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SÃO PAULO – A sexta-feira (7) é de fortes emoções para os investidores da Braskem (BRKM5). As ações da companhia abriram a sessão com forte queda de 8% e expressivo volume financeiro, mas viraram para alta ao longo do pregão, chegando a subir 2,93% e fechando com ganhos de 1,71%. A empresa, que tem como uma das controladoras a Odebrecht, empresa implicada na Operação Lava Jato, sofreu um baque na Bolsa em meio à notícia desta manhã do jornal Valor Econômico.
O jornal apontou nesta manhã que o México começou uma investigação entre a Pemex e a Odebrecht após esta última e a Braskem admitirem pagamentos de cerca de US$ 10,5 milhões em propinas para funcionários do governo mexicano, incluindo um “funcionário de alto nível de uma empresa estatal mexicana” para ganhar um contrato – o que a Braskem negou durante a manhã em fato relevante. Ao contrário do que diz a reportagem, a Braskem informou que “o acordo firmado por ela com o DOJ e a SEC (a CVM dos EUA), em dezembro do ano passado, não contém relato ou admissão de prática de qualquer ato ilícito relacionado à sua atividade no México, inclusive ao contrato de fornecimento de etano naquele país”.
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Já a Pemex informou que o depoimento dos funcionários é uma exigência da Procuradoria Geral da República do México (PGR). “Dada a natureza da investigação que se seguiu e em atenção ao devido processo [legal], os nomes das pessoas não podem ser divulgados agora”, diz o comunicado. A Pemex listou quatro contratos assinados com a Odebrecht e a Braskem no período de 2010 a 2014, sendo o mais antigo um contrato de suprimento de etano celebrado em fevereiro de 2010 entre a Pemex Gas Y Petroquímica Básica, a Braskem S/A e o grupo Idesa, um dos maiores do México. abrasileira formou uma “joint venture” para construção do Complexo Petroquímico do México, que recebeu investimentos de US$ 5,2 bilhões. Essa unidade é capaz de produzir anualmente 1,05 milhão de toneladas de eteno e polietileno.
Conforme destacou um gestor ao InfoMoney, o movimento da ação da companhia foi parecido com o registrado no último 3 de fevereiro, quando foi publicada a matéria “Braskem é contestada pela Petrobrás nos EUA”. A ação sofreu muito na Bolsa naquela sessão (fechando em baixa de 3,8%), apesar da companhia não ter recebido na ocasião nenhuma notificação formal sobre os questionamentos. Contudo, registrou 5 sessões de ganhos na Bolsa no dia posterior à matéria, acumulando ganhos superiores a 10% nesse período.
“Hoje ocorreu praticamente a mesma coisa. A ação chegou a cair mais de 8% com notícias de que os trabalhadores da petrolífera estatal mexicana Pemex deveriam testemunhar sobre os contratos concedidos à Odebrecht e à Braskem. Depois da companhia esclarecer que o acordo de dezembro 2016 com Departamento de Justiça dos EUA e a SEC não tem relato com México, a ação saiu de queda de 8% para alta de 1,4%”, aponta o gestor. Segundo ele, esses movimentos abruptos geralmente acontecem nas ações de companhias que estão envolvidas em assuntos que o mercado tem pouca informação, cobertura ou segurança.
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Mas quem será que conseguiu ganhar com o trade da Braskem: “compre na baixa e venda na alta?” De acordo com esse gestor, dada a forte volatilidade do papel da companhia principalmente em meio ao risco “Lava Jato”, poucos fundos têm essa ação encarteirada. Porém, ao mesmo tempo em que eles estão pouco expostos – e os expostos na ação sofrem com a forte volatilidade – muitos operadores de mercado ganharam ao operar com o fluxo de notícias, ao comprar no “pânico” do mercado e vender quando o mercado passou a absorver melhor a notícia.
A companhia viu sua ação registrar um grande volume, de cerca de R$ 110 milhões, até às 11h15, de um total de R$ 217 milhões durante o pregão desta sexta. A ação atingiu a mínima do dia às 10h30, quando caiu 8,25%, a R$ 30,04 e voltou ao preço de abertura (de queda de 0,6%) justamente por volta das 11h15. Nesse período, quem liderou a venda quando as ações caíram foram os Merrill Lynch, Morgan Stanley e Citi, sendo os principais compradores das 10h35 às 11h15 o Citi, Santander e Ativa. Já das 11h20 às 17h15, os maiores compradores foram disparados os vendedores de antes Merrill Lynch e Morgan, indicando possivelmente uma volta dos estrangeiros após o susto inicial com a notícia.
Perspectivas positivas para resultados
A notícia do Valor azedou a ação da companhia no início do pregão por alguns motivos, como a avaliação de que o “TCU mexicano”, ou Agência de Contabilidade do México, teria apontado irregularidades em contratos e que houve petições para cancelar todos os contratos entre a Braskem e a Pemex, o que teria um forte impacto nos planos da petroquímica no país, principalmente em relação aos contratos de etano. A Braskem investiu US$ 5,2 bilhões na planta do México e esperava-se que ela contribuiria com cerca de 20% do Ebitda da empresa. Conforme destacou o UBS, se os contratos forem rescindidos, a Braskem seria forçada a Apesar de tudo, ao longo do pregão, as ações da companhia amenizaram as perdas e viraram para alta, chegando a subir 2,93% na máxima do pregão, com os mercados reavaliando os efeitos da notícia. “Embora reconheçamos o fluxo negativo de notícias sobre os contratos assinados pela Odebrecht e que possam também afetar as percepções sobre o contrato de fornecimento de etano assinado entre a Braskem e a Pemex, devemos ter em mente que: i) o contrato de fornecimento de etano foi assinado pela Braskem e pela Pemex em 2008, quando o mercado petroquímico e a produção de etano da Pemex estavam enfrentando um cenário completamente diferente; ii) o projeto foi realmente proposto pelo governo mexicano para industrializar o País – várias outras empresas participaram do processo, mas decidiram recuar devido à crise de 2008; iii) a Pemex está trabalhando para se desfazer do negócio petroquímico e, se quebrar o contrato com a Braskem – sem as evidências apropriadas -, aumentará a percepção de risco no México e iv) a usina mexicana foi financiada por um projeto de financiamento por um “pool” de bancos, incluindo agências de desenvolvimento internacionais, que teriam sido diligentes na auditoria dos contratos”, aponta o Itaú BBA. Já o UBS aponta que, apesar da notícia negativa, seguem positivos com a ação, possuindo recomendação de compra e preço-alvo de R$ 45,00. “Nós temos uma boa visibilidade sobre as tendências operacionais e acreditamos num forte primeiro trimestre baseado: i) fortes spreads nas resinas polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC) e especialmente, butadieno”, afirmam os analistas. “Nós acreditamos que esses fundamentos encorajadores levarão a empresa atingir novamente o EBITDA de R $ 3,0 bilhões, mostrando números positivos numa base anualizada”, afirmam os analistas, que veem um valuation atrativo para o papel. Vale destacar que, nesta semana, o Santander soltou nota sobre a empresa recomendando compra para o papel, em razão da expectativa por “fortes” resultados operacionais no primeiro trimestre de 2017. “Provavelmente será o maior Ebitda da história da empresa em dólares”, comentaram os analistas do banco Christian Audi e Gustavo Allevato. Assim, o movimento da Braskem nesta sessão mostrou que a companhia possui bons fundamentos, capazes de animar os investidores apesar da grande volatilidade. Porém, para operar a ação e encontrar boas oportunidades de entrada no papel, é preciso ter sangue frio – e acompanhar de perto o noticiário do mercado. Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!
comprar matéria-prima a preço de mercado e haveria uma perda anual de R $ 300 milhões no EBITDA para a empresa, o que seria um baque. “Não temos estimativa de possíveis multas, o que poderia ser outro baque (no final do ano passado, a Braskem havia desembolsado US$ 957 milhões em danos e multas relacionados com a investigação Lava Jato, que não se aplica a essa situação)”, afirmam os analistas Luiz Carvalho e Julia Ozenda.