O “pior setor” da Bolsa em 2016 virou a página este ano – e não é só por causa do dólar

Paciência parece ser uma boa pedida para quem quer investir nas ações do setor de papel e celulose

Lara Rizério

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Setor de papel e celulose (Shutterstock)
Setor de papel e celulose (Shutterstock)

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SÃO PAULO –  No começo de agosto de 2016, destacamos no InfoMoney um relatório do BTG Pactual que trazia uma análise da “pior ação do ano” naquele momento, e que ela poderia representar uma boa oportunidade para o investidor que tivesse um estilo “Warren Buffett” de investimento – isto é, comprar agora e sem muita pressa de que receber retorno positivo. A empresa em questão era a Fibria (FIBR3), que sofria com uma combinação de queda do dólar (boa parte da receita dela é via exportação) e derrocada nos preços da matéria-prima que ela produz, a celulose.

Embora no relatório em questão os  Leonardo Correa e Caio Ribeiro fizessem uma mea-culpa mea-culpa por não terem conseguido antecipar tal movimento negativo, naquele momento eles passaram a indicar a ação como uma grande barganha para “value investors”, que possuem um horizonte de longuíssimo prazo. Por tal movimento, a dupla do BTG manteve a recomendação de compra para Fibria, que na época valia cerca de R$ 19 por ação na Bolsa. (Veja mais sobre o relatório clicando aqui).

Oito meses se passaram e a empresa atualmente é cotada a R$ 29 na Bovespa, o que indica valorização de mais de 50%. Será que Correa e Ribeiro mudaram de opinião sobre o “call de longo prazo”? O relatório divulgado neste domingo (2 de abril) mostra que não: para eles, os investidores seguem pessimistas com o setor pela expectativa de forte oferta que virá em 2018 tanto dos projetos da Oki quanto do Horizonte II. Contudo, eles afirmam: “diante dos recentes acontecimentos, as coisas não parecem tão ruins quanto parecem e não descartamos aumentos [de preços na celulose] ao longo dos próximos meses”, afirmam os analistas do BTG, reiterando a visão positiva para o setor. O próprio nome do relatório já era um bom indicativo do viés dos analistas: “Why so bearish?” (tradução livre: por que tão pessimista?).

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Antes de avançarmos na análise de Fibria, vale destacar que a ação segue na Carteira InfoMoney desde outubro do ano passado, sendo a melhor opção para se expor em um cenário de “stress” no mercado, que pode puxar o dólar para cima e consequentemente ajudar nas receitas projetadas da empresa, explica Thiago Salomão, analista responsável pela Carteira InfoMoney.

A ação FIBR3 é uma das 10 ações que seguem na Carteira InfoMoney de abril. A lista completa das ações recomendadas deste mês já está disponível para os alunos do curso Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora (clique aqui para acessá-lo). Para quem não for aluno, ela será divulgada na sexta-feira (7) ao vivo às 14h (horário de Brasília) na InfoMoneyTV.

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O BTG indica três pontos para acreditar que o cenário não é tão ruim quanto o mercado estima:  (i) A APP (Asia Pulp e Paper) informou na semana passada que não deve vender celulose de mercado em 2017 (menos volatilidade de preço) e ainda não está confortável com qualidade de celulose (o que pode indicar potenciais atrasos com a linha 2); (ii) algumas paradas de manutenção que devem acontecer ao longo de abril e maio na Ásia (o que pode ajudar a manter mercado equilibrado) e iii) as condições de demanda (particularmente na China) permanecem sólidas.

Desta forma, Ribeiro e Correa seguem otimistas com o momento de preço no curto prazo e apontam que não deve haver a entrada de grandes projetos depois de 2018, o que ajuda na dinâmica de preço de longo prazo. Contribuindo para esse cenário, as empresas continuam a observar fortes tendências de procura em todas as regiões, além de aumentos globais no preço de papel e menores estoques; as expectativas de depreciação adicional do yuan também impulsionaram os preços da celulose hardwood.

Em qual ação do setor investir?

Há três opções dentro do setor para investir: Klabin, Suzano e Fibria – e os analistas de mercado divergem bastante sobre qual papel escolher. Os analistas do BTG reiteraram recomendação de compra para a Suzano (SUZB5), que é a top pick do setor com preço-alvo de R$ 18,00, e para a Fibria (FIBR3), com preço-alvo de R$ 38.

Sobre Klabin (KLBN11), o BTG mantém recomendação neutra, mas inclui a empresa na sua carteira recomendada de abril, citando a “underperformance” recente das units KLBN11 em Bolsa. Na visão dos analistas do BTG, o mercado atribui um valor zero ao Projeto Puma, o “que parece exagerado”. Vale destacar que, em meio à turbulência após a saída de Fabio Schvartsman da presidência da companhia para a ida para a Vale, os analistas do Itaú BBA elevaram a recomendação para a Klabin (veja mais sobre o assunto clicando aqui).

Fazendo uma contraposição, o Bradesco BBI divulgou um relatório também no último domingo, mas atribuindo recomendação “underperform” (similar a venda). O analista Thiago Lofiego apontou estar cauteloso com o setor, acreditando em excesso de demanda em 1 milhão de toneladas apenas no segundo semestre de 2017 e 2,3 milhões em 2018, levando aos preços mais baixos da celulose. Neste cenário, os analistas preferem a Klabin, mas com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 16,00, justamente dada a menor exposição a celulose e ao cenário de câmbio. Suzano também tem recomendação neutra com preço-alvo de R$ 15,00, enquanto possuem recomendação underperform para FIBR3, com preço-alvo de R$ 28,00. Para as últimas duas, Lofiego aponta que elas devem sofrer mais diretamente com a queda nos preços da celulose.

Em termos de fundamentos, o mercado diverge sobre elas. Mas a qualquer sinal de tensão dos mercados, o dólar pode responder com alta e tanto Fibria quanto Suzano podem reagir positivamente.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.