Quer uma recomendação explosiva muito especulativa e “pouco” fundamentalista? Essa é a sua ação

Analistas do Bradesco BBI destacaram perspectivas de alta para as ações da Cesp, vendo um aumento de chances para a privatização da companhia 

Lara Rizério

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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SÃO PAULO – Há muitas “técnicas” disponíveis no mercado para escolher ações para se investir, como olhar para os fundamentos da companhia ou olhar para o movimento do mercado para comprar ou vender um papel. Mas, se você quer olhar para uma recomendação meramente especulativa, esta pode ser a sua ação. 

Trata-se da Cesp (CESP6), que na semana passada teve o preço-alvo elevado pelo Bradesco BBI de R$ 17,80 para R$ 24,00, com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado). De acordo com os analistas Francisco Navarrete, Arthur Pereira e Bruno Pereira, aparentemente, não existem informações novas sobre o processo/timing de privatização.

Contudo, a equipe de análise chama a atenção para o fato de que a possível extensão das concessões por mais 30 anos pela Lei 13.360 estaria condicionada a venda do ativo até fevereiro de 2018: “portanto, seria bem importante ter este processo avançando até o final de 2017”, apontam eles. Esta lei visa permitir que a Eletrobras venda seus ativos de distribuição, estendendo as concessões por essas três décadas desde que eles sejam negociados até fevereiro de 2018 (prazo final). “Embora não seja este o acordo, tal regra poderia ser aplicada à Cesp”, explicam os analistas. 

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Desta forma, a visão é de que o Estado de São Paulo tem incentivos claros para dar andamento à venda da CESP até começo de 2018, o que leva a assumir a privatização como o cenário-base. O preço-alvo anterior, de R$ 17,80, embutia uma chance de 50% da privatização ocorrer. 

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Porém, no total, o Bradesco BBI possui outros três cenários além do base, que podem ser vistos abaixo:

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1) Cenário pessimista (preço-alvo de R$ 14,00, potencial de desvalorização de 22%): sem privatização e concessões vencendo em 2028. 

2)  Cenário-base (preço-alvo de R$ 24,00, com um potencial de valorização de 34%): o cenário contempla a privatização da companhia e concessões vencendo em 2028. Vale destacar que a equipe de análise do banco segue conservadora sobre a possível extensão, embora acredite que existe chance considerável disso acontecer.

3)  Cenário otimista (preço-alvo de R$ 30,00, com potencial de valorização de 68%): neste cenário, há privatização e as concessões são estendidas por mais 30 anos (Lei 13.360) – assumindo TIR real de 10% no fluxo estendido de 2028 a 2047 e pagamento de outorga de R$ 1,5 bilhão.

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4) Cenário muito otimista (preço-alvo iria para R$ 34,50): o cenário considera a privatização e os 30 anos de extensão das concessões, menos o pagamento de qualquer taxa de concessão. “Estas premissas parecem improváveis, uma vez que representa a transferência de fundos do governo para o Estado. 

Além do incentivo como a extensão da concessão por trinta anos, os analistas também apontam outros pontos importantes para a venda da Cesp: o novo ambiente político do Brasil e a potencial necessidade dos estados de venderem ativos para ajudar nas contas – embora esse não seja o caso de São Paulo. 

Por outro lado, os analistas também apontam os riscos, sendo o principal a sensibilidade política antes das eleições de 2018. Em relação aos potenciais compradores, o Bradesco BBI vê alguns interessados, incluindo as grandes empresas europeias e chinesas, que recentemente vem ganhando participação no setor. “Além disso, as provisões da Cesp de cerca de R$ 6 bilhões que destroem valor provavelmente poderão gerar uma oportunidade para um player privado (a partir da renegociação de valores)”, apontam. 

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Se na semana passada esta era a visão do Bradesco BBI, nesta semana os estrategistas ainda colocaram a companhia entre as dez ideias de small caps do banco, Eles apontam que, em um cenário em que a queda de taxa de juros deve aumentar as chances de surpresas positivas de crescimento no Brasil, as small caps devem se beneficiar mais do que os large caps. A Cesp está na lista justamente por conta das perspectivas de privatização. 

 Por outro lado, vale destacar outras opiniões sobre a companhia. Na última quinta-feira, o Santander rebaixou a recomendação para as ações da Cesp de compra para neutra.  Os analistas apontam que o forte desempenho do papel tem se baseado no potencial de privatização da companhia. Mesmo acreditando que esse cenário pode se materializar, os analistas atualizaram o modelo avaliando que o mercado já precificou, mesmo que parcialmente, essa expectativa, enquanto há algumas incertezas no radar. 

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.