O Dia Mundial da Poupança e a importância de abandonar as formas antigas de poupar

Poupar é essencial se queremos construir nossa independência financeira. Mais importante ainda é aprender como e onde poupar

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No passado, não havia o dinheiro como conhecemos hoje. Os seres humanos praticavam o escambo, trocando os seus pertences. Um saco de sementes poderia ser trocado por uma cesta de frutas, por exemplo. Uma ferramenta sofisticada de metal valeria algumas ovelhas, e assim por diante.

Se você quisesse poupar para tempos de incerteza, poderia estocar sementes e usá-las para obter outras coisas, quando precisasse.

Outra forma primitiva de poupar era criar porcos, animais baratos que se alimentam de restos de comida e se reproduzem rapidamente, além de viverem por bastante tempo.

Em momentos de maior dificuldade, esses animais funcionavam como uma reserva de emergência, uma moeda de troca – e, caso a situação apertasse mais, ainda havia a opção de irem para a panela!

Criar porcos ficou tão vinculado à poupança que, depois que inventamos o dinheiro, usamos o “porquinho” para guardar nossos recursos financeiros. Curioso, não?

Alguns também atribuem o uso do porquinho como cofrinho por causa da alta fertilidade dos suínos. É, faz todo sentido guardar dinheiro ali sabendo que os bichinhos sabem se multiplicar.

Aprenda os conceitos iniciais sobre finanças e comece a investir

Depois da invenção do dinheiro, desenvolvemos outras formas de poupar. Para além do cofrinho, começamos a esconder dinheiro pela casa ou até mesmo enterrá-lo no jardim. As histórias de tesouros enterrados surgiram aí.

Em uma época em que não existiam bancos, uma maneira discreta de guardar dinheiro com segurança era enterrando-o em um lugar que ninguém pudesse adivinhar.

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Com o passar do tempo, o sistema financeiro foi criado e surgiram os bancos. No Brasil, com a chegada da Família Real Portuguesa em 1808, nasceu o Banco do Brasil, fundado pelo imperador D. João VI.

Em 1861, seu neto D. Pedro II criou a Caixa Econômica Federal e, junto com ela, a caderneta de poupança.

Então, já que estamos falando de maneiras arcaicas de se investir, saibam que a caderneta de poupança foi criada por um imperador, quando nosso governo ainda era uma monarquia.

Para você ter uma ideia, em 1861 a luz elétrica não havia sido inventada, a população nesse país era majoritariamente analfabeta e era permitido a uma pessoa ter escravos. Sim, quando a caderneta de poupança foi criada ainda existia a escravidão no Brasil.

No decreto n.º 2.723, de 12 de janeiro de 1861, que criou a poupança, fixou-se um rendimento para ela: 6% de juros ao ano, garantidos pelo Tesouro Imperial.

Se você coloca seu valioso dinheiro na caderneta de poupança, saiba esta informação valiosa: seu dinheiro rende, hoje, muito menos do que renderia em 1861!

O Dia Mundial da Poupança foi comemorado neste último 31 de outubro. Mas esse dia não é sobre a caderneta de poupança, um produto financeiro criado no Brasil, mas sim sobre o hábito de poupar.

O “World Savings Day” (Dia Mundial da Poupança) foi instituído em 31 de outubro de 1924, durante o 1º Congresso Internacional de Bancos de Poupança (World Society of Savings Banks) em Milão, Itália.

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A data foi criada para conscientizar as pessoas de todo o mundo sobre a ideia de economizar seu dinheiro em um banco em vez de mantê-lo sob o colchão, até então o hábito comum da população.

Poupar é essencial se queremos construir nossa independência financeira. Mais importante ainda é aprender como e onde poupar.

Se há alguns milênios estocavamos sementes, há alguns séculos enterrávamos moedas no quintal e há 160 anos colocavam dinheiro na poupança, não significa que você tenha que fazer igual.

Em pleno 2020, posso te dizer com segurança, temos formas tão fáceis e seguras – e certamente mais rentáveis de investir – do que a poupança.

Destrave a sua mente da inércia dos métodos antigos de poupar. Cultive cada vez mais esse hábito e comemore: chegamos a um novo tempo e essa é hora de você aprender como investir.

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Thiago Godoy

É head de educação financeira da XP Inc. e especialista em psicologia do dinheiro e bem-estar financeiro. É mestre pela FGV – Tese em Educação Financeira, especialização em Sustentabilidade (University of British Columbia), tem MBA em Marketing (FGV) e graduação em administração (UFJF). Foi diretor de mobilização de recursos e relações governamentais da Associação de Educação Financeira do Brasil, atuando especialmente com populações de baixa renda e escolas públicas. Também atuou com desenvolvimento institucional na Dialogue Direct e Children International (EUA), Fundação Vida Plena (Bolívia), Projuventude e Comitê para Democratização de Informática (Brasil). Instagram: @psifinanceiro