Para novos tempos, novos líderes

Para um novo tempo, novos líderes. As gerações, as leis e a tecnologia são fatores que impõem desafios que somente podem ser endereçados por dirigentes com novas ideias. Não basta ter pouca idade para ser um novo dirigente, mas, ter ideias que sejam realmente inovadoras e levem em conta as transformações provocadas por esses fatores.

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Muitos profissionais desejam que suas carreiras os levem a atingir os cargos de liderança e, portanto, a escolha do Arcebispo Jorge Mario Bergoglio como Papa Francisco I, nos faz refletir sobre os momentos nos quais novos líderes são necessários. Afinal, nas empresas ocorre o mesmo: há situações em que a opção por um novo líder pode significar a vida ou a morte da companhia.

Para novos tempos, precisamos de novos líderes. Mas, o que a empresa deseja é um novo líder com novas ideias, ou alguém novo que consiga perpetuar velhas ideias?

O mundo se transformou e hoje há muita luz em áreas que ficavam às escuras. Nas empresas, as novas gerações, as leis e, principalmente, as tecnologias são as novas fontes de iluminação. Elas mostram caminhos não traçados e possíveis correções a fazer. É evidente que,  como toda mudança, geram desconforto e resistência. 

FATORES DE TRANSFORMAÇÃO

As novas gerações, chamadas de millenium, Y e Z, possuem uma gama de acessos a informações e conhecimentos que causam enorme desconforto. Precisamos compreender que há duas formas de perpetuar a ignorância. Uma delas, a mais utilizada até o presente, é esconder informações da maioria; a outra é inundá-la com elas. A segunda forma será cada vez mais comum. Por isso, as empresas e seus líderes ouvirão mais críticas de profissionais com pouca experiência e terão de saber lidar com isso.

As leis são a segunda fonte de grandes transformações. Se já é humanamente impossível para um líder empresarial acompanhar as mudanças estapafúrdias na legislação brasileira, imagine seguir leis ao redor do mundo e que interferem em seu mercado. E a globalização faz com que legislações em outros países, afetem nossas empresas em uma velocidade maior que no passado.

A tecnologia era vista como uma importante ferramenta para a gestão e operação da empresa. Hoje ela é a natureza do negócio. As empresas, conscientemente ou não, vivem nesse admirável mundo novo e que pode destruí-las de forma imprevisível.

O único modo, portanto, de ser líder é ter uma mentalidade de adaptação às novas gerações, consciência a respeito das leis e interesse permanente em novas tecnologias. Um líder que não leva em conta as transformações do mundo provocadas por esses fatores, está fadado ao fracasso.

AS NOVAS GERAÇÕES

Para adaptar-se às novas gerações, os líderes devem fomentar uma cultura de intensa comunicação. É verdade que os jovens têm acesso a muita informação, mas isso não significa que são capazes de criar conhecimento relevante. Uma ideia útil é determinar os critérios a ser utilizados para saber se uma informação é válida, coerente e proveitosa para a vida do jovem. Todo conhecimento que leva à adaptação, geração de valor para vida pessoal e profissional, e equilíbrio, são os mais relevantes para o desenvolvimento do profissional. Além disso, o líder deve seguir e incentivar o uso de  fundamentos científicos, a experiência e a intuição, nessa ordem, como critérios que geram maior chance de integração das ideias das novas gerações com a empresa. Um grande obstáculo é que, ao mesmo tempo que as organizações são velozes para se adaptarem aos mercados, são anacrônicas em sua cultura interna. É ela que fomenta ideias antigas, impede a comunicação e perpetua velhas visões em um novo mundo. As empresas bem-sucedidas fazem exatamente o contrário.

AS LEIS

A melhor forma de lidar com as leis é influenciá-las. O líder deve ter uma visão de mundo e, nele, qual o seu papel e da empresa. Nosso futuro será o que as leis disserem. E ainda é preocupante o que elas determinam sobre: onde e como é alocado o dinheiro dos tributos, quais áreas da economia devem ser beneficiadas, e o que faremos com as gerações futuras. Sob o ponto de vista empresarial, o líder deve pensar qual o valor que a empresa entrega para a sociedade e quais leis que geram um ambiente propício para que esse valor seja entregue, exista e evolua. Se não for capaz de influenciar as leis, então o administrador deve incentivar a existência de associações e grupos de líderes de seu setor. Fomentar estudos que ofereçam fundamentos para disseminação de suas ideias e tornar-se uma voz influente na sociedade.

A TECNOLOGIA

Já a tecnologia é o maior desafio para todo dirigente empresarial. Afinal, nós podemos nos desviar de um veículo que se move em nossa direção, mas, se ele for invisível, seremos atropelados, sem saber o que aconteceu. A tecnologia tem essa característica: é invisível. Nesse exato instante a maioria não vê o que será determinante para sua existência, mas ocorre nos mercados, nas leis e nas conversas das novas gerações. Redes sociais, celulares, nanotecnologia, robótica, computação nas nuvens, enfim, o que isso tudo tem a ver com seu negócio? Quais riscos representam? E, principalmente, quais oportunidades?

O novo líder não é aquele que percebe esses fatores de forma isolada, mas sua poderosa e complexa combinação. As leis, associadas a tecnologias contemporâneas, provocam profundas transformações no mundo. O administrador que espera para agir quando elas se tornam visíveis, na forma de números e dados econômicos sobre a empresa, condena a si e a companhia, ao fracasso. Somente aqueles capazes de observar essas transformações, refletir e agir, levando-as em conta, é que podem ser chamados de novos gestores.

Líderes vêm e vão, mas os bons são aqueles que geram maior valor ao mundo na forma de ideias, ética, coexistência e construção.

Silvio Celestino

É coach de gerentes, diretores e CEOs desde 2002. Também atende a executivos que desejam assumir esses cargos. Possui certificação e experiência internacional em coaching. Foi executivo sênior de empresas nacionais e multinacionais na área de Tecnologia da Informação. Empreendedor desde 1994.