Liderança e responsabilidade

Antes de querer liderar o profissional deve preocupar-se em amadurecer. Somente o indivíduo adulto é capaz de tomar decisões em momentos de crise usando domínio emocional, conhecimento, experiência e intuição, nessa ordem. A pessoa imatura pode fazer o contrário, ou, pior, tomar decisões inexplicáveis que afetam sua vida e, no caso de líderes, a de outras pessoas e da empresa. Consciência das consequências de seus atos é o que gera maiores chances de bons resultados no curto e longo prazo.

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A visita do Papa Francisco ao seu antecessor nos faz lembrar da importância de sermos criteriosos quando tomamos uma decisão. Em nossas carreiras profissionais temos de aumentar a possibilidade de sucesso de cada opção que fazemos. Principalmente quando somos líderes, pois nossos atos afetam a vida de outras pessoas e da organização que está sobre nossos ombros.

Entretanto, apesar da evidente complexidade do mundo, é comum observarmos líderes tomarem decisões impensadas. Como consequência, conduzem sua carreira e a empresa para caminhos desastrosos, principalmente no longo prazo.

Isso ocorre por falta de maturidade do profissional que, sem ter base sólida de conhecimento e experiência, se recusa a aprender e a consultar aqueles mais experientes. O mercado ainda é povoado de pessoas perfeccionistas que, por medo de parecerem fracas e por orgulho, pensam que estarão certos e serão admirados se decidirem sozinhas.

Curiosamente, entretanto, o mundo nunca foi tão abundante em conhecimento e colaboração. Mas, somente para aqueles que desejam participar desse novo ambiente.

Um bom fundamento, em todas as situações, é conhecer as teorias, conceitos e melhores práticas que possam auxiliar o indivíduo a tomar decisões. Por isso é importante a atualização e a leitura constante, mesmo que o profissional já tenha atingido cargos de liderança. Conhecimento é um fundamento imbatível para lidar com a maioria dos eventos empresariais, entretanto, ele não é o único.

A experiência é a segunda base para a tomada de decisões. Por exemplo, uma pessoa que nunca tenha passado por uma crise em sua área de atuação é muito mais arrojada que aqueles que trabalham nela há décadas. Eles sabem dos altos e baixos do setor e, por terem sobrevivido, são fontes respeitáveis de consulta. É preocupante um profissional que só tem o conhecimento acadêmico e dos livros, e não possui o domínio emocional e a experiência necessária aos momentos de crise. Esses são fatores decisivos que, nessas ocasiões,  definem o futuro da pessoa, de seus liderados e da organização. Conheço profissionais que brigaram com seus chefes em momentos de estresse, líderes que abandonaram seus times quando uma crise ocorreu e empresas que ficaram à deriva porque, dos acionistas aos empregados, ninguém possuia experiência ou conhecimento sobre como lidar com momentos de contração econômica. Isso sem falar naqueles que descambam para o ilícito nos momentos de pressão, que envolvem desde o não pagamento de tributos, desvios de dinheiro, “puxadas de tapete”, mentiras até a fraude contábil.

Por último, quando o conhecimento e a experiência não são suficientes para a tomada de decisão, a intuição é que deve ser acrescentada. O mundo de hoje, com a explosão de informações, conectividade, comunicação e interações, permite que coisas novas, imprevisíveis e incontroláveis ocorram. O profissional e, principalmente, o líder devem saber quando a intuição pode dar a única resposta possível em curto espaço de tempo. Também quando o conhecimento e a experiência não são capazes de responder a uma situação crítica e que demanda decisão.

Portanto, os melhores critérios de decisão são em primeiro o conhecimento, depois a experiência e finalmente a intuição. Em geral as pessoas fazem caminhos desastrados em suas carreiras e vida: usam emoção conjungada com sua opinião primeiro. Quando as coisas não dão certo, consultam alguém sem experiência, bom falador e que, quase sempre, é um mau pensador. E, por último, quando tudo falha, culpam os acontecimentos e os outros.

Ainda me impressiona muito a quantidade de profissionais que tratam conhecimento científico como opinião, e opinião como ciência. Em suas carreiras isso já causa muitos danos, mas, nas empresas, os transtornos são ainda maiores em termos de resultado, clima organizacional e perda de energia.

O importante é que o profissional, principalmente em cargo de liderança, tenha responsabilidade pelo seu amadurecimento e tome decisões cada vez mais consciente de suas consequências. Isso é que gera equilíbrio de resultados de curto e longo prazo.

Vamos em frente!

Silvio Celestino

É coach de gerentes, diretores e CEOs desde 2002. Também atende a executivos que desejam assumir esses cargos. Possui certificação e experiência internacional em coaching. Foi executivo sênior de empresas nacionais e multinacionais na área de Tecnologia da Informação. Empreendedor desde 1994.