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“Tudo ao seu tempo”. Essa foi a frase que escolhi para estampar a caneca de um podcast do qual participarei nos próximos meses, como forma de resumir a minha trajetória nos negócios.
Quando decidimos empreender, quase sempre somos levados a crer que nossos maiores adversários vêm de fora.
Imaginamos que o grande problema será aquele concorrente ardiloso copiando nossos passos, o cliente que acordou de mau humor e destratou a equipe, ou até mesmo um antigo colaborador trazendo dores de cabeça processuais.
Mas a rotina diária é muito mais complexa. E o posto de maior inimigo é ocupado por um obstáculo invisível: o tempo.
Ter a paciência para entender que a maturação dos processos acontece no momento certo, mas simultaneamente nutrir a sagacidade para fazer as engrenagens girarem, é um exercício mental desenhado para poucos.
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Trata-se de um jogo ambíguo: você precisa sustentar o seu próprio senso de urgência, ao mesmo tempo em que respira fundo e aceita que fundações sólidas não se erguem da noite para o dia.
A Geração do agora
Acontece que estamos imersos na era do imediatismo crônico. O mundo foi redesenhado para ser rápido, instantâneo e, tragicamente, efêmero. Sem percebermos, doutrinamos uma geração inteira a abominar a espera.
Criamos um consenso velado de que, se a prosperidade não vier em menos de dois anos, somos um verdadeiro fracasso.
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Mas, desculpem-me o desabafo: prosperar vai muito além de ter lucro rápido. Criar lastro exige dedicação. Formar uma base fiel de consumidores exige constância. E estruturar um modelo sustentável exige testes e mais testes. Ou seja, tudo o que é perene leva tempo.
E outra: existe uma verdade que os algoritmos costumam esconder. Quase sempre, aquele empreendedor que fez uma ideia decolar em menos de um ano é a mesma pessoa que passou a última década tropeçando e tentando fazer dezenas de outros projetos funcionarem.
Um legado forjado na paciência
É exatamente sob essa ótica de maturidade estratégica que podemos analisar a trajetória da Vólus, uma empresa especializada no mercado de cartões de benefícios, gestão de frotas e despesas corporativas.
Há mais de duas décadas, eles vêm esculpindo o seu próprio conceito de solidez.
A história começou no ano 2000, na cidade goiana de Rio Verde. O fundador, Glorivan Parreira — que carrega a experiência de ter criado a Transportadora Brasil Central há 43 anos —, notou uma ineficiência clássica nas firmas da região.
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O adiantamento salarial era feito por meio de tíquetes de papel, gerando perdas e dificultando o controle.
A solução inicial foi introduzir o cartão magnético para gerir esse repasse, dando origem à Brasilcard, que mais tarde, em 2019, passaria por uma modernização de marca para se tornar a Vólus.
Com o passar dos anos, a operação expandiu suas fronteiras, consolidando presença no Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste do país.
Em vez de buscar o lucro efêmero, eles construíram um ecossistema, amadurecendo um portfólio que atualmente conta com mais de 30 soluções.
Os números ilustram bem essa consistência: a companhia transacionou R$ 2 bilhões em 2025, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior, quando havia movimentado R$ 1,7 bilhão.
Hoje, a carteira atende mais de 20 mil empresas, impactando cerca de 2,5 milhões de colaboradores. Entre os clientes estão gigantes privados como O Boticário, Natura e Atacadão, além de companhias públicas como a EMAP.
Tudo isso é sustentado por uma rede de 50 mil estabelecimentos credenciados pelo Brasil. A capilaridade também é garantida por meio de parcerias com adquirentes e bandeiras como Elo, Good Card, Cielo, Rede, Sicredi, Caixa Pagamentos e PagBank.
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A sagacidade das alianças
Esse avanço também é fruto da diversificação inteligente (falei sobre a “Teoria de Coupling” em meu artigo da semana passada). Nas soluções de benefícios corporativos, o ticket médio registrado em 2025 girou em torno de R$ 400.
Já na divisão de gestão de frotas, que oferece soluções para veículos e até aeronaves, o valor alcançou os R$ 2.100.
O vice-presidente da empresa, Antonio de Faria, atribui o crescimento contínuo a um modelo de atendimento próximo, onde um especialista entende a realidade da empresa para entregar soluções personalizadas.
Contudo, a paciência precisa andar de mãos dadas com a sagacidade para inovar. Com essa mentalidade, em 2020, a corporação firmou uma parceria vital com a Evertec Brasil.
A aliança acelerou o negócio de forma substancial. Nos últimos cinco anos, os cartões de Viagens e Despesas Corporativas movimentaram R$ 500 milhões, registrando um salto de cerca de 250% no volume de operações.
O apoio tecnológico da Evertec garantiu agilidade na emissão de cartões virtuais – que acelerou mais de 200% -, além de integrações com carteiras digitais como o Google Pay e a implementação de protocolos de segurança 3DS.
O avanço foi contínuo nessa frente corporativa: a expansão foi de 130% em 2023, 70% em 2024 e mais 45% em 2025, chegando a um crescimento total de 263% no volume de operações. Acompanhando os novos hábitos, a empresa nota que mais de 70% das transações atuais já ocorrem por aproximação.
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Os próximos passos do relógio
O futuro continua sendo planejado com ambição. Para 2026, a projeção é crescer cerca de 50%, com a meta de transacionar R$ 3 bilhões dentro da plataforma.
O diretor de produtos e novos negócios, Gabriel Parreira, destaca o foco em consolidar a marca como uma plataforma financeira completa, ampliando a presença nos grandes centros econômicos.
Dois grandes marcos estão no horizonte. Neste primeiro semestre, aguardam a autorização do Banco Central para operar como Instituição de Pagamento. Já para o segundo semestre, o alvo é o mercado paraguaio, marcando o primeiro movimento internacional da empresa.
Para viabilizar isso, a marca deve passar a trabalhar com a bandeira Mastercard.
A modernização tecnológica também segue firme, com planos de novas conexões ao Apple Pay, Samsung Wallet, lançamento de cartões co-bandeirados e adoção da tecnologia Click to Pay.
A Moral do Tempo
A lição que fica? Os mais de R$ 12 bilhões movimentados no acumulado de 25 anos de atuação da Vólus não caíram do céu. Não vieram de um vídeo viral, nem de uma fórmula mágica.
Eles são a consequência lógica de mais de duas décadas trocando o papel pelo plástico (e agora pela aproximação), ajustando rotas, firmando parcerias e resolvendo problemas reais das corporações.
O sucesso que não evapora exige que façamos as pazes com o calendário. O imediatismo pode até gerar um ganho rápido, mas é a persistência atrelada a uma execução constante que constrói algo duradouro.
Da próxima vez que a ansiedade gritar exigindo resultados para ontem, trabalhe com urgência, sim. Mas plante com a serenidade de quem sabe que as raízes mais fortes demoram a crescer.
Tudo ao seu tempo.