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SÃO PAULO – Apesar das marcas deixadas aos investidores em meio ao processo turbulento de revisão tarifária da paranaense Sanepar (SAPR4), o mercado segue atento às empresas de saneamento listadas em Bolsa – e também nos seus processos de revisão.
Desta forma, a boa notícia após a agência reguladora mineira, a Arsae, divulgar informações técnicas sobre o processo envolvendo a Copasa animou os mercados e a ação da companhia chegou a subir mais de 3% na sessão desta terça-feira (4).
Apesar da falta de maiores detalhes sobre os números (as informações técnicas sobre a metodologia não dão muitos detalhes sobre o assunto), os analistas do Itaú BBA apontam que o processo está no caminho certo, especialmente com relação às mudanças no cálculo do WACC (custo médio ponderado de capital) – eles avaliam que ele será em torno de 8 a 8,5 pontos percentuais pós-impostos.
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A nota que foi publicada tem basicamente a metodologia que será usada pela agência para calcular alguns números importantes, como o WACC regulatório, opex regulatório, outras receitas, entre outros. Além disso, o regulador também respondeu às contribuições feitas pelas diferentes partes interessadas, como da própria Copasa e de alguns acionistas.
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Embora o regulador tenha negado algumas das mudanças, aceitou outros itens importantes, apontam os analistas do Itaú BBA, como o cálculo diferente do beta (a ARSAE usará o valor real calculado da Copasa) e a dedução do benefício do imposto de renda sobre o capital somente quando utilizado pela empresa. Neste ponto, ainda há espaço para melhorias adicionais (sem dedução), afirma o banco. “Com essas mudanças, estamos confortáveis que o WACC final a ser estabelecido pelo regulador será de pelo menos 8 pontos percentuais)”,
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A Arsae relatou a opção por usar o beta local da Copasa, a ser calculado por meio da regressão dos retornos logarítimicos semanais das ações da empresa contra os do Ibovespa. O beta reflete o quanto a empresa é afetada por mudanças nas variáveis macroeconômicos, caso de inflação, crescimento econômico e crises externas. O beta mede a sensibilidade dos retornos do papel da companhia frente aos retornos do mercado, exprimindo o risco sistemática do ativo.
Próximos passos
Espera-se agora que a Arsae divulgue o reajuste tarifário preliminar em junho e a tarifa final será revelada até junho. Os analistas do Itaú BBA têm uma hipótese de alta conservadora para alta da tarifa nominal, de apenas 5 pontos percentuais, o que implicaria em um RAB (base de ativos regulatórios) de R$ 10,4 bilhões. “Continuamos com nossa visão positiva sobre a Copasa, especialmente após o recente baixo desempenho”, afirmam os analistas, que possuem um preço justo de R$ 50 para a ação – o que configura um potencial de valorização de 12,2% em relação ao fechamento da última segunda-feira. Vale destacar que o desempenho ruim recente da ação CSMG3 veio em decorrência do processo conturbado de revisão tarifária da companhia de saneamento paranaense Sanepar. Apesar de analistas destacarem que havia pouco em comum nos dois processos, a ação da mineira acabou sendo “contaminada” pelos ruídos no setor (veja mais clicando aqui). E um dos maiores entusiastas nos últimos meses do processo de revisão tarifária da Sanepar, o Bradesco BBI apontou estar positivo com a revisão da companhia de saneamento mineira e fez uma diferenciação entre os processos: segundo o analista Francisco Navarrete, o aumento tarifário implícito em julho de 2017 deve ser de aproximadamente 11% nominal, com visão praticamente inalterada em relação à estimativa anterior. “Dito isto, não vemos necessidade de um diferimento semelhante ao da Sanepar”, aponta. Vale destacar que o diferimento foi um dos alvos de polêmica da companhia paranaense, uma vez que era esperado um reajuste por quatro anos, mas a agência reguladora divulgou nota preliminar defendendo um reajuste em 8 anos. No caso da Copasa (CSMG3), se acontecer um diferimento de fato, o aumento da tarifa é pequeno o suficiente para que possa ser implementado em 4 anos ou menos, diz o analsita. De acordo com Navarrete, a nota técnica da Arsae trouxe quatro pontos, sendo dois negativos, um neutro e um positivo. Entre os pontos negativos, está uma depreciação da base de ativos acima da esperada, em cerca de 4%, versus a expectativa de 2,4% do banco, o que levaria a um RAB de R$ 11,5 bilhões versus a estimativa anterior de R$ 12,9 bilhões (o que vem a ser o segundo ponto negativo). Já o WACC foi em linha, enquanto o ponto positivo foi o incentivo para que os municípios renovem os contratos de serviços com a Copasa, com custos neutros para a companhia. Segundo o Bradesco BBI, enquanto dois dos pontos mencionados acima levam a uma possível queda do preço-alvo que o banco tem para a Copasa, o valuation segue muito atrativo. Assumindo um RAB de R$ 11,5 bilhões e 7,8% do WACC real, o preço-alvo cairia de R$ 83,00 para R $ 75,00, ainda representando um potencial de valorização de 68% em relação ao fechamento da véspera. Neste cenário, a Copasa apresenta um desconto substancial da ação da companhia em relação à Sabesp, sendo negociada a um EV/RAB (EV = enterprise value, ou “valor de mercado + dívida líquida”/RAB) de 0,7 vez, ante o múltiplo de 0,86 vez da companhia paulista. Desta forma, ainda em meio ao processo de revisão tarifária da Sanepar, que terá os seus capítulos finais nos próximos dias, o mercado fica de olho na revisão da Copasa. Os investidores cruzam os dedos para um processo mais tranquilo, o que tem grandes chances de ocorrer, ainda mais levando em conta o menor reajuste que está em jogo. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!