O ajuste fiscal necessário é maior do que R$ 170 bilhões

O Terraço Econômico avisa: acabar com o déficit de R$ 170,5 bilhões (ou 2,8 % do PIB) estimado pelo governo serve apenas para zerar o resultado primário da contas públicas. Este é apenas o tamanho do rombo atual. O buraco é muito mais embaixo.

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Tenha em mente uma coisa: acabar com o déficit de R$ 170,5 bilhões (ou 2,8 % do PIB) estimado pelo governo serve apenas para zerar o resultado primário do governo. Este é somente o tamanho do rombo atual. Anulá-lo, apenas fará o governo ficar com a conta zerada.

Por isso, devemos lembrar que apenas a conta zerada não será suficiente para uma trajetória saudável da dívida/PIB, abrindo espaço para quedas maiores da taxa de juros. É necessário retomar o superávit primário da ordem que se via antes, como perto de 3% do PIB em 2008 (ou R$ 181,8 bilhões, a preços de hoje).

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Assim, o esforço fiscal deve ter como objetivo conseguir algo em torno de R$ 350 bilhões, que é a diferença do rombo atual e do cenário desejado. Algo superior a 6% do PIB.

Este é o tamanho da encrenca brasileira.

É obvio que apenas o ajuste fiscal não será suficiente, servindo mais como sinalização. Uma retomada da atividade e, portanto, da arrecadação, é essencial nessa nova jornada brasileira em busca da sustentabilidade de nossas contas públicas.

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Passado o desafio fiscal, retornaremos a verdadeira batalha brasileira: a elevação do crescimento potencial do país.

nfsp
Fonte: Banco Central e Ministério da Fazenda


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