, cotado a R$ 6,07, nos 6.074,5 pontos. No entanto, toda essa aversão ao risco arrefeceu logo depois. Inclusive, o terceiro mês do ano ficou marcado como o mês da virada – até porque, ainda com as duas quedas mensais, a nossa Bolsa ainda estava com tendência de alta depois de novembro e dezembro de 2020, meses de recuperação surpreendente.

Já o mês de abril engatou a segunda marcha em direção à renovação da máxima de 2021. A máxima até foi renovada, mas o mercado sentiu a força da resistência e travou naquele patamar dos 120.000 pontos.

Após algum tempo com o mercado se acostumando com esse patamar de máximas, começou o melhor mês do ano para a Bolsa: maio chegou com tudo e se consagrou como o mês com a maior alta de valorização (mais de 6%).

Mas, apesar da relevância do nosso mercado um penetra chamou mais a atenção naquelas semanas. Um cachorrinho fofinho, da raça Shiba-Inu, que dá “cara” a criptomoeda Dogecoin, começa a ganhar espaço nas colunas sobre investimentos, com a valorização de 1.100% – e isso apenas de 7 de abril a 7 de maio! De janeiro a maio, a criptomoeda chegou a se valorizar em 13.330%.

Na crista de todo esse entusiasmo do mercado, vamos chegando ao mês de junho, quando o Ibovespa conseguiu, enfim, ultrapassar a barreira dos 130.000 pontos.

No dia 7 de junho, o Ibovespa alcançou a sua máxima histórica, em 131.190 pontos. Mas, infelizmente, tenho que te alertar que essa história não vai acabar tão bem quanto parece.

No mês seguinte, o varejo global foi fortemente impactado por dados abaixo do esperado – e que mostraram que a recuperação da atividade econômica poderia estar abaixo da expectativa do mercado.

Também em junho, os papéis das Lojas Americanas (AMER3 e LAME4) lideraram as quedas, com -25,90% e -22,46%, respectivamente. O top 5 das maiores quedas da Bolsa foi completado por Via, Grupo Pão de Açúcar e CVC.

Julho foi um mês de inflexão do mercado para baixo. E agosto seguiu o ritmo, com o aumento dos riscos fiscais rondando o noticiário político. Além disso, as commodities caíram fortemente com o aumento da regulamentação imposta pela China.

A protagonista do nosso mercado foi a Embraer, que liderou as altas do IBOV no mês, disparando com o aumento dos pedidos de aeronaves elétricas e de decolagem vertical. O ativo subiu +25,98% em agosto.

Na leva negativa, foram descobertos dois casos suspeitos da doença da vaca louca no Brasil em setembro. As exportações caíram drasticamente com o bloqueio imposto pela China – nosso maior comprador de proteína animal – ao Brasil.

Nesses períodos, é preciso ter calma, pois nada é tão ruim que não possa piorar!

Outubro ficou marcado como o mês Evergrande. Para quem não conhece a empresa, a Evergrande é a segunda maior incorporadora imobiliária da China. A empresa também atua em vários outros ramos, como hospitalar, entretenimento e até futebol.

Em 2018, a gigante chinesa estava no seu auge quando o governo chinês decidiu promover um aperto monetário no setor imobiliário a fim de conter a especulação do segmento. O problema é que a Evergrande tinha um passivo de cerca de US$ 300 bilhões e, com a queda nas vendas de moradias e da credibilidade da empresa em pagar as suas obrigações, ela foi colocada em dívida. O receio de que a empresa não pudesse pagar o que devia, e que isso gerasse uma “quebradeira” geral, aumentou a aversão ao risco e fez com que os mercados amargassem quedas generalizadas.

Até que, em novembro, o Ibov alcançou a mínima do ano, na casa de 100.074 pontos. A Evergrande e o governo chinês apresentaram algumas alternativas e o problema foi superado momentaneamente. Com toda essa aversão ao risco, investimentos alternativos a essas questões, como o Bitcoin, foram cada vez mais procurados – não é à toa que a sua máxima histórica foi atingida em US$ 69.000.

Mas, como diz o ditado: “Depois da tempestade vem a bonança”. O último mês do ano chegou com tudo, recuperando patamares superiores aos de novembro. Algumas razões para isso: notícias de que as vacinas conhecidas atualmente são eficazes contra a variante Ômicron e a aprovação dos Estados Unidos dos novos métodos de proteção, como a pílula da Pfizer, em caráter de emergência. No cenário doméstico, contribuíram para a alta a aprovação da PEC dos Precatórios e a diminuição da aceleração da inflação.

Mas a pergunta que não quer calar é: o que o mercado nos reserva para 2022?

Filipe Fradinho

É analista CNPI da Clear Corretora, formado em administração de empresas pela PUC-RIO. Acumula passagens por empresas como Ágora Corretora, Órama e Ativa Investimentos. Atuou como trader profissional, operando Day Trade e Swing Trade de Ações, mas se especializou em operações de Day Trade no mercado futuro de índice e dólar. Atualmente, faz parte do #TeamClear e é responsável pela sala educacional de Análise, a EducaClear, no canal da Clear no YouTube.