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Ninguém sabe o que o futuro reserva. Mas, se você tiver uma visão mais ampla de como ele pode ser, talvez possa se planejar e agir melhor

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Jeanne Calment comemorando 121 anos de idade em 1996.

Você já ouviu falar de Jeanne Louise Calment?

Nos anos 1960, um advogado francês chamado André Raffray acreditava ter fechado o melhor negócio da sua vida. Ele ficou encantado com um apartamento em Arles, no sul da França e conseguiu convencer a viúva que morava lá, Sra. Jeanne Calment, a aceitar a seguinte proposta: Raffray pagaria a ela 2.500 francos (cerca de US$ 500 em valores da época) todos os meses, até ela morrer, se ela deixasse para ele o apartamento em seu testamento.

Como Jeanne já tinha 90 anos na época do negócio, essa parecia uma boa proposta, não?

Pois trinta anos se passaram, o Sr. André Raffray já havia falecido e a Sra. Calment ainda estava forte. Quando ela finalmente faleceu aos 122 anos, após se tornar a pessoa mais velha do mundo já documentada na história, a família Raffray pagou a ela mais do que o dobro do valor da casa.

Após essa pequena história, devo te dizer que pensar no longo prazo não é algo natural para o nosso cérebro. Nossas mentes não foram evolutivamente desenhadas para pensar no futuro. Até meados do século 19 a expectativa de vida, mesmo em lugares mais desenvolvidos, não ultrapassava 35 anos de idade.

Sabendo disso, entenda que estamos condicionados a lidar com o curto prazo, com o que que está acontecendo agora, fazendo com que tenhamos uma visão limitada do amanhã, do mês que vem, dos próximos 10 ou 20 anos.

Essa visão limitada do longo prazo e a valorização do curto prazo trazem diversas consequências. Se você passa por alguma situação difícil hoje, como uma decepção com alguma pessoa, por exemplo, essa situação vai dominar a sua mente.

Você tende a focar no problema de curto prazo e obscurecer os seus planos de longo prazo. Inclusive as oportunidades que podem surgir hoje poderão nem ser percebidas. Sua ansiedade com os contratempos do presente pode te atrapalhar.

O piloto automático da sua mente pode te levar a um viés de negatividade que amplia a dimensão do que realmente está acontecendo no momento.

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Por isso, estabelecer objetivos de longo prazo para a sua vida é essencial. São eles que vão te ajudar a colocar qualquer contratempo na perspectiva que ele de fato merece.

O valor de adotar uma visão de longo prazo é não levar as coisas mais a sério do que elas merecem, porque, em última análise, elas se resolverão se você for paciente. O pensamento de longo prazo te ajuda a perceber que sua situação vai melhorar e você nunca está preso(a) nas circunstâncias atuais.

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E com o dinheiro é a mesma coisa. Você precisa adotar uma visão de longo prazo. Você provavelmente vai viver mais do que imagina. Por isso, precisa adotar, a partir de hoje, um comportamento com o seu dinheiro que considere isso.

Subestimar quanto tempo alguém viverá, como fez o Sr. Raffray, pode custar caro, como têm descoberto governos e planos de previdência privada endividados. Eles estão lutando para cumprir as promessas feitas em tempos mais fáceis. As pensões públicas ainda são a principal fonte de renda para pessoas com mais de 65 anos em todos os países da OCDE.

Alguns países europeus como Itália, Portugal e Grécia possuem um número de idosos cada vez maior e uma força de trabalho cada vez menor. Como resultado, estão tendo mais dificuldade para financiar esse grupo crescente de aposentados.

E o problema maior é que as pessoas não estão se preparando para isso. A maioria delas simplesmente não economiza ou se prepara o suficiente. 40% dos americanos, por exemplo, se aproximam da aposentadoria sem nenhum preparo.

Ninguém sabe o que o futuro reserva. Mas, se você tiver uma visão mais ampla de como ele pode ser, talvez possa se planejar e agir melhor.

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Preparar-se financeiramente para o futuro impacta positivamente sua saúde financeira também no curto prazo, pois organiza os seus hábitos e te proporciona mais paz em saber que você tem uma reserva para imprevistos.

Thiago Godoy

É head de educação financeira da XP Inc. e especialista em psicologia do dinheiro e bem-estar financeiro. É mestre pela FGV – Tese em Educação Financeira, especialização em Sustentabilidade (University of British Columbia), tem MBA em Marketing (FGV) e graduação em administração (UFJF). Foi diretor de mobilização de recursos e relações governamentais da Associação de Educação Financeira do Brasil, atuando especialmente com populações de baixa renda e escolas públicas. Também atuou com desenvolvimento institucional na Dialogue Direct e Children International (EUA), Fundação Vida Plena (Bolívia), Projuventude e Comitê para Democratização de Informática (Brasil). Instagram: @papaifinanceiro