Air France X Cias árabes: uma briga boa para os passageiros?

Você acha, como eu, que ultimamente os serviços de bordo prestados pelas grandes companhias aéreas tem deixado muito a desejar? E que os preços cobrados pelos tkts aéreos(seja na classe executiva seja na "animal class") dispararam? E ainda por cima não entende porque os aviões voam superlotados e as cias aéreas vivem dizendo que estão prestes a quebrar? Pois está em curso uma briga boa que, em última instância, deve beneficiar você passageiro!

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Air France X Cias árabes: uma briga boa para os passageiros?

Ao longo dos últimos meses tenho acompanhado a forte concorrência que as Empresas europeias e norte-americanas tem sofrido das novas e antigas Cias de Aviação do chamado “grupo árabe”.
A princípio esta briga é boa para o consumidor que tem mais ofertas e opções de rotas e preços mais competitivos. No entanto, a questão, do meu ponto de vista, tem que ser avaliada com cuidado e a médio prazo. 

Justifico

Neste instante, grandes monstros da aviação como a United Airlines, nos EUA, e a Air France-KLM, na Europa, sofrem pesada concorrência em suas rotas em função dos preços altamente competitivos com que as empresas Árabes tem operado no mercado. Em função disto, muitas empresas aéreas do velho mundo tem sido forçadas a abandonar rotas tradicionais e reformular sua estratégia de vendas. A questão para a qual chamo a atenção é que, como diria Nelson Rodrigues, “toda a unanimidade é burra”. 

Preços x qualidade

Neste instante as Árabes oferecem tarifas muito baratas com serviço igual ou superior às suas concorrentes europeias e norte-americanas. O perigo é que, após expulsarem as antigas cias do velho mundo das rotas, os preços subam vertiginosamente e os serviços desabem assustadoramente. É sempre assim quando não há concorrência. Um bom exemplo é a Etihad Airways, que oferece tarifas extraordinariamente baixas com as quais as tradicionais Air France, Lufthansa, etc não conseguem competir. 

Baixos salários e petrodólares

Os petrodólares por trás das árabes aliados aos baixos salários são dois dos motivos para que isso seja possível. Em compensação os serviços entram em “stoll” e a partir daí caem sem parar.
Como disse é o caso da Etihad, que chegou no mercado brasileiro exibindo excelentes serviços e preços imbatíveis há pouco mais de dois anos. Agora, com boa fatia do mercado conquistada, começam a surgir os problemas, as falhas e os transtornos aos passageiros. Leia aqui o editorial  que escrevi para o portal O Que Vi Pelo Mundo sobre esta questão. 

Voo “pocotó” 

Nesta segunda(22 jun) a Etihad divulgou um comunicado na imprensa mundial exigindo a liberação total da entrada da cia aérea no mercado europeu, justificando uma certa “reserva de mercado” dos europeus, impedindo assim, o crescimento das empresas pertencentes ao grupo árabe. Mais uma vez, justifico o meu ponto de vista a partir de constatações de que esta “canibalização” do mercado aéreo em função das baixíssimas tarifas operadas por estas companhias, em especial a Eithad, tem gerado muita dor de cabeça aos passageiros.
Eu, pessoalmente, tive sérios problemas com voos da Etihad (São Paulo-Abu-Dhabi-Nova Delhi-Mumbai-Abu-Dhabi-São Paulo) no final de 2014. Para começar os voos tem curtíssimo espaço de tempo nas conexões, gerando o chamado voo “pocotó”, ou seja, o passageiro tem que correr e muito, para não perder o voo de conexão. 

“Padrões de qualidade árabes”

Como a cia aérea obedece a “padrões árabes de qualidade” os serviços são extremamente burocráticos e engessados. Neste instante ainda são acima da média de mercado. Mas é uma questão de tempo para começarem a “voar baixo”. Comigo( e tantos outros passageiros) isso já ocorreu. Para dar uma ideia aos leitores, questionei junto à Assessoria de Imprensa os motivos para tantos problemas logo após o retorno da viagem fiz para a Índia, no final do ano passado, utilizando a Etihad. Foram mais de seis meses para receber uma resposta oficial da companhia aérea que, na verdade, não esclarece nada. Apenas um pedido de desculpas formal, frio e burocrático. Leia aqui a íntegra da resposta oficial da Etihad.
E olhe que o pedido foi feito por um jornalista! Imagine você, leitor e passageiro comum que não tem o poder de pressao da mídia!!!
Abaixo, um texto publicado(nesta quarta, 24 de junho de 2015) pela redação da PanRotas.
Nele, a Air France-KLM junta-se ao coro das alarmadas American Airlines, Delta e United. Como disse, a princípio esta briga de gigantes beneficia diretamente o consumidor final, ou seja, você passageiro. Afinal, os serviços prestados pela maioria das Cias Aéreas Americanas e muitas europeias não está, digamos, nos seus melhores dias. Cobram tarifas muito altas e oferecem serviço inversamente proporcional. Sem concorrência pesada nos últimos anos, além da queda nos serviços a prática do overbooking ( vender mais passagens do que lugares existentes no voo) foi elevada a categoria de “necessidade operacional”. Deste ponto de vista esta “briga” é um claro sinal de que as cias aéreas tem que entender, de uma vez por todas, que sem o passageiro elas podem berrar, xingar, brigar quanto quiserem. 
Abaixo, o texto. Interpretem como quiserem.

Air France-KLM entra na briga contra os Árabes: é ameaça!

A Air France-KLM enviou uma apresentação do Departamento de Transporte dos Estados Unidos (DOT) afirmando que apoia totalmente American Airlines, Delta Air Lines e United Airlines no que se refere às alegações levantadas sobre as companhias aéreas receberem subsídios do Catar e dos Emirados Árabes Unidos (Etihad, Emirates e Qatar).A transportada franco-holandesa clama por uma ação urgente dos reguladores dos Estados Unidos e de todas as partes do mundo para uma “reação proporcional à magnitude desta ameaça” de rápida expansão das companhias do Golfo Pérsico.
Adverte-se que, ao menos que a ação seja rápida, os Estados Unidos vão enfrentar, em cinco a dez anos, um alto nível de penetração de mercado pelas companhias aéreas do Golfo Pérsico, como ocorre atualmente na Europa. Entre 2004 e 2014, as aéreas da região cresceram de 23 a 69 em número de pontos servidos no continente europeu e a capacidade total apresentaram um incremento de mais de 400%.
Inúmeras companhias aéreas da Europa, incluindo Air France-KLM, diminuíram ou tiveram que desistir de destinos em detrimento da rápida expansão das empresas do Golfo Pérsico, que, por sua vez, têm negado qualquer subsídio por parte dos governos árabes.

texto Airfrance-Klm na briga contra os Árabes: /é ameaça ! fonte: PanRotas


A340-600 | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Tela multimídia da classe econômica e uma das maiores da categoria | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Tripulação: a melhor parte da viagem | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Avião da Air France | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação

Paulo Panayotis