Balanço positivo deflagra (ainda mais) qual é a melhor construtora da Bolsa

MRV é a preferida dos analistas: balanço sólido e boas perspectivas de crescimento, além de ter "andado" pouco

Lara Rizério

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Condomínio (Foto: Divulgação/MRV)
Condomínio (Foto: Divulgação/MRV)

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SÃO PAULO – Como falado no evento de atualização da Carteira InfoMoney de março (clique aqui), o setor imobiliário não faz parte das nossas recomendações, uma vez que temos preferências por outras papéis, ainda mais levando em conta aqueles que se beneficiam do cenário de queda de juros. Contudo, a MRV é uma das ações mais baratas do setor se fossemos escolher um dos papéis do setor, ela certamente estaria entre deles.

Essa avaliação de que a ação está barata ficou ainda mais evidente após a divulgação do balanço da companhia na noite da terça-feira, em que a companhia apresentou números sólidos. Além disso, o cenário mais promissor para as construtoras de baixa e média renda em relação aos pares fez com que a ação tivesse fortes ganhos, chegando a subir 3% (mas depois amenizando fortemente a alta, seguindo o dia negativo do mercado). Essa visão, por sinal, ficou tão deflagrada que até o co-presidente da companhia, Eduardo Fischer, afirmou isso em entrevista à Bloomberg: “nossa ação estava num patamar irreal. Muito, muito baixa. Eu diria que continua baixa. Tem que subir mais”.

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Após o balanço, em que a companhia apresentou uma leve alta de 1,2% em um ano, fechando o quarto trimestre em R$ 142 milhões – ante R$ 140 milhões um ano antes, enquanto a dívida líquida teve expressiva melhora, caindo 44,3%, de R$ 525 milhões para R$ 293 milhões de 2015 para 2016. 

Outros pontos positivos foram a forte geração de caixa de R$ 140 milhões e a queda do volume de distratos com a adoção da nova política de venda e crédito imobiliário (vendas simultâneas). Assim os distratos ficaram em R$ 285 milhões (queda de 19,5% na comparação anual), atingindo taxa de distratos/vendas 22,1%. No acumulado do ano de 2016, os distratos totalizaram R$ 1.232 milhões (queda de 24,9% na base anual). O controle de despesas gerais e administrativas, a alta da margem bruta e a queda de 9,7% dos cancelamentos na comparação trimestral também foram apontados como fatores por trás do forte balanço da construtora.   

Em meio a isso, um dos exemplos de otimismo é o do Bradesco BBI, que manteve os ativos MRVE3 como top pick do setor, com preço-alvo de R$ 14,00 e destacando: “a companhia é a construtora mais barata dentro do nosso universo de cobertura”.

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Andou pouco na Bolsa?

Conforme aponta o analista Luiz Mauricio Garcia, o balanço da construtora confirma o forte momentum para o segmento de baixa-renda. A margem bruta foi um dos destaques, passando para 33,4%, de 32,2% no terceiro e 31,1% em igual período um ano antes, em meio aos esforços para aumentar a eficiência dos projetos, incluindo renegociação de contratos de fornecimento e corte de custos. 

O Credit Suisse aponta ainda que os lançamentos da MRV podem crescer 20% enquanto o giro de capital deve ficar estável. Além disso, os analistas apontam que os dias de recebíveis devem continuar a cair, o que deve ser o suficiente para ofuscar as necessidades maiores de capital de giro para crescimento no futuro. Com isso, a expectativa é de que a construtora seja capaz de aumentar os lançamentos, enquanto mantém o capital de giro e assegura a forte geração de caixa. 

Além disso, as recentes alterações do Minha Casa Minha Vida tornaram os analistas mais otimistas sobre os planos da companhia em meio ao: aumento de 10% do número de casas direcionadas para o programa e à ampliação para a renda elegível para participar do MCMV. 

Em meio a esse cenário positivo, os analistas do Credit Nicole Hirakawa e Luis Stacchini elevaram a recomendação para os papéis MRVE3 de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado) com preço-alvo de R$ 16,00 (ante R$ 13,00) para os ativos.

No mesmo relatório em que elevou a MRV, os analistas rebaixaram a recomendação das ações da Cyrela (CYRE3) e da EzTec (EZTC3) de outperform para neutra, destacando que os papéis já refletem o cenário mais positivo no médio prazo após os ralis respectivos de 50% e 40% desde dezembro. As ações da MRV subiram 27% no mesmo período. Ou seja, bem menos do que as outras companhias do setor.

Com uma forte resiliência ao cenário negativo de 2016 e as melhores perspectivas para este ano, aliada ao passo mais devagar das ações na Bolsa, torna as ações da companhia praticamente uma unanimidade entre os analistas. 

“Em um cenário de contração no segmento, a empresa conseguiu apresentar melhorias na margem bruta, receita líquida e geração de fluxo de caixa sólida, com dívida sob controle e um declínio na cancelamentos de vendas. Acreditamos que a maioria das condições MRV que beneficiaram em 2016 estará presente em 2017, nomeadamente a disponibilidade de financiamento através do FGTS e a forte demanda”, aponta o BB Investimentos.

Os analistas ainda apontam que seguem preocupados com algumas condições macroeconômicas, como o elevado desemprego, especialmente o nível e o declínio nos salários reais, que são muito importantes e que dão sinais ainda desafiadores. “Contudo, nós acreditamos que a MRV permanece como o caso de investimento mais interessante no segmento, e mantemos a nossa recomendação outperform com o preço-alvo de R$ 14,70”. Por fim, assim como BB Investimentos, Bradesco BBI e Credit Suisse, os analistas do BTG Pactual destacam estar muito otimistas com a ação, recomendando compra e com preço-alvo de R$ 14,00.

Assim, os analistas apontam: a MRV é uma grande oportunidade dentro do setor de construção civil. 2017 está aí para testar esse cenário. 

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.