Uma herança (quase) inevitável: as crenças financeiras dos seus antepassados

A maior parte das nossas crenças financeiras é formada na infância e, mesmo que os seus pais nunca tenham falado de dinheiro com você, tudo o que você ouviu e viu que tenha o assunto “dinheiro” envolvido foi absorvido nesses primeiros anos de vida

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Você sabe quais são as suas heranças? Digo no plural mesmo, pois todos nós temos muitas heranças. Para além de bens ou patrimônios, nossa herança genética e cultural representa uma grande parte do que somos.

Sabemos que o DNA armazena nossos genes, sendo o responsável por você ter o nariz idêntico ao da sua mãe e os olhos castanhos do seu avô.

Mas e em relação ao comportamento e à forma de enxergar a vida, o quanto você percebe essa herança? E os hábitos e crenças financeiras sobre o dinheiro: será que você herdou muito ou pouco deles?

Na psicologia do dinheiro, há uma linha que estuda as heranças intergeracionais sobre o uso dos recursos financeiros. Ela identifica e analisa a maneira como gastamos e poupamos, e busca a relação com o que aprendemos no nosso núcleo familiar.

A sua habilidade ou inabilidade para organizar e seguir o planejamento financeiro, ou mesmo as crenças positivas e negativas que você nutre sobre o dinheiro, podem ter mais a ver com os seus pais e todos os seus antepassados do que você gostaria de admitir.

Nossas atitudes em relação ao dinheiro são formadas desde cedo, à medida que absorvemos como as pessoas ao nosso redor lidam com esse recurso. Algumas dessas crenças, como o próprio hábito de poupar, são positivas.

Outras, como a aversão a pessoas ricas, podem ser mais prejudiciais do que úteis quando queremos construir riqueza em nossas próprias vidas.

Você enxerga o dinheiro como algo complicado e estressante? Talvez você pense assim porque cresceu vendo seus pais com dificuldades financeiras, por exemplo.

A maior parte das nossas crenças financeiras é formada na infância e, mesmo que os seus pais nunca tenham falado de dinheiro com você, tudo o que você ouviu e viu que tenha o assunto “dinheiro” envolvido foi absorvido nesses primeiros anos de vida.

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Independentemente de você ter crescido com muito ou com pouco, sua visão será despertada à medida que, na sua infância, você viu seus pais, seus tios e seus avós se relacionando bem ou mal com os recursos financeiros.

Mas lembre-se: seus pais também já foram crianças e desenvolveram as crenças deles observando os mais velhos.

Eles podem ter mudado e superado traumas financeiros, ter dado a volta por cima e saído de uma infância de escassez. Mas eles provavelmente também possuem dificuldades inconscientes em relação às suas crenças.

Entenda o poder do autoconhecimento financeiro e aprenda a lidar melhor com seu dinheiro

Nesse processo, seus pais também tomaram decisões que ensinaram a eles o que era mais importante. Talvez eles tenham sacrificado o próprio lazer e conforto para que você pudesse estudar em uma boa escola particular.

Como são as suas primeiras lembranças sobre dinheiro? E para o seus pais, como foi? Se eles ainda estiverem vivos, faça algumas perguntas que irão preencher a história de sua família com um pouco mais de clareza.

Você pode aprender algo surpreendente e, assim, ter uma ideia de como as experiências deles com dinheiro ainda o afetam.

Rever sua herança financeira não é um exercício de culpar os seus pais ou a si mesmo. Trata-se apenas de compreender as forças silenciosas que afetam a forma como usamos nosso dinheiro.

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Se formos capazes de reconhecer onde estamos presos por atitudes negativas em relação ao dinheiro ou hábitos de consumo pouco saudáveis, podemos fazer mudanças positivas e prosperar.

Qual foi a melhor coisa que você aprendeu sobre dinheiro?

Lembre-se: o que seus pais fizeram era o que estava ao alcance deles. O que você vai fazer dependerá apenas de você. O mundo mudou, as formas de poupar e de investir também.

Dedico este texto a todas as famílias que descobriram seus valores como suas maiores riquezas.

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Thiago Godoy

É head de educação financeira da XP Inc. e especialista em psicologia do dinheiro e bem-estar financeiro. É mestre pela FGV – Tese em Educação Financeira, especialização em Sustentabilidade (University of British Columbia), tem MBA em Marketing (FGV) e graduação em administração (UFJF). Foi diretor de mobilização de recursos e relações governamentais da Associação de Educação Financeira do Brasil, atuando especialmente com populações de baixa renda e escolas públicas. Também atuou com desenvolvimento institucional na Dialogue Direct e Children International (EUA), Fundação Vida Plena (Bolívia), Projuventude e Comitê para Democratização de Informática (Brasil). Instagram: @psifinanceiro