Um dia histórico para o País contado pelo mercado em 6 passos

Além da votação sobre o Impeachment que acabou dando continuidade ao afastamento da presidente Dilma Rousseff, tivemos inúmeros indicadores (dados econômicos) internos e externos que balançaram os nossos mercados

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A quarta feira 31/08/2016 ficará marcada para o mercado financeiro como um dia histórico pelo cenário político, e pelos movimentos conturbados tanto em Bolsa como no setor cambial. Tivemos (6) fatores de extrema importância durante nosso pregão de hoje. Abaixo um resumo sobre os acontecimentos do dia, no final podemos acompanhar um gráfico Ibovespa versus USD/BRL para entendermos como o mercado repercutiu a cada momento em que os fatos se apresentavam.

Além da votação sobre o Impeachment que acabou dando continuidade ao afastamento da presidente Dilma Rousseff, tivemos inúmeros indicadores (dados econômicos) internos e externos que balançaram o mercado.

Destrincharemos cada um desses pontos abaixo:

1) Às 9h (horário de Brasília), saiu o PIB brasileiro referente ao segundo trimestre. O dado saiu bem em linha com o esperado que era de -0,5%.

2) Às 9h15, tivemos o dado americano referente aos números de postos de trabalho no setor privado nos EUA. A expectativa era de 175.000 e os números vieram melhores. Aqui temos um ponto muito importante, pois este indicador é uma prévia de um dos parâmetros mais aguardados por analistas de todo o mundo que irão sair na sexta-feira no mercado americano.

Às 9h30, foi divulgado o “Nonfarm Payrolls”, índice que mostra o número de empregos gerados na economia americana. Como o mundo está atento a qualquer sinal em relação à taxa de juros nos EUA, o dado de hoje deu um tom sobre o que pode vir na sexta-feira. Como tivemos pela manhã um dado acima das expectativas, pode-se imaginar que se na sexta feira tivermos o mesmo resultado (positivo) avançam as probabilidades de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos já em setembro.

Neste momento, o mercado já sinalizava um certo stress no dólar e na Bolsa, mas quando tivemos a tensão aumentou mesmo após o terceiro destaque. 

3) Os dados de estoques de petróleo dos Estados Unidos foram divulgados às 11h30 e a partir desse momento o mercado ganhou um viés bem mais negativo, pois a expectativa eram de 825.000 barris em estoque de petróleo, e o dado veio bem acima da expectativa. O indicador acabou afetando as commodities: o preço do barril WTI chegou a cair 4%, levando junto ações como a PETR4 e outras commodities para baixo e com eles o índice Ibovespa.

O dia foi marcado também pelo vencimento do dólar futuro. Todo final do mês temos a formação da taxa PTAX que é um balizador para contratos dolarizados. Sempre nesta data tem uma “briga” bem forte entre os comprados e os vendidos que pressionam a moeda ao seu favor. A taxa sai às 13h30.

4) Neste mesmo horário estava chegando ao fim a votação do Impeachment. O resultado foi o já esperado: afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff. Neste momento, o mercado deu uma animada, reagiu positivamente.

5) No entanto, quando ela consegue manter os seus direitos políticos, que foram votados pelos senadores (42 votos pela inabilitação e 36 contra), era necessário 54 votos para que Dilma perdesse seus direitos políticos, o mercado volta a reagir negativamente. O dólar retoma a alta até a sua máxima do dia R$ 3,25. Aos poucos os mercados passam a recuperar um poucos das suas perdas, e o IBOV não perde os 57.500 pontos, mesmo com as ações caindo fortemente (destaque para as commodities e o setor bancário). O dólar passa distante da máxima do dia e fecha em leve queda de 0,34% a R$ 3,23.

Para encerrarmos o dia tivemos (6) a manutenção da nossa taxa de juros SELIC pelo COPOM em 14,25% a.a, este dado sai sempre após o pregão, e já era esperado pelos operadores do mercado. 

Depois de um mês de agosto “amarrado” no mercado brasileiro, sem muita tendência tanto para o mercado de bolsa quanto de dólar, acredito que agora só depende do novo governo tomar as medidas necessárias, e que elas passem tanto no Congresso como no senado sem complicações para que os investidores entendam que realmente “não temos mais fundo além daquele pelo qual passamos” e voltem para o Brasil com mais intensidade.

Confira abaixo o gráfico do Ibovespa versus USD/BRL:

Alison Correia